Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Colectâneas de contos no catálogo da Ulisseia


 

publicado por annualia às 10:32
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Colectâneas de contos na Biblioteca Ulisseia de Autores Portugueses


 

publicado por annualia às 10:30
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Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

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Ao que parece, não existe hoje um público leitor/comprador de livros de contos. Sendo assim, também não há quem os publique. Provavelmente, também não há quem os escreva. Imagino várias razões para que isto aconteça, mas uma surge com particular evidência: o conto é uma arte difícil. Porquê? Porque é mais «fácil» escrever um romance do que uma história breve. Pondo o dedo na ferida: é mais fácil (e mais rápido) escrever muito do que escrever pouco.

O conto exige uma dupla contenção. Em primeiro lugar, na arquitectura da história, desbastada do que não seja essencial para situar, desenvolver apenas na justa medida para tirar um determinado efeito: poético, absurdo, enigmático, exemplar, o que for. Em segundo lugar, a contenção da escrita. Tudo tem de ser dado de uma forma concentrada, encontrando na personagem e na paisagem um traço essencial mas suficiente para estabelecer um contrato de cumplicidade com o leitor. É que a arte do conto é exigente, tanto para quem escreve como para quem lê. Dá trabalho a ambas as partes.
Atribui-se a Drummond a frase «escrever é a arte de cortar palavras», certeira formulação de um lema que não é propriamente novo. Já Boileau tinha escrito: «Si j'écris quatre mots, j'en effacerai trois». Eis um procedimento que reclama tempo e meditação. 
As colectâneas de contos, tão frequentes noutro tempo, quase desapareceram por completo. Praticamente todos os grandes romancistas escreveram contos, depois coligidos ou antologiados, exercitando assim um género que está para a grande narrativa como o desenho está para a pintura. E sabemos todos como pintam os artistas que não sabem desenhar. 
Seria fastidioso, porque todas as listas são fastidiosas, enumerar os grandes contos ou os grandes contistas da literatura universal, nem sei se é ainda possível descobrir na feira do livro muitas das velhas ou não tão velhas antologias. De qualquer maneira, é certamente possível redescobrir os mestres contadores de língua portuguesa (Machado de Assis, Trindade Coelho, Torga, João de Araújo Correia e muitos outros que injustamente aqui não cabem), até porque algumas das suas colectâneas são obras fundamentais, como a Léah de José Rodrigues Miguéis, O Fogo e as Cinzas de Manuel da Fonseca, as Histórias Castelhanas de Domingos Monteiro, de novo apenas para referir uns poucos. 
Escrevia há pouco tempo Alberto Manguel que «por absurdas razões comerciais, as editoras decretaram que os contos não se vendem», acrescentando, porém, que, apesar disso, eles continuariam a ser escritos e lidos «talvez porque, na sua precisão clássica e modesta, permitem que concebamos a insuportável complexidade do mundo como uma íntima e breve epifania.»

 

 

Jorge Colaço

 

 
publicado por annualia às 14:26
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Prémios de Edição LER | Booktailors

Revelação dos vencedores dos Prémios de Edição LER | Booktailors aqui,  aqui e também na edição de Maio da revista LER.

 

 

publicado por annualia às 12:07
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Vasco Granja (1925-2009)

 

Divulgador de banda desenhada e do cinema de animação em Portugal (Lisboa, 10.7.1925 – Cascais, 4.5.2009). Ver biografia no Público.

 

publicado por annualia às 11:15
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Augusto Boal (1931-2009)

 

Dramaturgo e encenador brasileiro (Rio de Janeiro, 16.3.1931 – ibid., 2.5.2009) que se distinguiu na direcção (1956-1971) do Teatro de Arena de São Paulo. Durante o período da ditadura militar esteve exilado, orientando grupos de teatro na América (Buenos Aires, Nova Iorque) e na Europa (Lisboa, Paris). Foi um renovador do teatro brasileiro, mas também um inovador de técnicas de representação e montagem teatral. O seu teatro revela o seu empenhamento político e social (o teatro do oprimido) e, segundo Vânia Chaves (em Biblos–Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa), é influenciado por Piscator, combinando os métodos de Stanislawski e de Brecht. Em Março último, fora nomeado pela Unesco Embaixador Mundial do Teatro.
Entre os numerosos títulos que constituem a sua bibliografia, referem-se José, do Parto à Sepultura (1960), Tempo de Guerra (1965), Arena Conta Zumbi (1965), Arena Conta Tiradentes (1967), A Lua Muito Pequena (1968), Arena Conta Bolívar (1970), Teatro do Oprimido e Outras Poéticas Políticas (1975), Técnicas Latino-Americanas de Teatro Popular (1976), 200 Exercícios e Jogos para o Ator e não Ator com Vontade de Dizer Algo através do Teatro (1977).

publicado por annualia às 11:14
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Hoje

 
«Fiz este álbum para mostrar aos meus sobrinhos alguma coisa da vida e do mundo dos seus avós Margarida e Vasco, com quem eles não tiveram oportunidade de conviver. Eu, que tive a sorte de conhecer bem os meus avós, queria falar-lhes dos seus, e também doutras pessoas muito queridas, parentes e amigos sem os quais o retrato da nossa família ficaria muito incompleto.

Vasco teve um percurso ascendente e chegou mesmo a ser uma figura pública na última década da sua vida, enquanto Margarida fez o percurso inverso, mas eu desejava retratar os dois. E apesar de ter consciência de que a história se construiria em torno da figura dele, em virtude da sua carreira e do ‘exotismo’ da vida diplomática, os arquivos de ambos completavam-se. Ela conservou um espólio fotográfico e documental considerável, escreveu "Livros de Bebé" para os três filhos e publicou dois livros de poesia.
Ele conservou toda a sua correspondência pessoal e um arquivo completo da sua vida profissional. O que mais me atraía no espólio dos meus pais eram as fotografias e a variedade dos materiais: álbuns, cadernos de notas, manuscritos, desenhos, recortes de imprensa, revistas, folhetos, postais, convites, cartões, e uma quantidade doutras recordações que me comovem, porque convocam não só aqueles que amámos como quase desconhecidos a quem estamos ligados por fios mais ou menos visíveis.
Tudo isso, tão cuidadosamente conservado não apenas pelos meus pais mas por sucessivas gerações, permitia contar uma história, e em parte a minha história, naturalmente.»
                                 Vera Futscher Pereira, «Introdução» de Retrovisor

 

 Vera Futscher Pereira nasceu em 1953, em Léopoldville (Kinshasa). Passou uma parte da infância em São Francisco e um período da adolescência em Madrid. Após concluir o Curso de Formação Artística (1974), na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa e um estágio (1975) no Centre de Formation de Journalistes, em Paris, começou a trabalhar como tradutora no Jornal Novo (1976). Foi jornalista nas agências noticiosas ANOP e NP (1977-1984) e Relações Públicas na Cinemateca Portuguesa (1983-1986). Desde 1986, exerce a profissão de intérprete de conferência, após completar um estágio de formação organizado pelo Parlamento Europeu, na École de Traduction et d'Interprétation da Universidade de Genebra. Foi sócia fundadora das empresas "Cliché, Lda" (1980-1985) e "GIIC, Lda" (1990-2006). Trabalha como intérprete e tradutora em regime de freelance desde 1987. É autora do blog Retrovisor.


O embaixador Vasco Futscher Pereira (1922-1984), licenciado em Histórico-Filosóficas, entrou na carreira diplomática em 1947. Prestou serviço em Rabat, Leopoldville (hoje Kinshasa), Karachi, Madrid e Bona. Embaixador no Malawi (1969-1972), na Alemanha (1973-1974) e no Brasil (1974-1977). Ocupou posteriormente o lugar de representante permanente nas Nações Unidas. Foi Ministro dos Negócios Estrangeiros do VIII Governo Constitucional (1981-1983),

 

 

 

publicado por annualia às 09:57
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Sábado, 2 de Maio de 2009

António Telmo

O autor da História Secreta de Portugal, irmão do pensador Orlando Vitorino e último representante vivo do chamado grupo de Filosofia Portuguesa, de que fizeram parte Álvaro Ribeiro, José Marinho, Eudoro de Sousa, Agostinho da Silva e outros, faz hoje 82 anos (n. Almeida, 2.5.1927).

Ver mais aqui.

 

 

publicado por annualia às 00:26
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Sexta-feira, 1 de Maio de 2009

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Ontem, primeiro dia da feira do livro, uma jovem que viajava no mesmo autocarro em que eu seguia, manifestava ao telefone a sua imensa felicidade por ter acabado de enviar o seu primeiro romance a um concurso (de romances, imagino). O entusiasmo da jovem, que não teria mais de vinte e um ou vinte e dois anos, era visível, apesar de contido nos limites de uma aparente serenidade. Percebia-se que era estudante universitária, por razões que não vêm ao caso explicar, mas que se prendem com o facto de as pessoas, e não apenas os jovens, falarem hoje publicamente ao telefone sem pudor de imporem a sua intimidade a quem, por mero acaso, as rodeie. A emoção do nome impresso, e a projecção nele de toda uma família de expectativas, transparecia de forma tocante na voz e na expressão da rapariga, que acrescentou, como quem tira um dia ao calendário das ambições, só lhe faltar agora plantar um árvore e fazer um filho. Infelizmente, o interlocutor não reconheceu o lugar-comum.
Pouco depois, num primeiro passeio pela feira, ainda meio aberta, meio fechada, pensei, à medida que os meus olhos se abismavam no prodigioso espectáculo a que a ficção hoje se entrega, em que língua teria escrito a jovem do autocarro o seu romance. Não me entendam mal, ela certamente usou a língua materna. Mas que parte dela?
A língua é uma pátria longínqua. Perdida na sua própria grandeza, estreitou-se. A vigorosa variedade vernacular cedeu às pressões do uso comum, da preguiça comum, da ignorância comum e do comum descaso. E, neste minguado território, quase se perdeu a noção de que, para se escrever bem, não basta arrumar ordeiramente as palavras nas frases.
Lembrei-me, depois, de uma observação de Paul Morand num prefácio às Lettres Persanes, deMontesquieu: «un vrai roman s’écrit avec ce qui nous manque, avec ce qui nous fait souffrir». Se isto é verdade (e o comentário não se dirige à jovem do autocarro, a quem desejo êxito), são cada vez mais raros os verdadeiros romancistas.


Jorge Colaço

publicado por annualia às 12:55
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