Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Datas perdidas

«Na terça-feira, 21, segundo o testemunho do célebre escrivão cabralino [Pêro Vaz de Caminha], os membros da tripulação encontraram alguns sinais de terra: "muita quantidade d'ervas compridas a que os mareantes chamam botelho e assim outras, a que também chamam rabo d'asno"26. Apesar de, nessa latitude (cerca de 17º S), dispor de vento favorável - que sopra francamente de leste - para atingir mais rapidamente o seu objectivo prioritário que era o de alcançar a monção do Índico, o capitão-mor alterou deliberadamente o rumo para oeste em busca de terra.

A 22 de Abril toparam, pela manhã, "com aves, a que chamam fura-buchos... e, a horas de véspera [entre as 15 horas e o sol-posto]," tiveram "vista de terra, isto é, primeiramente d'um grande monte, mui alto e redondo, e d'outras serras mais baixas a sul dele e de terra chã com grandes arvoredos, ao qual monte alto o capitão pôs nome o Monte Pascoal e à terra a Terra de Vera Cruz"27.

Após este achamento, a armada fundeou a cerca de 6 léguas (19 milhas) da costa. No dia imediato (quinta-feira, 23 de Abril), os navios mais ligeiros (caravelas), seguidos pelos de maior tonelagem (naus), procedendo cautelosamente a operações de sondagem, ancoraram a cerca de meia légua (milha e meia) da foz do posteriormente denominado rio do Frade. Foi, então, decidido enviar um batel a terra, comandado por Nicolau Coelho, para estabelecer relações com os indígenas que se encontravam na praia.»

Jorge Couto, «O Achamento da Terra de Vera Cruz», Revista Camões, Número 8, Janeiro-Março 2000

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Quinta-feira, 6 de Março de 2008

Joel Serrão (1919-2008)

Historiador, investigador e ensaísta português (Funchal, 1919 - Lisboa, 6.3.2008). Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professor liceal até 1972. Exerceu depois funções docentes na Universidade de Lisboa e na Universidade Nova de Lisboa. Pertenceu ao conselho de administração da Fundação Calouste Gulbenkian. Dirigiu o Dicionário da História de Portugal, que ainda hoje constitui uma referência fundamental da historiografia portuguesa do século XX. Na linha da historiografia dos Annales, que marcou muito a sua época, dedicou particular atenção a problemas culturais e literários, especialmente do século XIX, privilegiando uma perspectiva sociológica e um ensaísmo de linha sergiana. De salientar os seus contributos para o conhecimento e revalorização de autores como Cesário Verde, Sampaio Bruno e D. Francisco Manuel de Melo. Foi também um dos pioneiros dos estudos pessoanos, sobretudo na compilação, edição e interpretação de textos sobre a sua ideia de Portugal e relações com o Sebastianismo.
Com A. H. de Oliveira Marques dirigiu também uma Nova História de Portugal e uma Nova História da Expansão Portuguesa.
A sua vasta obra abrange: O Carácter Social da Revolução de 1383 (1946), Cesário Verde: Interpretação, Poesias Dispersas e Cartas (1957), Sampaio Bruno: O Homem e o Pensamento (1959), Temas Oitocentistas I (1959), Temas de Cultura Portuguesa (1960), D. Francisco Manuel de Melo, Alterações de Évora-1637 (1967, Introdução, fixação do texto, Apêndice Documental e Notas),  Do Sebastianismo ao Socialismo em Portugal (1969), Iniciação ao Filosofar (1970), Cronologia Geral da História de Portugal (1971), Portugueses Somos (1975), O Sentido de Portugal segundo Fernando Pessoa (1976), Testemunhos sobre a Emigração Portuguesa (1978), Temas Oitocentistas II (1978), Fernando Pessoa, Cidadão do Imaginário (1981), Génese e Estrutura do Pensamento Sócio-Político de Antero de Quental: Introdução a Antero de Quental: Prosas Sócio-Políticas (1982), O Primeiro Fradique Mendes (1985), Notas sobre a situação da mulher portuguesa oitocentista (1986), Temas Históricos Madeirenses (1992).
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

Que História o absolverá?

 

 

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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

Mataram o rei D. Carlos há 100 anos

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ensaio de Rui Ramos sobre «O Regicídio e o fim da monarquia» 

em ANNUALIA 2007-2008,

à venda nas livrarias ou em www.editorialverbo.pt .

 

 

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Domingo, 27 de Janeiro de 2008

Regicídio/ Rui Ramos

A edição de hoje do Público reproduz a entrevista com o historiador Rui Ramos. a propósito do Regicídio, conduzida por José Manuel Fernandes (Público) e Paulo Magalhães (Rádio Renascença) e transmitida no sábado à noite no Canal 2, na série «Diga lá Excelência»,

«Não é correcto dizer que o país estivesse cansado do rei. Este era muito discutido pelos políticos porque estávamos num regime político em que as eleições não eram vistas como um instrumento de provocar a mudança dos governos. A alternância dependia muito do rei, que, ao escolher um Governo, dava uma oportunidade a um outro partido de subir ao poder. Na época já havia eleições, já existia um sistema representativo, mas o eleitorado não era visto pela classe política como sendo capaz de tomar uma decisão consciente. » (Rui Ramos)

Regic�dio, assassinato do Rei Dom Carlos e de seu filho Dom Lu�s, Garcia Nunes, s.d., Arquivo Municipal de Lisboa, AFML - A59767

Recordamos que Rui Ramos assina um texto sobre o «Regicídio e o fim da monarquia» na Annualia 2007-2008.

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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

Datas perdidas

Em 22 de Janeiro de 1901 morria a Rainha Vitória de Inglaterra.
«Neta de Jorge III e filha de Eduardo, duque de Kent, e de Maria Luísa Vitória de Saxe-Coburgo Gotha, Alexandrina Vitória (n. 1819) ascendeu ao trono em 1837, na sequência de seus tios Jorge IV e Guilherme IV. Órfã de pai aos oito meses, foi educada pela mãe longe da corte, com alguma austeridade, que terá contribuído para certo puritanismo de atitude de que foi representante e inspiradora simultaneamente. Coroada em 1838, veio a casar, em 1840, com seu primo, Alberto de Saxe-Coburgo Gotha, dando início a um período de vida familiar feliz, com numerosa descendência, e a uma fase de aprendizagem política como rainha, que se prolongou até à morte do príncipe consorte, em 1861. Queen VictoriaRecusando uma função meramente passiva, Vitória insistiu em fazer-se ouvir, sobretudo na política externa, influindo em decisões fundamentais e conseguindo fazer aceitar a sua intervenção para além dos limites estritamente constitucionais, graças à sua persistência e gradual prestígio.
(…)
No decurso do mais longo reinado que o Reino Unido conheceu, Vitória alterou de modo profundo a imagem da realeza, facto tanto mais notável tendo em consideração a pouca popularidade de que inicialmente desfrutava e o período de quase reclusão nos primeiros tempos de viuvez. Biógrafos e historiadores de diversas tendências sublinham a sua intuição e identificação espontânea com o pensar e sentir da camada dominante da sociedade do seu tempo. A época a que deu o nome foi assinalada por grandes transformações e contradições, nomeadamente pelos efeitos da revolução industrial, desenvolvimento do capitalismo e imperialismo, ascensão do proletariado, reformas sociais e educativas, movimentos ideológicos, revestindo-se de brilho e importância — até na literatura —, que os próprios críticos não deixam de reconhecer. Os jubileus de 1887 e 1897 deram lugar a expressões triunfais do apogeu do vitorianismo, mas a morte da soberana, no início do novo século, foi claramente sentida como marcando a passagem de uma era».
*
Excertos do texto de Fernando de Mello Moser em Enciclopédia Verbo-Edição Século XXI, vol. 29.
*
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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008

Datas perdidas

No século XIX o nacionalismo que fermentou nos Balcãs atingiu também a Albânia, intensificando-se a partir de 1878 sob o lema «A união das terras da Albânia num único Estado». A independência foi proclamada a 28 de Novembro de1912. A coroa albanesa foi oferecida, em 1914, ao príncipe alemão Guilherme de Wied. Este, com o deflagrar da I Guerra Mundial, abandonou o país, que mergulhou na anarquia.

Em 1925, o chefe tribal Ahmed Bey Zogu ascendeu à presidência do país, tornando-se rei constitucional em 1928. Em 1939, a Itália apoderou-se da Albânia e o rei refugiou-se no estrangeiro. A resistência contra o invasor levou ao Poder Enver Hodja, que impôs em 11 de Janeiro de 1946 a ditadura comunista que vitimou grande parte do clero católico.

As tentativas de hegemonia jugoslava e moscovita levaram à ruptura com Belgrado, em 1948, e com Moscovo, em 1961, privilegiando a Albânia as suas relações com a China, mas também rompeu com esta em 1978.

A partir de 1967, a Albânia foi o primeiro Estado de todo o Mundo que se declarou oficialmente ateu, consagrando a Constituição de 1976 o propósito de «desenvolver a propaganda ateia».

A Albânia acabou por estabelecer relações comerciais com diversos países, situação que se acelerou a partir de 1970. Em 1991, na senda das transformações verificadas no Leste europeu, o regime comunista ruiu, deixando visíveis o extremo atraso e a pobreza do país, que aderiu nessa altura ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional. Sob o ponto de vista político, a Albânia é hoje um Estado de regime multipartidário, com Assembleia legislativa e Presidente da República eleitos democraticamente e Governo nomeado pela Assembleia.

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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

Datas perdidas

O infante D. Afonso, filho de D. Dinis e de D. Isabel de Aragão, assumiu o trono do reino de Portugal em 7 de Janeiro de 1325, com o nome de Afonso IV, depois cognominado O Bravo. Nascido em Coimbra, em 1291, casou com D. Beatriz de Castela. De temperamento arrebatado, mas sábio administrador, promulgou leis de largo alcance para a administração pública, ampliando o papel dos juízes de fora parte, meirinhos, alcaides e outros, oficiais da justiça régia, preocupando-se com o desenvolvimento da agricultura, reorganizando a Universidade, que transferiu para Lisboa, modernizando a gafaria de Coimbra e sendo um atento protector da marinha: a ele se deveu a primeira expedição marítima portuguesa, às Canárias.
Na Batalha do Salado (1340) lutou contra os Mouros ao lado do genro, Afonso XI de Castela.
Os seus últimos anos foram amargurados pelo desentendimento com o príncipe herdeiro, D. Pedro, agravado pelo assassínio político de Inês de Castro, tornando-se personagem relevante em todas as reconstituições, poéticas e dramáticas, desse episódio da história portuguesa. Morreu em Lisboa, em 1357.
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008

Datas perdidas

© oronoz (www.oronoz.com)

 

Pintura de  Francisco Pradilla (1848-1921) que representa a rendição de Boabdil aos Reis Católicos (Museu do Prado, Madrid), com a entrega das chaves da cidade de Granada, em 2 de Janeiro de 1492, no lugar onde hoje está a ermida de S. Sebastião. Consumava-se neste dia a reconquista cristã de Espanha.

Boabdil, cujo verdadeiro nome era Abu Abd'Allah Mohamed, viria a morrer, exilado em Marrocos, em 1527.

Monumento al Rey Boabdil y Morayma. Granada

 

Monumento a Boabdil, em Granada.

Foto de R. Jáuregui.

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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007

Alguns factos da história do Paquistão

A história política, religiosa e cultural, até à criação do Paquistão em 1947, é comum à da Índia. O Paquistão tem as suas origens na velha Liga Muçulmana, fundada em 1909 para defender os interesses dos Muçulmanos ou Islamistas, mas que a partir de 1913 estabeleceu como finalidade conseguir o governo dos muçulmanos da Índia por eles mesmos. Flag of Pakistan
A ideia de um Estado único para os muçulmanos da Índia provém do poeta Mohammed Iqbal, que a exprimiu pela primeira vez por 1930. Em 1936, M. Ali Jinnah foi escolhido para presidente da Liga dos Muçulmanos da Índia. A Liga, que obteve desde então grande prestígio, em 1940 passou a defender a ideia da cisão da Índia em dois Estados, um hindu e o outro muçulmano, este com o nome de «Paquistão». De tal modo a sua força aumentou, de 1944 a 1947, que M. Ali-Jinnah conseguiu, nesse ano, do vice-rei Lord Mountbatten, a criação do Paquistão (membro da Commonwealth desde o início), um Estado dividido em duas províncias: Paquistão Ocidental e Paquistão Oriental. Nada as unia a não ser a religião islâmica receosa do domínio hinduísta. Esse vínculo não bastou para assegurar a união. Map of Pakistan
De facto tudo se passava como se, no plano político, económico e social, o Paquistão Ocidental «oprimisse» o Oriental, precisamente o que os Bengalis tinham querido evitar ao constituir um Estado com os seus irmãos muçulmanos.
Porém, em 1956 proclamou-se República Islâmica e, em 1965, entrou em guerra com a República da Índia. Seguiu-se uma intervenção da ONU que restabeleceu a paz. No entanto, em 1971, o partido autonomista Awami ganhou as eleições, ficando com direito a constituir o governo central. Receando que a cedência às exigências autonomistas dos Bengalis, estimulasse outras pretensões autonomistas, o exército lançou uma repressão violenta contra os Bengalis que procuraram refúgio na vizinha Índia, que interveio com o seu exército. O Paquistão Ocidental rende-se e a independência do Bangladesh (Paquistão oriental) torna-se efectiva. O Paquistão perdia assim 1/6 do seu território e mais de metade da sua população. O facto ressentiu-se, sobretudo, na vida externa do país, tornando-o muito mais dependente das grandes potências, e levou o Paquistão a normalizar as relações com a China.
Zulfikar Ali BhuttoZulfiqar Ali Bhutto eleito presidente do Paquistão procurou redefinir a política externa, relançar a economia e dotar o país de instituições estáveis. Em 1972 estabeleceu relações com Moscovo e buscou ajuda na China Popular, ao mesmo tempo que reafirmava a sua fidelidade aos EUA e a solidariedade com os países islâmicos. As relações com o Bangladesh foram normalizadas em 1974. Em 1973 adoptou uma nova Constituição, de tipo federal. Ali Bhutto torna-se primeiro-ministro e Fazal Chaudri, o novo presidente da República. As grandes potencialidades hídricas e hidroeléctricas, sobretudo no Punjab e no Sind, permitiram desenvolver extraordinariamente a agricultura e a pecuária, mas a falta de investimento, impediu a industrialização. Por outro lado, as províncias fronteiriças (no Nordeste e o Balochistão) foram estimuladas nas suas pretensões autonomistas pelo Afeganistão (devido aos pashtos que vivem nos dois países), sob pressão soviética, desejosa de ter um fácil acesso ao golfo Pérsico. O exército depôs Ali Bhutto em 1977. O general Zia Ul Haq foi empossado no cargo de chefe de Estado (1978), acumulando o cargo com o administrador da lei marcial e chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.
O novo presidente empenhou-se na islamização de toda a vida paquistanesa, único meio, em sua opinião, de manter a unidade nacional. Em 1979, Zia Ul Haq declarou como «lei suprema» o Corão e a Suna, os dois livros sagrados do Islão. Ali Bhutto foi condenado e enforcado. Com isto, pretendia-se minar a formação política de Ali Bhutto, o Partido Popular Paquistanês, que, por duas vezes (1970 e 1977), vencera as eleições legislativas. Mas a sua morte não produziu os objectivos desejados: o mundo inteiro manifestou a sua repulsa pela sentença, e o inegável prestígio deste dirigente político aumentou ainda mais junto do próprio povo paquistanês.
Estes acontecimentos, juntamente com a aquisição de instalações nucleares, levaram ao esfriamento das relações com os EUA, que acusaram o Paquistão de violar os acordos de limitação de armas deste tipo. Mas a situação viria a alterar-se rapidamente. Em 1980, depois da invasão do Afeganistão pelos exércitos russos, centenas de milhares de refugiados chegam ao território paquistanês, que assume assim uma posição de importância na estratégia defensiva do Ocidente. Pouco tempo depois, a China afirmou o seu apoio a Zia Ul Haq e os americanos ofereceram­se para fornecer auxílio militar. Mas nada disto impediu que o regime se tornasse cada vez mais duro. A vida parlamentar fora suspensa e a lei corânica aplicada à letra. Em 1981, a oposição organizou uma «campanha de desobediência civil» com o objectivo de provocar a queda de Zia Ul Haq. Mas o presidente apenas se limitou a promulgar uma Constituição provisória que lhe dava o poder de dissolver os partidos políticos. Alterada a Constituição, o chefe do Estado pôs termo à relativa democratização do regime.
Apesar disso, os partidos foram de novo autorizados. Em 1985 foi levantada a lei marcial, em vigor desde 1977. Em 1986 regressou do exílio a filha do antigo primeiro-ministro Ali Bhutto, Benazir Bhutto, agora presidente do Partido Popular Paquistanês (PPP). Zia Ul Haq morre num desastre de aviação e o presidente do Senado, Ghulam Ishaq Khan, assumiu o poder, marcando eleições, que deram a vitória ao PPP. Embora sem maioria na Assembleia Nacional, uma disposição constitucional permitiu ao presidente a nomeação de Benazir Bhutto para o cargo de primeiro-ministro. A jovem chefe do Executivo anunciou no seu programa uma maior aproximação dos EUA, da União Soviética e da Índia, a renovação das organizações estudantis, reformas laborais e o reequipamento do Exército. No fim de 1989, Benazir Bhutto enfrentou a primeira moção de desconfiança. Durante o ano de 1990 acentuou-se o mal-estar entre o Governo e o Exército, que terá feito pressão sobre o presidente para demitir a primeira-ministra, o que veio a verificar-se. Passam a registar-se confrontos entre partidários de Benazir Bhutto e as autoridades. Em 1992, o Paquistão reconheceu, pela primeira vez, a sua capacidade de fabricar a arma nuclear. Ishaq Khan pediu a demissão em 1993. Wasim Sajjad ocupou a presidência interinamente. Em 1994, as eleições dão a presidência a Farouk Ahmad Leghari. Renovam-se confrontos entre sunitas e extremistas xiitas. O presidente demite-se, em 1997 e é substituído por Mohamed Rafiq Tarar. Em 1999 um golpe de Estado militar pôs no poder o general Pervez Musharraf. Este suspendeu a Constituição e assumiu a chefia do governo (mantendo-se o presidente em exercício em funções apenas para efeitos protocolares), depois de ter formado um Conselho Nacional de Segurança que constitui o governo supremo do país.
É neste panorama político interno que teve lugar a ofensiva dos americanos e britânicos contra o Afeganistão, originada pelos ataques terroristas do 11 de Setembro (2001). Musharraf coopera então na luta contra o terrorismo e os Estados Unidos da América levantaram as sanções impostas ao Paquistão, depois dos ensaios nucleares de 1998. Em 2002 Musharraf dissolveu os movimentos islamitas. Fortemente contestado, a braços com a utilização de território paquistanês por taliban afegãos e pressionado pelo Ocidente, o general enfrentou em 2007 a crise da Mesquita Vermelha de Islamabad que motivou o ataque no qual pereceram várias dezenas de rebeldes. Em Outubro, o regresso de Benazir Bhutto abriria caminho ao regresso do exílio de Nawaz Sharif, o homem que Musharraf destituíra em 1999. Musharraf preparava também o seu futuro político abandonando nominalmente a chefia do exército paquistanês.
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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007

Datas perdidas

No dia 19 de Dezembro de 1688, Guilherme III de Nassau entrou em Londres, vindo a tornar-se rei de Inglaterra, da Escócia e da Irlanda.

Photograph:William and Mary, portrait possibly celebrating their coronation in 1689 as King William III and Queen Mary II, from the Guild Book of the Barber Surgeons of York.

Guilherme III (Haia, 1650 - Londres, 1702) era filho de Guilherme II, stathouder das Províncias Unidas, a quem sucedeu no cargo em 1672, quando Luís XIV invadiu a Holanda. Resistiu heroicamente, obtendo uma paz honrosa em Nimègue (1678). Em 1677 casara com Maria de Inglaterra, sua prima e filha do futuro Jaime II. Consagrou desde então toda a sua energia a organizar a luta da Europa contra Luís XIV.

Quando Jaime II se aliou à França, Guilherme desembarcou em Inglaterra (1688) e destronou-o, com o apoio popular. Em 1689, Guilherme III e Maria II são proclamados conjuntamente rei e rainha de Inglaterra. Depois de submeter a Irlanda católica (Batalha de Boyne e cerco de Londonderry, 1690), entrou na coligação contra a França, desencadeada a Guerra do Palatinado, e vence em La Hougue (1692). Derrotado em Steinkerque (1692) e Newinde (1693), consegue, entretanto, pela paz de Ryswick (1697), que Luís XIV o reconheça como rei da Inglaterra, assegurando a sucessão ao trono de um príncipe protestante pelo «Acto de Estabelecimento» (1701).

Porém, Luís XIV reconheceu Jaime III rei de Inglaterra e recomeçou a guerra (1702). Continuando a ser stathouder das Províncias Unidas, mal adaptado aos costumes ingleses e bastante impopular devido aos pesados impostos que lançou para sustentar a guerra, Guilherme veio a morrer na sequência da queda de um cavalo quando acabava de formar contra a França a «Grande Aliança», originada na crise da sucessão ao trono da Espanha, ocupado pelo débil Carlos II.

 Guilherme III, representado numa estátua

do Palácio de Kensignton

publicado por annualia às 17:27
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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007

História de Portugal, de António Leite da Costa

O blog da Annualia aconselha a História de Portugal, de António Leite da Costa, uma obra concebida para um público juvenil, agora completada com a publicação do terceiro volume. Uma óptima prenda de Natal.
00014h11 000154b4 

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música: história, portugal,
publicado por annualia às 12:50
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