Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

Os «mil anos» de Murasaki Shikibu

Dama de honor na corte de Heiankyô, em Quioto, é autora (c. 978 - c. 1014) da obra capital da literatura romanesca do Japão, Genji monogatari, que, segundo René Sieffert, constitui um fresco monumental da sociedade e da vida na corte do seu tempo que não tem equivalente ocidental antes do século XIX.

Educada pelo pai, um homem culto e autor de poemas em chinês clássico,  Murasaki destacou-se no dealbar do milénio pela sua vasta cultura, tendo sido escolhida pelo poderoso Michinaga para educar a imperatriz Shoshi, a qual seguiu no recolhimento religioso a que se dedicou depois da morte, em 1011, do marido, o imperador Ichijô.

Genji monogatari (agora em edição portuguesa da Relógio d'Água, com o título O Romance do Genji) é constituído por 54 livros que ocupam cerca de duas mil páginas cujo conteúdo abrange três gerações ao longo de setenta anos, «mas sempre o mesmo jogo do amor e da ambição, retomado sem cessar, com pequeníssimas variantes, por novos actores que não são mais do que gotas de água no rio do tempo.» (René Sieffert)

Diz este mesmo autor que, nesta obra fundamental, «a acuidade da análise psicológica consegue fazer esquecer a distância no espaço e no tempo de tal modo que, apesar da diferença de usos e costumes, o leitor moderno retém sobretudo uma surpreendente impressão de verdade humana universal.»

 

 

 

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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

Kon Ichikawa (1915-2008)

A carreira deste grande cineasta japonês (Mie, 20.11.1915 – 12.2.2008) começou pelos desenhos animados e filmes com marionetas. Depois da II Guerra Mundial, estreou-se como realizador de filmes de fundo com Toho Senichi-Ya (1947). A sua filmografia cobre vários géneros e registos, combinando capacidade artística e êxito de público. Notabilizou-se sobretudo em transposições cinematográficas de clássicos literários, como Kokoro (adaptação de Soseki Natsume), Enjo (adaptação de Mishima), Kagi (adaptação de Junichirô Tanizaki) ou Hakai (adaptação de Toson Shimazaki).
Conhecido no Ocidente desde Biruma no tategoto (1956, exibido em Portugal como A Harpa Birmanesa), premiado em Veneza (e de que Ichikawa fez uma segunda versão em 1985), este cineasta dirigiu vários thrillers como Ana (1957), Inugamike no ichizoku (1976) e Gokumon-to (1977).
Merecem também destaque especial o documentário Tôkyô orimpikku (1965, As Olimpíadas de Tóquio) e o filme Taiheiyo hitori-botchi (1963), nomeado para a Palma de Ouro, em Cannes.
Alguns outros filmes de referência: Enjo (1958), Kagi (1959, Prémio de Júri no Festival de Cannes), Ototo (1960), Hakai (1962), Koto (1980), Kojuku (1981), Sasame-yuki (1983), Rokumeikan (1986), Eiga joyu (1987, homenagem à actriz Kinuyo Tanaka, protagonista de vários filmes de Mizoguchi), Taketori monogatari (1987), Tenkawa densetsu satsujin jiken (1991), Shijushichinin no shikaku (1994), Kah-chan (2001, Grand Prix des Amériques, do Festival de Montréal). Os seus filmes receberam muitas nomeações e prémios, dentro e fora do Japão. Em 2001 foi distinguido com o Prémio de Carreira do Festival de Cinema do Mundo de Montréal. Em 2006 venceu o Prémio Akira Kurosawa do Festival Internacional de Tóquio.
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