Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

Datas perdidas

Jacques-Louis David, A morte de Sócrates, 1787, Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque

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Ainda que possa não ser rigoroso estabelecer o dia 15 de Fevereiro de 399 a. C. como a data da morte de Sócrates, essa atribuição é pretexto suficiente para evocarmos aqui o grande filósofo grego.

Eis como a Prof. Maria Helena Rocha Pereira inicia o seu artigo sobre Sócrates na Enciclopédia Verbo-Edição Século XXI:

«Apesar de se conhecerem numerosos pormenores da sua biografia (filho do escultor Sofronisco e da parteira Fenareta, casado com Xantipa, de quem teve filhos, residente em Atenas, sem nunca dela sair senão em serviço militar e uma vez para ir ao Istmo, acusado de corromper a juventude e de introduzir deuses novos na cidade, julgado em tribunal e condenado a morrer pela cicuta) e do seu modo de actuar (frequentando os lugares onde aparecia mais gente, como a praça pública ou os ginásios, para interrogar quem lhe aparecia, sobretudo os jovens, numa procura conjunta da verdade), poucas figuras têm sido tão discutidas.»

Os últimos dias de Sócrates são referidos no diálogo Fédon de Platão. Uma versão em português pode ser lida aqui.

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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

120 anos de Gymnopédies

Erik Satie compôs as primeiras Gymnopédies em 1888. Erik Satie  (Honfleur, 1866 - Arcueil, Paris, 1925) compôs óperas, oratórias, bailados, música para piano, valsas e canções de café-concerto. Precursor da dadaísmo e do surrealismo, começou por um estilo de tendência mística e religiosa, evoluindo depois para técnicas de composição inovadoras e cheias de ironia. Dotado de extraordinário espírito crítico, foi o primeiro a trocar a espontaneidade pela lucidez cons­ciente (sem, contudo, perder um genuíno lirismo), tornando-se assim precursor de quase todos os movimentos artísticos contemporâneos: impressionismo (Ogives et Sarabande, 1887; Gymnopédies, 1888), dadaísmo (Le piège de Méduse, 1913), cubismo (Parade, 1917), surrealismo (Relâche, 1924), sem falar no «despojamento» (já desde 1895 com a Messe des Pauvres), no «neomodalismo» medievalista e gregorianizante (Sonneries de la Rose Croix, 1891) e, em geral, inventor da «música estática» das harmónicas paralelas, sem traços de compasso. O interesse pelas suas miniaturas para piano tem sido sempre crescente.

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Gymnopédie N.º 1
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Do mesmo compositor «Je te Veux», com poema de Henry Pacory, cantado pela grande Jessye Norman, acompanhada ao piano por Elisabeth Cooper.
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Je te veux (Erik Satie) (1887)
 
J'ai compris ta détresse,
Cher amoureux
Et je cède à tes voeux,
Fais de moi ta maîtresse,
Loin de nous la sagesse,
Plus de tristesse,
J'aspire à l'instant précieux
où nous serons heureux
Je te veux.
 
Je n'ai pas de regrets
Et je n'ai qu'une envie
Près de toi, là, tout près,
Vivre toute ma vie,
Que mon coeur soit le tien
Et ta lèvre la mienne,
Que ton corps soit le mien,
Et que toute ma chair soit tienne.
 
[refrain]
 
Oui, je vois, dans tes yeux
La divine promesse
Que ton coeur amoureux
Vient chercher ma caresse,
Enlacés pour toujours,
Brûlés des mêmes flammes,
Dans des rêves d'amours
Nous échangerons nos deux âmes.
 
[refrain]
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Datas perdidas

No dia 30 de Janeiro de 1969, Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Star subiram ao telhado da sua produtora discográfica, a Apple Corps, em Londres, e actuaram juntos ao vivo pela última vez.

A actuação, que durou até ser interrompida pela polícia, ficou conhecida como The Rooftop Concert.

 

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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

Datas perdidas

Em 25 de Janeiro de 1965 morreu Winston Churchill. Descendente dos Marlborough e filho de Randolph Churchill, foi cadete de cavalaria aos 19 anos, serviu na Índia e no Sudão como segundo-tenente. Repórter na África do Sul durante a Guerra dos Boers, foi feito prisioneiro, mas conseguiu evadir-se. Deputado conservador, entrou na Câmara dos Comuns em 1900. Ministro da Marinha em 1911, foi sucessivamente ministro do Armamento da Guerra, das Colónias e das Finanças, abandonando o Governo em 1929. Nos anos seguintes, a sua voz eleva-se frequentemente para denunciar a ameaça crescente do poderio hitleriano. Novamente ministro da Marinha durante a II Guerra Mundial, foi nomeado primeiro-ministro em 1940. Não tomou apenas a direcção do seu governo, mas também a pesada responsabilidade de impedir a queda do seu país e da Europa. Enviou reforços para Malta, Gibraltar, Egipto, Grécia, enquanto lutava vitoriosamente contra a ofensiva aérea alemã. «A vitória a todo o custo» foi o seu lema. Apoiou de Gaulle, aproximou-se dos EUA e, depois da invasão da Rússia, estabeleceu com Roosevelt o plano de desembarque de 1944. Seguiram-se as conferências de Ialta e Potsdam. Vencido nas eleições, dois meses depois de terminada a guerra, abandonou o Governo, escrevendo as suas Memórias, distinguidas com o Prémio Nobel de Literatura (1953).
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

Datas perdidas

Em 22 de Janeiro de 1901 morria a Rainha Vitória de Inglaterra.
«Neta de Jorge III e filha de Eduardo, duque de Kent, e de Maria Luísa Vitória de Saxe-Coburgo Gotha, Alexandrina Vitória (n. 1819) ascendeu ao trono em 1837, na sequência de seus tios Jorge IV e Guilherme IV. Órfã de pai aos oito meses, foi educada pela mãe longe da corte, com alguma austeridade, que terá contribuído para certo puritanismo de atitude de que foi representante e inspiradora simultaneamente. Coroada em 1838, veio a casar, em 1840, com seu primo, Alberto de Saxe-Coburgo Gotha, dando início a um período de vida familiar feliz, com numerosa descendência, e a uma fase de aprendizagem política como rainha, que se prolongou até à morte do príncipe consorte, em 1861. Queen VictoriaRecusando uma função meramente passiva, Vitória insistiu em fazer-se ouvir, sobretudo na política externa, influindo em decisões fundamentais e conseguindo fazer aceitar a sua intervenção para além dos limites estritamente constitucionais, graças à sua persistência e gradual prestígio.
(…)
No decurso do mais longo reinado que o Reino Unido conheceu, Vitória alterou de modo profundo a imagem da realeza, facto tanto mais notável tendo em consideração a pouca popularidade de que inicialmente desfrutava e o período de quase reclusão nos primeiros tempos de viuvez. Biógrafos e historiadores de diversas tendências sublinham a sua intuição e identificação espontânea com o pensar e sentir da camada dominante da sociedade do seu tempo. A época a que deu o nome foi assinalada por grandes transformações e contradições, nomeadamente pelos efeitos da revolução industrial, desenvolvimento do capitalismo e imperialismo, ascensão do proletariado, reformas sociais e educativas, movimentos ideológicos, revestindo-se de brilho e importância — até na literatura —, que os próprios críticos não deixam de reconhecer. Os jubileus de 1887 e 1897 deram lugar a expressões triunfais do apogeu do vitorianismo, mas a morte da soberana, no início do novo século, foi claramente sentida como marcando a passagem de uma era».
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Excertos do texto de Fernando de Mello Moser em Enciclopédia Verbo-Edição Século XXI, vol. 29.
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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Datas perdidas

A 16 de Janeiro de 1969, Jan Palach, jovem estudante de Filosofia (n. 1948), imolou-se pelo fogo na Praça Venceslau, em Praga, vindo a falecer três dias depois, em acção de protesto contra a ocupação soviética. O seu funeral transformar-se-ia em enorme manifestação política. A 25 de Fevereiro do mesmo ano, outro jovem, Jan Jazíc, seguiria os passos de Palach.

 

 

 

REQUIEM POR JAN PALACH

Arde o coração de Praga.
Arde o corpo de Jan Palach.
Podemos dizer que o Rei Venceslau,
montado em seu cavalo,
também viu crescer o fogo
em que arde o coração de Praga.
João Huss, queimando o seu corpo,
também arde na Praça de Praga.
E os cavaleiros da Boémia,
o povo e os grão-Senhores,
os operários de Pilsen,
os poetas e cantores da Eslovóquia,
todos ardem nessa tarde e nessa praça.
Queimamos a coragem e o heroísmo,
queimamos a nossa infinita resistência.
Não é verdade, Soldado Schweik?

Eles vieram das estepes e disseram:
É proibido morrer pela Pátria,
é proibido resistir à opressão,
é proibido combater a ocupação.
É proibido amar os campos verdes do seu país.
É proibido amar o verde da esperança.
É proibido amar a Esperança

Estás proibido, Jan Palach!
És proibido, Jan Palach!
Estás proibido de existir, Jan Palach!
Estás proibido de morrer!

Eles vieram das estepes a disseram
todas estas palavras.
Mas também é verdade que disse um dia o Rei Venceslau,
montado em seu cavalo:
«Esta nossa terra será livre,
e nela crescerão livres
as virgens, as mães e os filhos.
E nela crescerão livres as flores.»
E das flores virão rosas,
rosas brancas, para cobrir a campa
de Jan Palach.
Arde o Coração de Praga,
arde o corpo de Jan Palach,
arde o corpo do Futuro.
E já cresce a Primavera!

José Valle de Figueiredo

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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

Datas perdidas

O infante D. Afonso, filho de D. Dinis e de D. Isabel de Aragão, assumiu o trono do reino de Portugal em 7 de Janeiro de 1325, com o nome de Afonso IV, depois cognominado O Bravo. Nascido em Coimbra, em 1291, casou com D. Beatriz de Castela. De temperamento arrebatado, mas sábio administrador, promulgou leis de largo alcance para a administração pública, ampliando o papel dos juízes de fora parte, meirinhos, alcaides e outros, oficiais da justiça régia, preocupando-se com o desenvolvimento da agricultura, reorganizando a Universidade, que transferiu para Lisboa, modernizando a gafaria de Coimbra e sendo um atento protector da marinha: a ele se deveu a primeira expedição marítima portuguesa, às Canárias.
Na Batalha do Salado (1340) lutou contra os Mouros ao lado do genro, Afonso XI de Castela.
Os seus últimos anos foram amargurados pelo desentendimento com o príncipe herdeiro, D. Pedro, agravado pelo assassínio político de Inês de Castro, tornando-se personagem relevante em todas as reconstituições, poéticas e dramáticas, desse episódio da história portuguesa. Morreu em Lisboa, em 1357.
publicado por annualia às 17:51
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008

Datas perdidas

© oronoz (www.oronoz.com)

 

Pintura de  Francisco Pradilla (1848-1921) que representa a rendição de Boabdil aos Reis Católicos (Museu do Prado, Madrid), com a entrega das chaves da cidade de Granada, em 2 de Janeiro de 1492, no lugar onde hoje está a ermida de S. Sebastião. Consumava-se neste dia a reconquista cristã de Espanha.

Boabdil, cujo verdadeiro nome era Abu Abd'Allah Mohamed, viria a morrer, exilado em Marrocos, em 1527.

Monumento al Rey Boabdil y Morayma. Granada

 

Monumento a Boabdil, em Granada.

Foto de R. Jáuregui.

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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007

Datas perdidas

No dia 19 de Dezembro de 1688, Guilherme III de Nassau entrou em Londres, vindo a tornar-se rei de Inglaterra, da Escócia e da Irlanda.

Photograph:William and Mary, portrait possibly celebrating their coronation in 1689 as King William III and Queen Mary II, from the Guild Book of the Barber Surgeons of York.

Guilherme III (Haia, 1650 - Londres, 1702) era filho de Guilherme II, stathouder das Províncias Unidas, a quem sucedeu no cargo em 1672, quando Luís XIV invadiu a Holanda. Resistiu heroicamente, obtendo uma paz honrosa em Nimègue (1678). Em 1677 casara com Maria de Inglaterra, sua prima e filha do futuro Jaime II. Consagrou desde então toda a sua energia a organizar a luta da Europa contra Luís XIV.

Quando Jaime II se aliou à França, Guilherme desembarcou em Inglaterra (1688) e destronou-o, com o apoio popular. Em 1689, Guilherme III e Maria II são proclamados conjuntamente rei e rainha de Inglaterra. Depois de submeter a Irlanda católica (Batalha de Boyne e cerco de Londonderry, 1690), entrou na coligação contra a França, desencadeada a Guerra do Palatinado, e vence em La Hougue (1692). Derrotado em Steinkerque (1692) e Newinde (1693), consegue, entretanto, pela paz de Ryswick (1697), que Luís XIV o reconheça como rei da Inglaterra, assegurando a sucessão ao trono de um príncipe protestante pelo «Acto de Estabelecimento» (1701).

Porém, Luís XIV reconheceu Jaime III rei de Inglaterra e recomeçou a guerra (1702). Continuando a ser stathouder das Províncias Unidas, mal adaptado aos costumes ingleses e bastante impopular devido aos pesados impostos que lançou para sustentar a guerra, Guilherme veio a morrer na sequência da queda de um cavalo quando acabava de formar contra a França a «Grande Aliança», originada na crise da sucessão ao trono da Espanha, ocupado pelo débil Carlos II.

 Guilherme III, representado numa estátua

do Palácio de Kensignton

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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007

Datas perdidas

Há cem anos, no dia 10 de Dezembro de 1907, Rudyard Kipling escreveu duas cartas, ou uma carta em duas partes, aos filhos: uma antes e outra depois da cerimónia de entrega do Prémio Nobel. Transcreve-se em seguida, com a devida vénia, a segunda dessas cartas.

Esta secção «Datas Perdidas» está aberta a todos os leitores que se dispuserem a colaborar.     

 

 

Grand Hotel,
Stockholm.
Dec 10th 1907

5 p.m. (Still Tuesday: still darker)


Dear People -

I continue my letter from where I stopped it at 3.25 p.m. Well, at that hour came the bridal carriage — Cinderella's glass coach I am going to call it — and Mummy and I and two professors piled in and drove through the dark shiny wet streets where all the lamps were reflected on watery pavements and harbours and canals - so that moving steamers' lights were mixed up with shop lights. Everyone in the streets seemed to be in black and the shops were full of black dresses. We stopped opposite the door of a place that looked like a theatre - with iron inner doors and stone staircases. It was the school of the Academy of Music. We went up stairs, after I had left my had, coat and go-loshes with a door-keeper and came into a room ... It was all bare and white with semi-circles of chairs whose seats tilted up with a spring when you weren't sitting on 'em. Behind the platform about eight feet up were three white plaster busts of three great scientific men. (That is why I can't understand their calling the place the Music-room. Perhaps it was the science lecture room after all.) Only the professors of the Swedish Academy were there - not fifty all told. The galleries were empty. Most of the chairs were empty and there was a general feeling of emptiness all about. You see on account of King Oscar's death all the big public functions were stopped and all the professors were in deep mourning. The four Nobel prize winners sat in four chairs thus: —

Professor Nicholson

from

Chicago who

had found

out things about light

Professor

Buchner,

a German

who had done something scientific

The

Chancellor

of the Swedish

Academy

A French doctor who had

found out things about fever & sleeping

sickness

    JE!



 

 

 

 

 

 

 

*

I felt rather like a bad boy up to be caned. Different professors got up, went to the reading desk on the platform and talked to each man in his own lingo. The American got it in English: the German in German: the Frenchman in French: and me in English. It is an awful thing to sit still and look down your nose while a gentleman who talks English with difficulty pays you long compliments. As each oration was finished the victim got up from his chair, the schoolmaster (I mean the Speaker) came down from the platform and shook hands with him. At the same moment a tall young man with a leather rosette in his buttonhole presented the victim with his diploma and gold medal. You have no notion how difficult it is to shake hands gracefully when one arm is full of a large smooth leather book on top of which is a slippery slidy red leather box - like a huge Tiffany jewel case. Try, with a blotter and the case of my silver key and see what happens. I felt like this:—

[omitido o desenho de RK rodeado por mãos]

playing a 15-30 puzzle! The air seemed full of friendly hands all rushing to clasp mine! I had made a bet with myself that Mummy should be the first person to look at the diploma and play with the medal. So I took them both over to her. The diploma is a beautiful hand-painted book. The medal weighs about half a pound. It is pure gold and represents poetry listening to the voice of music! Never you dare to say I can't sing again. I thought it was a picture of Mowgli listening to a woman playing on a lyre. He has nothing on to boast of but he is sitting on a bath-towel and saying:- "Now where is the rest of my week's wash. I have it all written out." Seriously it is one of the most lovely pieces of work which I have ever seen.

[omitido o desenho da medalha]

That was all the ceremony. It took less than an hour and then we went into another room to get our money. I liked the American professor awfully! He was younger than I but the rest were pretty average old. Then we climbed into Cinderella's coach again and came back to our hotel. That is the full account of all just as it happened. Everybody kept assuring me that if the King had not died the ceremonies would have been four or five hours long and there would have been banquets! I don't want banquets. However a few professors are giving Mummy and me a quiet dinner in this hotel to-night and we dine out to-morrow night with the Secretary of the Academy. He has a white porcelain stove in his house, eight feet high. I saw it when I went to call this morning. After that, on Thursday night unberufen - unberufen - unberufen - we come home - home - home!

The only thing I don't like about this part of the world is the dark. The sun begins here at 9 and stops at 2.30 and as we have had heavy grey skies, rain, mist, and snow ever since we started, you can faintly guess how dark the days are ... Swedish grub is interesting but pickleish. They pickle pretty much everything they catch before it goes bad. And they catch a lot of things. They have eels in jelly and pickled herring and lobster and crabs and raw ham and dried raw salmon - none of which will our Lady Mother let me eat. Isn't it a shame? To-morrow we hope to steal out and do some shoppings together.

Ever your loving
Dad.

publicado por annualia às 16:09
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