Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

William Shakespeare nasceu há 444 anos

William Shakespeare terá nascido a 23 de Abril de 1564 (m. 23.4.1616). É uma das figuras de maior relevo da literatura universal. Nasceu em Stratford-upon-Avon, onde fez os seus estudos, mas é partir do momento em que se instala em Londres (sabe-se que já aí residia em 1592) que o seu percurso, desde logo ligado ao teatro, pode ser seguido mais de perto. Aí trabalhou como actor na companhia Lord Chamberlain's Men que, em 1603, se transformaria em The King´s Men, a companhia que haveria de dominar o panorama teatral inglês durante grande parte do século, instalada no Globe Theatre e dispondo dos melhores actores do tempo, como Richard Burbage. Shakespeare permaneceria sempre associado a este grupo quer como autor, quer como «company sharer», isto é, participando da sua direcção.
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TÍTULOS
PRIMEIRAS
REPRESENTAÇÕES
Henrique VI
1589/92
The Comedy of Errors
1592/93
Ricardo III
1592/93
The Taming of the Shrew
1593/94
The Two Gentleman of Verona
1594/95
Love's Labour Lost
1594/95
Romeo and Juliet
1594/95
A Midsummer Night’s Dream
1595/96
Richard II
1595/96
The Merchant of Venice
1596/97
King John
1596/97
Henrique IV
1597/98
Much Ado About Nothing
1598/99
Henry V
1598/99
As You Like It
1599/1600
Julius Caesar
1599/1600
Hamlet
1600/01
The Merry Wives of Windsor
1600/01
Twelfth Night
1601/02
Troilus and Cressida
1601/02
All´s Well That Ends Well
1602/03
Othello
1604/05
Measure for Measure
1604/05
King Lear
1605/06
Macbeth
1605/06
Antony and Cleopatra
1606/07
Coriolanus
1607/08
Timon of Athens
1607/08
Pericles
1608/09
Cymbeline
1609/10
The Winter's Tale
1610/11
The Tempest
1611/12
The Two Noble Kinsmen
1612/13
Henrique VIII
1612/13

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*

O génio de Shakespeare manifesta-se em vários planos e nos vários géneros de teatro que abordou. Todavia, são as tragédias, principalmente as que escreveu entre 1600 e 1605 -- Hamlet, Othello, King Lear e Macbeth --, que parecem reunir de forma exemplar os elementos mais perturbantes do seu teatro. A condição humana, o destino, as paixões, o poder, a traição e a perfídia, a verdade e a mentira, são temas recorrentes que, no seu conjunto, constituem uma densa análise do Homem e daquilo que o move. Daí que ressalte delas um elevado grau de universalidade e intemporalidade, isto é, verifica-se que os problemas nela representados ultrapassam as circunstâncias do tempo e do espaço em que foram colocados. Hamlet, por exemplo, transporta consigo um simbolismo que quase se autonomizou da própria peça, quase se tornou uma personagem real, conhecido mesmo de quem nunca leu ou viu a tragédia shakespeariana, podendo mesmo ser citado. Frases como «ser ou não ser, eis a questão» (to be or not to be that is the question) ou «algo está podre no reino da Dinamarca» (something is rotten in the state of Denmark) circulam independentemente do contexto em que foram produzidas. As grandes tragédias de Shakespeare têm sempre sido uma fonte inesgotável de novas interpretações e abordagens.
*
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*

Hamlet. To be, or not to be — that is the question:

Whether 'tis nobler in the mind to suffer

The slings and arrows of outrageous fortune

Or to take arms against a sea of troubles,

And by opposing end them. To die — to sleep —

No more; and by a sleep to say we end

The heartache, and the thousand natural shocks

That flesh is heir to. 'Tis a consummation

Devoutly to be wish'd. To die — to sleep.

To sleep — perchance to dream: ay, there's the rub!

For in that sleep of death what dreams may come

When we have shuffled off this mortal coil,

Must give us pause. There's the respect

That makes calamity of so long life.

For who would bear the whips and scorns of time,

Th' oppressor's wrong, the proud man's contumely,

The pangs of despis'd love, the law's delay,

The insolence of office, and the spurns

That patient merit of th' unworthy takes,

When he himself might his quietus make

With a bare bodkin? Who would these fardels bear,

To grunt and sweat under a weary life,

But that the dread of something after death —

The undiscover'd country, from whose bourn

No traveller returns — puzzles the will,

And makes us rather bear those ills we have

Than fly to others that we know not of?

Thus conscience does make cowards of us all,

And thus the native hue of resolution

Is sicklied o'er with the pale cast of thought,

And enterprises of great pith and moment

With this regard their currents turn awry

And lose the name of action...

*

*

«Ser ou não ser, eis a questão! O que será mais nobre para o espírito humano: sofrer os ataques e as frechadas da fortuna adversa, ou pegar em armas contra um mar de dores e, enfrentando-as, pôr-lhes termo? Morrer... dormir; mais nada! E dizer que se acaba com as penas do coração e mil choques de que é herdeira a carne! Eis um fim a desejar ardentemente. Morrer... dormir! Dormir... Sonhar talvez! Aí é que está o problema! Porque há que pensar nos sonhos que virão nesse sono da morte, quando nos libertarmos desta mortal crisálida! É este raciocínio que nos leva à desgraça de uma vida tão longa! Pois quem suportaria as chicotadas e o desprezo do mundo, a injúria do opressor, a afronta do soberbo, as ferroadas do amor incompreendido, as delongas da justiça, a insolência dos funcionários e o coice que o mérito paciente recebe dos indignos, quando se podia buscar repouso com a ponta de um punhal? Quem aguentaria tão pesado fardo, gemendo e suando, sob o peso de uma vida tão trabalhosa, se não fosse o pavor do que existe para lá da morte — essa região desconhecida cujas fronteiras nenhum viajante volta a atravessar —, temor que embaraça a vontade e nos obriga a suportar os males que conhecemos, em vez de corrermos para outros de que não sabemos nada? Assim a consciência faz cobardes de nós todos, e assim o primeiro impulso da reolução esfuma-se no pensamento, e as tentativas de força e energia, perante este raciocínio, mudam o seu curso e perdem o nome de acção...» (tradução de Ricardo Alberty).

 

 

publicado por annualia às 12:42
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