O antropólogo brasileiro João Biehl, professor associado da Universidade de Princeton, ganhou o Prémio Margaret Mead 2007, uma das mais prestigiosas distinções atribuídas a livros de antropologia, resultante da colaboração entre a American Anthropological Association e a Society for Applied Anthropology. O livro de João Biehl, já anteriormente premiado, tem como título Vita: Life in a Zone of Social Abandonment e foi publicado em 2005 pela University of California Press.
O livro de Biehl conta a história de Catarina, uma jovem brasileira internada em Vita, uma asilo para doentes mentais e pobres. Devido a uma doença neurodegenerativa mal diagnosticada, Catarina fica paralisada, é considerada louca e abandonada pela família. Biehl estuda as circunstâncias da doença de Catarina para expor à luz do dia as forças económicas, médicas, políticas e familiares pelas quais Vita e outras instituições de último recurso, pobres e desgovernadas, proliferaram no Brasil. Biehl é também autor de Will to Live: AIDS Therapies and the Politics of Survival. (Fonte: News@Princeton).
A área primordial de interesse da investigação de João Biehl é a da antropologia médica, dos estudos sociais de ciência e tecnologia e das sociedades latino-americanas. A sua pesquisa actual examina o uso generalizado de medicamentos de efeitos psíquicos nos bairros pobres do Brasil, a distribuição e adesão a tratamentos anti-retrovirais em contextos de ausência de recursos e de como o meio e a história de vida influenciam a expressão patogénica de genes.
Biehl é doutorado em Antropologia pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, e doutorado em religião pela Graduate Theological Union. Foi National Institute of Mental Health Postdoctoral Fellow na Universidade de Harvard (1998-2000); membro da School of Social Science do Institute for Advanced Study, Princeton (2002-2003); e professor visitante na École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris (2004).