Domingo, 3 de Fevereiro de 2008

Vida de Machado de Assis - III

por Josué Montello*

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Em 1859, Paula Brito começou a editar uma nova revista de literatura, modas, indústria e artes, O Espelho, sob a direcção de F. Eleutério de Sousa. Ali vamos encontrar Machado de Assis já deixando transparecer os primeiros sinais da gravidade do seu espírito: como crítico de teatro. Tem vinte anos, mas já é crítico de ideias. A adaptação de alguns episódios dos Mistérios de Paris, de Eugène Sue, Pipelet, em forma de ópera, com música de Ferrari e poema de Machado de Assis, levada à cena em 1859, se foi a estreia do escritor diante do público, não era, no teatro, o seu primeiro trabalho. Este parece ter sido A Ópera das Janelas, de 1857, e de que apenas se tem notícia.

Em 1861, Machado de Assis estreia em livro com Desencantos, fantasia dramática, dedicada a seu amigo Quintino Bocaiuva. Dois anos depois, reúne, sob o título de Teatro de Machado de Assis, vol. I, duas comédias em um acto, O Caminho da Porta e O Protocolo. Levadas à cena ambas as comédias, mereceram elas a aprovação da crítica. Teriam merecido a aprovação do público? Parece que sim, e o próprio comediógrafo nos dá notícia disto.

Aos poucos ia ela adestrando a pena em outras experiências. Já era então o cronista, o crítico de teatro, o teatrólogo e o poeta. Este útimo vai apresentar-se em 1864 na unidade de um volume, as Crisálidas.

A publicação em Abril de 1865, no Jornal das Famílias, de um conto de Machado de Assis, Confissões de uma Viúva Moça, suscitando polémica em torno da moralidade da narrativa. chama também a atenção do público para uma das facetas do talento de seu autor; a do contista, que se irá aos poucos aprimorando, até lhe dar uma posição de indiscutível preeminência entre os mestres da novela curta em língua portuguesa.

Já Machado de Assis havia também feito o seu primeiro ensaio de crítica literária, publicando em 1858, na imprensa, um estudo sobre «O passado, o presente e o futuro da literatura». A propósito, comenta Lúcia Miguel Pereira: «É realmente notável sob muitos aspectos esse trabalho de um jovem de 19 anos que encarava a literatura como um meio de fixação da nacionalidade, reclamando contra a escravização aos cânones portugueses, condenando o indianismo, porque a poesia indígena, bárbara, a poesia do boré e do tupã não é poesia nacional.»

O tirocínio da colaboração de jornal, a que se vê obrigado tanto pelo pendor da vocação quanto pela necessidade de ganhar a vida, há-de ter contribuído, em Machado de Assis, mal saído da adolescência, para a graça e a singeleza do seu estilo -- sem os excessos de atavios que a prosa romântica havia estimulado. Por outro lado a crónica dos acontecimentos de cada dia, a que é atraído nessa fase, leva-o a se identificar com o seu tempo e o seu meio, na graça dos comentários com que vai recompondo a vida quotidiana no espelho de suas crónicas. No Diário do Rio de Janeiro, que volta a circular por volta de 1860, com Quintino Bocaiuva como seu redactor chefe, Machado de Assis abre à sua pena de cronista o caminho de uma nova experiência, como redactor da resenha dos trabalhos do Senado. E como por onde andava fazia amigos, soube fazê-los também aí, entre colegas de ofício e ainda entre políticos influentes. Dali guardaria reminiscências indeléveis, entre as quais sobrelevam as que iriam compor a crónica «O Velho Senado», de suas Páginas Recolhidas.

Do prestígio que angariara com as suas letras, a sua correcção e as suas amizades, o melhor testemunho é o grau de Cavaleiro da Ordem da Rosa, com que é agraciado em 1867 pelo Governo Imperial. Nesse mesmo ano, vê-se nomeado ajudante do director do Diário Oficial, o que significava, no serviço público, um bom começo, e ainda um princípio de estabilidade, pois o jovem deixava de viver ao sabor do dia-a-dia, como colaborador de jornal: tinha o seu emprego no serviço público, podia pensar em ter sua casa, em constituir o seu lar. (continua)

 

* Publicado em Gigantes da Literatura Universal, vol. 26, Verbo, Lisboa/São Paulo, 1972.

 

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Sábado, 2 de Fevereiro de 2008

....e tudo se acabar na quarta-feira

«A Felicidade», de Tom Jobim e Vinicius de Moraes
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Carnaval de Veneza

publicado por annualia às 11:18
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Carnaval

O nome Carnaval deriva de carne vale, «adeus, carne!». A expressão, que designa os folguedos que durante três dias antecedem o começo da Quaresma, em Quarta-Feira de Cinzas, proveio da abstinência da carne, característica, durante séculos, do tempo quaresmal. À quadra carnavalesca dá-se também, em Portugal, o nome de Entrudo (designa, mais propriamente, a terça-feira, por ser a entrada — introitus — para a Quaresma). O cristianismo somente conseguiu impor-lhe uma data limite: o começo da Quaresma.
A festa profana com cortejos, máscaras e caraças, remonta a origens longínquas. Liga-se aos ritos do final do Inverno, que serviam para estimular a fecundidade da Natureza e provocar o regresso do Sol, prisioneiro durante vários meses. As licenciosidades e as máscaras serviam para expulsar os espíritos malfazejos, e a execução de um boneco recordava os primitivos sacrifícios, em que se imolava um animal. Estas mesmas crenças estão na origem das festas romanas: Bacanais, Saturnais e Lupercais, que se celebravam na mesma estação. O cristianismo modificou o primitivo significado destes festejos, mas viu-se obrigado a tolerar-lhes alguns aspectos grosseiros ou equívocos. No fim do século XVI foram perdendo a importância, excepto em Itália, onde o Carnaval de Veneza manteve todo o seu brilho até ao século XIX, embora hoje ainda se realize: fogo-de-artifício, jogos de circo e mascaradas em que se misturavam todas as classes sociais. Hoje, o carnaval mais famoso é o do Rio de Janeiro: durante vários dias a população corre pelas ruas a cantar e a dançar. Realizam-se carnavais mais modestos em Nice, Itália, Países Baixos, Portugal e na Bélgica. Por todo o lado se mantém o costume de mascarar as crianças.
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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

Mataram o rei D. Carlos há 100 anos

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ensaio de Rui Ramos sobre «O Regicídio e o fim da monarquia» 

em ANNUALIA 2007-2008,

à venda nas livrarias ou em www.editorialverbo.pt .

 

 

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