Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Nancy Spero (1926-2009)

Artista plástica norte-americana (Cleveland, 24.8.1926 – Nova Iorque, 18.10.2009) que iniciou a sua carreira em Chicago, onde estudou, vindo para a Europa, em 1959. Em Paris, onde se fixou, tomou contacto com o pensamento existencialista, que a sua pintura de algum modo começou a reflectir. De novo nos EUA, em 1964, a sua arte adquiriu o cariz de intervenção política que os tempos exigiam, assumindo, por exemplo, uma posição relativamente à Guerra do Vietname. O seu trabalho combina desenho, pintura, colagem, gravura, etc., e dele emerge uma visão particular da figura feminina, sobretudo a partir de meados dos anos 70, orientando-se para um combate feminista, que atanto abordou a violência e a exclusão das mulheres, como o seu heroísmo libertário. No último quartel do século XX, a sua pintura ganhou visibilidade, na medida em que combinou o empenhamento social com o tipo de expressão artística de que se tinha mantido afastada, o minimalismo por exemplo. Em 1992, o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque mostrou uma retrospectiva do seu trabalho, além de ter sido incluída em várias mostras, nos EUA e na Europa.
Imagens e entrevistas aqui.

publicado por annualia às 10:41
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Prémio Sakharov 2009

«A organização russa de defesa dos direitos humanos Memorial venceu o Prémio Sakharov 2009, atribuído pelo Parlamento Europeu. É um prémio pela liberdade de expressão no valor de 50 mil euros que agora será atribuído em Estrasburgo a Lyudmila Alexeyeva, Oleg Orlov e Serguei Kovalev em nome da Memorial e “de todos os defensores dos direitos humanos na Rússia”.» Via Público.
Annualia fez referência à organização Memorial a propósito do assassínio de Natalia Estemirova, jornalista e membro daquela organização: aqui.

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Museu Guggenheim/ prémio para David Mares

Português em Concurso de Design promovido pelo Guggenheim ganhou o prémio do público. Ver notícia.

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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

O problema da política não é o de imitar ou de reproduzir o laço familiar mas o de o distender cada vez mais

 


Aliás, a única diferença assinalável entre a moral e a política
é que a moral reflecte e aprecia os actos, os caracteres e os afectos numa esfera de pessoas que nos são muito próximas, enquanto a política nos ensina a situar-nos, fantasmaticamente sem dúvida, num gigantesco sistema de acções e de interesses. Por outro lado, como não ver que o exemplo do sentimento paternal constitui implicitamente uma objecção à concepção paternalista do poder político, tal como se encontra no Patriarcha de Filmer (1680, publicação póstuma)? O problema da política não é o de imitar ou de reproduzir o laço familiar mas o de o distender cada vez mais.

 

Jean-Pierre Cléro, «Hume (1711-1776): a ciência da natureza humana», em História Crítica da Filosofia Moral e Política.

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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Prémio Planeta/ Ángeles Caso

Escritora espanhola (n. Gijón, 1959) que começou por ser apresentadora de programas de televisão nas Astúrias, tendo sido depois o rosto do telejornal madrileno. O seu primeiro livro, um guia intitulado Asturias desde la noche, foi publicado em 1988. Foi finalista do Prémio Planeta, na sua edição de 1994, com o romance El peso de las sombras. Em 2000, viu distinguido com o Prémio Fernando Lara de Novela o seu livro Un largo silencio. O romance Contra el viento, agora premiado com o Prémio Planeta, conta a história de uma jovem emigrante cabo-verdiana. Algumas outras obras de Ángeles Caso: Aunque haya niebla (1992), Elisabeth, emperatriz de Austria-Hungría (biografia, 1995), El mundo visto desde el cielo (romance, 1997), El resto de la vida (romance, 1998), El verano de Lucky (1999), Um largo silencio (romance, 2000), Giuseppe Verdi, la intensa vida de un genio (biografia, 2001), Las olvidadas (ensaio, 2005).

publicado por annualia às 15:23
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Rosanna Schiaffino (1938-2009)

Actriz italiana (Génova, 25.11.1938 – 17.10.2009) cuja carreira praticamente começou no filme Totò, lascia o raddoppia? (1956, de Camillo Mastrocinque) e que Franscesco Rosi escolheu como protagonista de La Sfida (1958). Em 1959, integrou o elenco de Il vendicatore, de William Dieterle, e aparece em primeiríssimo plano em La notte brava, de Mauro Bolognini, com argumento e guião de Pasolini. Ainda no mesmo ano, participou em Ferdinando I, re di Napoli, de G. Franciolini. Na década de 1960, fez Le bal des espions (1960, de M. Clément e U. Scarpelli), Teseo contro il Minotauro (1960, de S. Amadio), Les miracle des loups (1961, de André Hunebelle), ao lado de Jean Marais, I briganti italiani (1962, de Mario Camerini), ao lado de Vittorio Gassman e Ernest Borgnine, Two Weeks in Another Town (1962, de Vincente Minnelli), Axel Munthe - Der Arzt von San Michele (1962, de G. Capitani e R. Jugert), La corruzione (1963, de M. Bolognini), The Victors (1963, de Carl Foreman), La mandragola (1965, de Alberto Lattuada), La strega in amore (1966, de Damiano Damiani), L’avventuriero (1967,de Terence Young), Scacco alla regina (1969, de Pasquale Festa Campanille). Já nos anos 70, evidenciou-se sobretudo em 7 fois… par jour (1970, de Denis Héroux), Trastevere (1971, de Fausto Tozzi), Ettore lo fusto (1972, de Enzo Castellari), Un hombre llamado Noon (1973, de Peter Collinson), Gli Eroi (1973, de D. Tessari), ao lado de Rod Steiger e Claude Brasseur, Il testimone deve tacere (1974, de G. Rosati), La trastienda (1975, de Jorge Grau).

publicado por annualia às 11:29
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Prémios do PEN Clube Português

Poesia 
Manuel Gusmão, A Terceira Mão (Caminho).

Poeta, ensaísta e crítico (n. Évora, 11.12.1945) «A poesia de Manuel Gusmão é elaborada e despojada, fruto de um demorado e alquímico processo quer de selecção quer de condensação (sintáctica, vocabular, intertextual, gráfica), ao mesmo tempo obsessional e reflectido, onde sobressai a tensão/fusão da ordem da razão e das coisas, com a ordem, talvez mais privada, da intensidade, da «chama».
Margarida Vieira Mendes em Biblos-Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa

 

Ficção
Maria Velho da Costa,  Myra (Assírio e Alvim).

 

Escritora portuguesa (n. Lisboa, 1938). Pioneira de um certo libertarismo de feição feminista, ficou-lhe, no plano literário, a conotação da «escrita feminina». Escreveu M. Helena Ribeiro da Cunha que esta não é «arrancada de uma marca ideológica masculina, mas criadora de um universo que, aos poucos, se define como próprio e independente. Nesse aspecto, não percorre sem drama o caminho angustiado de uma luta com a linguagem no sentido de fugir ao estigma da ‘sensibilidade’ e imprimir uma função redentora à sua escrita». (em Biblos-Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa). Escritora aberta ao experimentalismo, é profunda conhecedora das técnicas narrativas e delas faz uso pleno. Os seus romances são de gestação lenta e elaboração cuidada, como se pode ver até no ritmo cronológico do seu aparecimento, o que evidencia um aturado trabalho sobre a linguagem: Maina Mendes (1969), Casas Pardas (1977), Da Rosa Fixa (1978), Lucialima (1983), O Mapa-de-Rosa (1984), Missa in Albis (1988), Dores (1994).
 

Ensaio
Frederico Lourenço, Novos Ensaios Helénicos e Alemães (Cotovia)
Isabel Cristina Pinto Mateus Kodakização e Despolarização do real – Para Uma Poética do Grotesco na Obra de Fialho de Almeida (Caminho).

 

 


 

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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Viagem no tempo

 

 

Open publication - Free publishing - More portugal
 
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Rentrée littéraire

A «rentrée littéraire» dos franceses: romance e ensaio.

publicado por annualia às 11:26
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Prémio Leya 2009/ João Paulo Borges Coelho

O Prémio Leya 2009 foi atribuído ao romance O Olho de Hertzog, do escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho.
Ver notícia aqui.

Ler mais sobre o autor aqui.

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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

... na verdadeira generosidade se encontra a chave de todas as outras virtudes...


Afinal, o que é, para Descartes, a vida boa, também chamada vida feliz? Impõe-se distinguir aqui o que constitui a energia imediata e íntima desta felicidade, ou antes, da «beatitude natural» [à Élisabeth, 4 de Agosto de 1645, AT, IV, 267, 24], e o que pode servir, a título de circunstância exterior, para a diversificar ou, em certo modo, para lhe reforçar o desfrutamento. Para o primeiro factor, a definição cartesiana, depois de algumas variações significativas, fixou-se neste ponto: não podendo a «beatitude natural» consistir senão num perfeito contentamento de espírito, ou, por outras palavras,
numa perfeita satisfação interior, o princípio só pode encontrar-se no uso mesmo das nossas faculdades, particularmente no da vontade ou do livre-arbítrio, que se estende a todas as outras. Com efeito, nada nos poderá dar uma tal satisfação, senão a consciência de ter agido em cada circunstância da melhor forma ao nosso alcance; e nada nos pode conduzir mais seguramente do que a firme e constante resolução de buscar, executar e, portanto, atingir em cada caso uma tal optimização. Esta resolução caracteriza a «verdadeira generosidade» [Passions, art. 153] onde se encontra «a chave de todas as outras virtudes» [art. 161]. Quanto às circunstâncias exteriores, que «dependem da fortuna», não se trata de lhes retirar qualquer importância, ou de as reduzir a «ocasiões de virtudes». O caso é que «um homem bem-nascido», que não é doente, a quem nada falta e que, desse modo, é tão sábio e virtuoso como um outro que é pobre, enfermiço e disforme, pode gozar de um contentamento mais perfeito que ele» [à Élisabeth, 4 de Agosto de 1645, AT, IV, 264]. Mas isto não impede, acrescenta Descartes, que «os mais pobres e os mais desgraçados da fortuna ou da natureza possam viver inteiramente contentes e satisfeitos»: porque os desejos de que depende tal satisfação podem também eles ser regulados ou re-orientados para «coisas que dependem de nós» [Passions, art. 144], de tal maneira que estas circunstâncias exteriores se encontram remetidas às suas contingências.

 

Denis Kambouchner, «Descartes (1596-1650): felicidade e utilidade», História Crítica da Filosofia Moral e Política.

 
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Prémio Nobel da Economia 2009

Nobel Prize® medal - registered trademark of the Nobel Foundation
Elinor Ostrom demonstrou como a propriedade comum pode ser gerida com êxito por associações de utilizadores. Oliver Williamsom desenvolveu uma teoria em que as empresas servem como estruturas de resolução de conflitos. Ao longo das últimas três décadas, estes contributos seminais colocaram a investigação sobre a governança económica no centro da atenção dos cientistas.

As transacções económicas têm lugar não só nos mercados, mas também no interior das empresas, das associações, das famílias e das agências. Enquanto a teoria económica tem feito luz, de forma abrangente, sobre as virtudes e as limitações dos mercados, tem prestado menos atenção para outras combinações institucionais. A investigação de ElinorOstrom e de Oliver Williamson demonstrou que a análise económica que a análise económica pode lançar luz sobre a maior parte das formas de organização social.

Elinor Ostrom desafiou a convicção convencional de que a propriedade comum é mal gerida e dever ser regulada pelas autoridades centrais ou privatizada. Baseada em numerosos estudos sobre stocks de peixe, pastagens, florestas, lagos e bacias hidrográficas geridas pelos utilizadores, Ostrom conclui que os resultados são, frequentemente, melhores do que os previstos pelas teorias standard. Ela observa que os utilizadores de recursos desenvolvem, muitas vezes, mecanismos sofisticados para a tomada de decisões e o cumprimento das regras com vista à gestão dos conflitos de interesses, e caracteriza as regras que promovem bons resultados.

Oliver Williamson tem demonstrado que os mercados e as organizações hierarquizadas, como as empresas, representam estruturas de governância alternativas, apresentam cujas abordagens à resolução de conflitos são diferentes.

O inconveniente dos mercados é que eles muitas vezes dão origem ao regateio e ao desacordo. O inconveniente das empresas é que pode verificar-se abuso de autoridade, a qual tende a enfraquecer a contenção. Os mercados competitivos funcionam relativamente bem, dado que quem compra e quem vende pode virar-se para outros parceiros de negócio, em caso de discordância. Mas quando a competição no mercado é limitada, as empresas estão melhor equipadas para resolver os conflitos. Uma previsão essencial da teoria de Williamson, a qual tem sido demonstrada empiricamente, é que a propensão dos agentes económicos para fazerem as suas transacções dentro dos limites de uma empresa aumenta com aspectos específicos de relacionamento apresentados pelos seus activos.

publicado por annualia às 13:42
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