Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007

Datas perdidas

No dia 19 de Dezembro de 1688, Guilherme III de Nassau entrou em Londres, vindo a tornar-se rei de Inglaterra, da Escócia e da Irlanda.

Photograph:William and Mary, portrait possibly celebrating their coronation in 1689 as King William III and Queen Mary II, from the Guild Book of the Barber Surgeons of York.

Guilherme III (Haia, 1650 - Londres, 1702) era filho de Guilherme II, stathouder das Províncias Unidas, a quem sucedeu no cargo em 1672, quando Luís XIV invadiu a Holanda. Resistiu heroicamente, obtendo uma paz honrosa em Nimègue (1678). Em 1677 casara com Maria de Inglaterra, sua prima e filha do futuro Jaime II. Consagrou desde então toda a sua energia a organizar a luta da Europa contra Luís XIV.

Quando Jaime II se aliou à França, Guilherme desembarcou em Inglaterra (1688) e destronou-o, com o apoio popular. Em 1689, Guilherme III e Maria II são proclamados conjuntamente rei e rainha de Inglaterra. Depois de submeter a Irlanda católica (Batalha de Boyne e cerco de Londonderry, 1690), entrou na coligação contra a França, desencadeada a Guerra do Palatinado, e vence em La Hougue (1692). Derrotado em Steinkerque (1692) e Newinde (1693), consegue, entretanto, pela paz de Ryswick (1697), que Luís XIV o reconheça como rei da Inglaterra, assegurando a sucessão ao trono de um príncipe protestante pelo «Acto de Estabelecimento» (1701).

Porém, Luís XIV reconheceu Jaime III rei de Inglaterra e recomeçou a guerra (1702). Continuando a ser stathouder das Províncias Unidas, mal adaptado aos costumes ingleses e bastante impopular devido aos pesados impostos que lançou para sustentar a guerra, Guilherme veio a morrer na sequência da queda de um cavalo quando acabava de formar contra a França a «Grande Aliança», originada na crise da sucessão ao trono da Espanha, ocupado pelo débil Carlos II.

 Guilherme III, representado numa estátua

do Palácio de Kensignton

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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007

História de Portugal, de António Leite da Costa

O blog da Annualia aconselha a História de Portugal, de António Leite da Costa, uma obra concebida para um público juvenil, agora completada com a publicação do terceiro volume. Uma óptima prenda de Natal.
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música: história, portugal,
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Sábado, 15 de Dezembro de 2007

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Annualia 2007-2008 bem como os volumes anteriores encontram-se à venda na recentemente inaugurada Livraria Byblos, às Amoreiras, em Lisboa.

Procure-a na secção de Enciclopédias.

Lá encontrará também a totalidade dos volumes da monumental edição da Enciclopédia Verbo-Edição Século XXI.

publicado por annualia às 15:58
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Oscar Niemeyer: o arquitecto faz 100 anos

1907 Nasce no Rio de Janeiro, a 15 de Dezembro. 1922 Matricula-se no Colégio dos Barnabitas Santo Antônio Maria Zaccaria. 1934 Obtém o diploma de engenheiro arquitecto no Rio de Janeiro. 1935 Inicia vida profissional no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão. 1936 No escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão participa da equipe do projecto do Ministério da Educação e Saúde. Conhece Le Corbusier e Gustavo Capanema. 1937 Projecta a Obra do Berço, no Rio de Janeiro. 1939 Viaja com Lúcio Costa para projectar o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova Iorque. 1940 Conhece o prefeito de Belo Horizonte Juscelino Kubitschek, que o convida a projectar o Conjunto da Pampulha. 1945 Ingressa no Partido Comunista Brasileiro. 1946 Convidado a dar um curso na Universidade de Yale, nos EUA, tem seu visto de entrada cancelado. 1950 É publicado nos EUA o livro The Work of Oscar Niemeyer, de Stamo Papadaki. 1951 Projeta os conjuntos Ibirapuera e COPAN, em São Paulo. 1952 Projecta a sua residência na Estrada das Canoas, no Rio de Janeiro. 1954 Viaja pela primeira vez à Europa, quando participa do projecto para reconstrução de Berlim. 1955 Funda a revista Módulo, no Rio de Janeiro. Assume chefia do Departamento de Arquitectura e Urbanismo da NOVACAP, encarregada da construção de Brasília. 1957- 1958 Projecta o Palácio da Alvorada em Brasília e os principais prédios da Nova Capital. 1961 Publica Minha experiência em Brasília. 1962 É nomeado coordenador da Escola de Arquitectura da recém criada UnB. Viaja ao Líbano para projectar a Feira Internacional e Permanente. 1963 É nomeado membro honorário do Instituto Americano de Arquitectos dos Estados Unidos. 1964 Viajando a trabalho para Israel, é surpreendido pela notícia do golpe militar no Brasil. Retorna ao país em Novembro, quando é chamado pelo DOPS para depor. 1965 Retira-se da Universidade de Brasília com mais 200 professores, em protesto contra a política universitária. Viaja à Paris para a exposição de sua obra no Museu do Louvre. 1966 Publica o livro Quase memórias: Viagens. 1967 Impedido de trabalhar no Brasil, decide se instalar em Paris. 1968 Projecta a sede da Editora Mondadori, em Itália, e desenvolve diversos projectos para a Argélia. 1969 Na Argélia, projecta a Universidade de Constantine. 1970 Em protesto contra a guerra do Vietname, desliga-se da Academia Americana de Artes e Ciências. 1972-1973 Em Paris, abre seu escritório nos Champs Elysées. Acompanha a exposição sobre sua obra na Europa. 1975 Projecta a sede da Fata Engeneering na Itália. A revista Módulo volta a ser publicada. 1983 Retrospectiva de sua obra, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. 1985 Volta a desenvolver projectos para Brasília. 1987-1988. Recebe o Prémio Pritzker de Arquitetura, dos Estados Unidos. Projecta o Memorial da América Latina em São Paulo. 1990 Junto com Luiz Carlos Prestes, desliga-se do Partido Comunista Brasileiro. 1991 Projecta o Museu de Arte Contemporânea de Niterói. 1993 Publica Conversa de Arquiteto. 1994 Projecta o Museu O Homem e seu Universo, em Brasília, e a Torre da Embratel, no Rio de Janeiro. 1995 Projecta o Monumento em Comemoração ao Centenário de Belo Horizonte. Recebe os títulos de Doutor Honoris Causa das Universidades de São Paulo e de Minas Gerais. 1996 Projecta o Monumento Eldorado Memória, doado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra. Recebe o Prêmio Leão de Ouro da Bienal de Veneza por ocasião da VI Mostra Internacional de Arquitetura. 1997 Em homenagem ao seu aniversário, realizam-se diversas mostras no Brasil. Inicia os estudos para o Caminho Niemeyer, Niterói, no Rio de Janeiro; o Museu de Arte Moderna de Brasília; a sede da empresa TECNET - Tecnologia e o Paço Municipal de Americana, em São Paulo, e o Centro de Convenções do Riocentro, na cidade do Rio de Janeiro. 1998 No Pavilhão Manoel da Nóbrega - Parque do Ibirapuera, em São Paulo, é realizada a exposição retrospectiva sobre sua obra Oscar Niemeyer 90 Anos. Recebe a Royal Gold Medal do Royal Institute of British Architects - RIBA. Inicia os estudos para os projectos do Centro Cultural de Santa Helena, no Paraná, o Complexo arquitectónico Memorial e Palácio Legislativo Ulysses Guimarães, em Rio Claro e a Escola de Música Guiomar Novaes, em São João da Boavista, em São Paulo, o Memorial Darcy Ribeiro no Sambódromo, no Rio de Janeiro, o Memorial Maria Aragão, em São Luis do Maranhão, o Monumento Marco de Touros, o Presépio de Natal, em Natal, no Rio Grande do Norte, o Complexo Arquitectónico Memorial e Palácio Legislativo Ulysses Guimarães, em Rio Claro, São Paulo, o Memorial Carlos Drummond de Andrade, em Itabira, Minas Gerais, e o Memorial Paranaense da Coluna Prestes, em Santa Helena, Paraná. 1999 Projecta, entre outros, o novo Teatro no Parque do Ibirapuera em São Paulo, o Sector Cultural de Brasília, o Centro Administrativo de Betim, em Minas Gerais, além do Monumento Comemorativo aos 500 Anos do Descobrimento do Brasil em São Vicente, São Paulo. Realizam-se as seguintes exposições: no Museu de Arte Contemporânea de Niterói a exposição Escultura de Oscar Niemeyer; no Riocentro, Rio de Janeiro, a exposição Oscar Niemeyer 90 Anos, a qual segue depois para Buenos Aires, Argentina e Brasília. 2000 Projecta o Módulo Educação Integrada - MEI, creches populares incorporadas aos Centros Integrados de Educação Pública - CIEPs; o Centro Administrativo de Goiânia, o Memorial Cassiano Ricardo em São José dos Campos, SP, além da Sede da UNE na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, o auditório em Ravello, na Itália, o Jardim Botânico em Petrópolis e o Centro Cultural e Desportivo João Saldanha, em Maricá, ambos no estado do Rio de Janeiro.
No Rio de Janeiro é lançado, o documentário Oscar Niemeyer um arquitecto engajado em seu século, do cineasta belga Marc-Henri Wajnberg. 2001 Projecta a Residência em Oslo, Noruega, o Acqua City Palace Moscovo, Rússia, o Auditório e Salão de Exposições da Faculdade Cândido Mendes, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. O anexo do hotel Copacabana Palace no Rio de Janeiro, o Centro de Memória do DOI-CODI, em São Paulo e o Museu do Cinema, em Niterói, Rio de Janeiro, o Museu Arte, Arquitectura, Cidade, em Curitiba, Paraná, e o Hospital Veterinário da Universidade do Norte Fluminense - UENF, em Campos, Rio de Janeiro.
Recebe a Medalha da Ordem da Solidariedade do Conselho de Estado da República de Cuba, a Medalha do Mérito Darcy Ribeiro do Conselho Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro, o Prémio UNESCO 2001, na categoria Cultura e os títulos de Grande Oficial da Ordem do Mérito Docente e Cultural Gabriela Mistral, do Ministério da Educação do Chile e de Arquitecto do Século XX, do Conselho Superior do Instituto de Arquitectos do Brasil. Realiza-se a exposição Oscar Niemeyer 90 anos, no Pavilhão de Portugal do Parque das Nações em Lisboa, Portugal. 2002 Projecta o Centro Cultural e Desportivo da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Realiza-se a exposição Oscar Niemeyer 90 anos, na Galerie Nationale du Jeu de Paume em Paris, França. (Fonte: Fundação Óscar Niemeyer: www.niemeyer.org.br )
 
 
Documentário: Niemeyer - o traço e o tempo
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Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007

Prémio Pessoa 2007

A historiadora Irene Flunser Pimentel é a vencedora do Prémio Pessoa 2007.
Irene Pimentel licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, em 1984, e é actualmente investigadora na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

É autora de uma vasta obra, entre a qual "História das Organizações Femininas do Estado Novo", da fotobiografia de Manuel Gonçalves Cerejeira, da fotobiografia de José Afonso e da obra "A PIDE/DGS, 1945-1974". (Fonte: Público)


     



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Ike Turner (1931-2007)

Músico e cantor de rock 'n roll (Mississipi, 5.11.1931 - San Marcos, Califórnia, 12.12.2007) que alcançou enorme êxito ao lado de Tina Turner, num duo que ficou célebre: «Ike and Tina Turner».

Separados em 1976, Ike continuou a trabalhar como músico (guitarrista e pianista), compositor e produtor, mas só conseguiu voltar à ribalta em 2001 com o álbum Here and Now. Este ano o seu disco Risin' With the Blues foi distinguido com um prémio Grammy para o melhor álbum tradicional de blues.

 

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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007

Fernanda Botelho (1926-2007)

Escritora portuguesa (Porto, 1926 - Lisboa, 11.12.2007). Começou por publicar poesia na revista Távola Redonda, vindo a dedicar-se depois à ficção romanesca, por exemplo com o romance Lourenço é Nome de Jogral (1971). Prosadora original e subtil, boa conhecedora da matéria-prima das suas obras, preocupou-se com os aspectos formais sem que estes espartilhassem a narrativa. O seu lirismo é contido mas expressivo. Depois de alguns anos sem publicar, em 1998 reapareceu com o romance Esta Noite Sonhei com Brueghel (1987) que logo venceu o Prémio da Crítica. Foi também distinguida com o Grande Prémio de Romance da APE com o romance As contadoras de histórias (1998).

Outras obras: As Coordenadas Líricas (poesia, 1951); O Enigma das Sete Alíneas (1953), O Ângulo Raso (1957), Calendário Privado (1958), A Gata e a Fábula (1960, prémio Camilo Castelo Branco), Xerazade e os Outros (1964), Terra Sem Música: O Livro de Pitch (1969), Festa em Casa de Flores (1990, Prémio Eça de Queirós), Dramaticamente Vestida de Negro (1994), Gritos da Minha Dança (2003).

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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

Homenagem: Gerardo Mello Mourão (1917-2007)

 

Excerto de uma entrevista com Gerardo Mello Mourão, na sua casa da Rua Tonelero, em Copacabana, com a devida vénia à TV Câmara.

Annualia 2007-2008 dedica um texto In Memoriam ao grande poeta brasileiro e antigo deputado federal, autor de Valete de Espadas e A Invenção do Mar, ambos publicados em edição portuguesa em 1976 e 1998 respectivamente.

publicado por annualia às 02:36
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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007

Prémios dos Críticos de Cinema de Los Angeles 2007

Melhor Filme

There Will Be Blood, de Paul Thomas Anderson 

Melhor Realizador

Paul Thomas Anderson, por There Will Be Blood

Melhor Actriz

Marion Cotillard, em La Vie en Rose

Melhor Actor

Daniel Day-Lewis, em There Will Be Blood

Melhor Argumento:

The Savages,  de Tamara Jenkins

Melhor Actriz Secundária

Amy Ryan, em Gone Baby Gone e Before the Devil Knows You’re Dead

Melhor Actor Secundário

Vlad Ivanov, em 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias

Melhor Filme Estrangeiro

4 Meses, 3 Seanas e 2 Dias, de Cristian Mungiu

Melhor Documentário

No End in Sight, de Charles Ferguson

Melhor Design de Produção

Jack Fisk, por There Will Be Blood

Melhor Filme de Animação

Ratatouille e Persepolis, de Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi

Melhor Música

Glen Hansard e Marketa Irglova, por Once

Melhor Fotografia

Janusz Kaminski, por The Diving Bell and the Butterfly

Prémio Nova Geração

Sarah Polley, por Away From Her

Prémio de Carreira

Sidney Lumet

Prémio de Cinema Independente/Experimental

Juventude em Marcha, de Pedro Costa

www.lafca.net

 

 

publicado por annualia às 17:59
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Datas perdidas

Há cem anos, no dia 10 de Dezembro de 1907, Rudyard Kipling escreveu duas cartas, ou uma carta em duas partes, aos filhos: uma antes e outra depois da cerimónia de entrega do Prémio Nobel. Transcreve-se em seguida, com a devida vénia, a segunda dessas cartas.

Esta secção «Datas Perdidas» está aberta a todos os leitores que se dispuserem a colaborar.     

 

 

Grand Hotel,
Stockholm.
Dec 10th 1907

5 p.m. (Still Tuesday: still darker)


Dear People -

I continue my letter from where I stopped it at 3.25 p.m. Well, at that hour came the bridal carriage — Cinderella's glass coach I am going to call it — and Mummy and I and two professors piled in and drove through the dark shiny wet streets where all the lamps were reflected on watery pavements and harbours and canals - so that moving steamers' lights were mixed up with shop lights. Everyone in the streets seemed to be in black and the shops were full of black dresses. We stopped opposite the door of a place that looked like a theatre - with iron inner doors and stone staircases. It was the school of the Academy of Music. We went up stairs, after I had left my had, coat and go-loshes with a door-keeper and came into a room ... It was all bare and white with semi-circles of chairs whose seats tilted up with a spring when you weren't sitting on 'em. Behind the platform about eight feet up were three white plaster busts of three great scientific men. (That is why I can't understand their calling the place the Music-room. Perhaps it was the science lecture room after all.) Only the professors of the Swedish Academy were there - not fifty all told. The galleries were empty. Most of the chairs were empty and there was a general feeling of emptiness all about. You see on account of King Oscar's death all the big public functions were stopped and all the professors were in deep mourning. The four Nobel prize winners sat in four chairs thus: —

Professor Nicholson

from

Chicago who

had found

out things about light

Professor

Buchner,

a German

who had done something scientific

The

Chancellor

of the Swedish

Academy

A French doctor who had

found out things about fever & sleeping

sickness

    JE!



 

 

 

 

 

 

 

*

I felt rather like a bad boy up to be caned. Different professors got up, went to the reading desk on the platform and talked to each man in his own lingo. The American got it in English: the German in German: the Frenchman in French: and me in English. It is an awful thing to sit still and look down your nose while a gentleman who talks English with difficulty pays you long compliments. As each oration was finished the victim got up from his chair, the schoolmaster (I mean the Speaker) came down from the platform and shook hands with him. At the same moment a tall young man with a leather rosette in his buttonhole presented the victim with his diploma and gold medal. You have no notion how difficult it is to shake hands gracefully when one arm is full of a large smooth leather book on top of which is a slippery slidy red leather box - like a huge Tiffany jewel case. Try, with a blotter and the case of my silver key and see what happens. I felt like this:—

[omitido o desenho de RK rodeado por mãos]

playing a 15-30 puzzle! The air seemed full of friendly hands all rushing to clasp mine! I had made a bet with myself that Mummy should be the first person to look at the diploma and play with the medal. So I took them both over to her. The diploma is a beautiful hand-painted book. The medal weighs about half a pound. It is pure gold and represents poetry listening to the voice of music! Never you dare to say I can't sing again. I thought it was a picture of Mowgli listening to a woman playing on a lyre. He has nothing on to boast of but he is sitting on a bath-towel and saying:- "Now where is the rest of my week's wash. I have it all written out." Seriously it is one of the most lovely pieces of work which I have ever seen.

[omitido o desenho da medalha]

That was all the ceremony. It took less than an hour and then we went into another room to get our money. I liked the American professor awfully! He was younger than I but the rest were pretty average old. Then we climbed into Cinderella's coach again and came back to our hotel. That is the full account of all just as it happened. Everybody kept assuring me that if the King had not died the ceremonies would have been four or five hours long and there would have been banquets! I don't want banquets. However a few professors are giving Mummy and me a quiet dinner in this hotel to-night and we dine out to-morrow night with the Secretary of the Academy. He has a white porcelain stove in his house, eight feet high. I saw it when I went to call this morning. After that, on Thursday night unberufen - unberufen - unberufen - we come home - home - home!

The only thing I don't like about this part of the world is the dark. The sun begins here at 9 and stops at 2.30 and as we have had heavy grey skies, rain, mist, and snow ever since we started, you can faintly guess how dark the days are ... Swedish grub is interesting but pickleish. They pickle pretty much everything they catch before it goes bad. And they catch a lot of things. They have eels in jelly and pickled herring and lobster and crabs and raw ham and dried raw salmon - none of which will our Lady Mother let me eat. Isn't it a shame? To-morrow we hope to steal out and do some shoppings together.

Ever your loving
Dad.

publicado por annualia às 16:09
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A liberdade de educação no Sistema Educativo português

por Fernando Adão da Fonseca

Presidente do Fórum para a Liberdade de Educação

(excerto do texto publicado na Annualia 2006-2007)

Fortemente condicionada pelo forte pendor centralizador e burocrático do Estado, a liberdade de educação em Portugal depara-se com quatro principais entraves:

O primeiro, que está na base de todos os outros, é a visão monopolista do Estado na prestação do serviço de educação, que confunde o dever do Estado de garantir os direitos e liberdades, no caso vertente no que respeita ao acesso a um ensino de qualidade, com a prestação propriamente dita do serviço. Como todos os monopólios, há uma acrescida tendência para os objectivos que servem se afastarem das necessidades daqueles que deviam supostamente servir. Sem concorrência – incluindo a concorrência potencial, que impede o comportamento monopolista quando a baixa procura é impeditiva de uma concorrência efectiva – assiste-se ao enfraquecimento, senão mesmo desaparecimento, dos incentivos para a melhoria da qualidade e da diversidade da oferta. Este entrave torna-se especialmente perverso pelo facto de o Estado ser simultaneamente prestador e regulador da oferta educativa, dando origem a conflitos de interesse insanáveis, que potenciam o bloqueamento do sistema e a alienação dos professores.

O segundo entrave é o centralismo burocrático que a organização monopolista do Estado alimenta, que não acredita na deontologia profissional dos professores e desconfia da autonomia das escolas. Assim, insiste-se na colocação centralizada de professores à margem da realidade de cada comunidade educativa, mantém-se a inflexibilidade dos currículos em função das necessidades dos diferentes alunos – impedindo também diversidade dos projectos educativos das escolas – e a autonomia das escolas é vista como uma concessão da administração educativa, sujeita a um processo negocial com esta, e não como inerente à natureza de qualquer escola e condição da dignidade profissional dos seus professores.

O terceiro entrave é a falsa ilusão de igualdade, que leva os poderes públicos a pretenderem responder ao desafio da igualdade de oportunidades (no acesso a uma educação de qualidade) com um sistema monolítico, incapaz de oferecer abordagens de ensino que sirvam diferentemente as necessidades diferentes de diferentes alunos. Ora, debaixo desta ilusão de igualdade está a realidade, em que, como sempre em sistemas inflexíveis, são os mais desfavorecidos – aqueles que não conseguem jogar com os «buracos» do sistema ou mesmo escapar a ele – que ficam mais prejudicados, e são forçados a frequentar as escolas com piores equipamentos, maior instabilidade e frustração dos professores ou maiores índices de violência e outros comportamentos anti-sociais.

O quarto entrave é a desresponsabilização dos pais, a quem é dito para entregarem os filhos à escola que o Estado quer, retirando-lhes o direito e o dever de escolha da escola que melhor coopera com eles na educação dos filhos.

Apesar destes entraves, a realidade das necessidades concretas da sociedade portuguesa tem obrigado o Estado a abrir alguns espaços de liberdade de educação, com especial destaque para os seguintes:

-- A criação das escolas profissionais no ensino secundário, na sua maioria de iniciativa não estatal ou em parceria público-privado entre autarquias e entidades locais, financiadas, primeiro via fundos comunitários e mais recentemente via orçamento de Estado, e gozando de ampla autonomia curricular.

-- Os contratos de associação, celebrados com escolas privadas situadas em zonas carenciadas de escolas estatais, permitindo aos alunos a frequência gratuita e, como contrapartida, concedendo o Estado, para além de benefícios fiscais e financeiros gerais, um subsídio por aluno igual ao custo de manutenção e funcionamento por aluno das escolas públicas de nível e grau equivalente.

-- Os contratos simples, que o Estado aceite celebrar com escolas privadas não abrangidas pelos contratos de associação, prevendo a atribuição de um subsídio por aluno, com base no rendimento familiar per capita, que se traduz numa redução da propina para a família.

Tratam-se de espaços de liberdade ainda incipientes no contexto geral, representando no seu conjunto menos de 10% do total de alunos inscritos no sistema de ensino público e uma quota ainda menor do seu orçamento. Mas mais importante é o facto de não contrariarem, minimamente, a filosofia monopolista e monolítica do "Estado Educador". Em nenhuma delas está presente o objectivo de incentivar qualquer grau de concorrência saudável entre escolas – nem mesmo entre as escolas estatais – com o Estado a assumir o papel regulador e de garante da qualidade. Aliás, tratam-se de iniciativas fugazes, alvo de um tratamento discriminatório recorrente por parte da administração escolar, com as escolas a viverem sob permanente ameaça de não renovação dos despachos ministeriais que lhes servem de apoio.

Dito isto, os graves problemas que o sistema educativo português enfrenta e as experiências de sucesso de transição para sistemas educativos baseados no princípio da liberdade de educação em outros países tem levado a sociedade portuguesa a interrogar-se sobre a possibilidade de também ela abrir o sistema de ensino à escolha dos pais e a uma saudável concorrência entre as escolas. Por isso e porque é importante que se perceba que tal é possível sem aumentar os gastos financeiros do Estado, apontam-se seguidamente várias medidas que poderiam ser implementadas no sentido de tornar a liberdade e a igualdade de oportunidades de educação no primeiro e mais importante princípio organizativo do sistema educativo português.

Do ponto de vista dos alunos e suas famílias (liberdade de aprender), importa criar as condições para uma escolha livre e consciente da escola e do projecto educativo que desejam frequentar, o que implica:

-- Acabar com a obrigação de matrícula na escola da zona de residência ou de trabalho dos pais, mantendo apenas a garantia de prioridade no acesso aos alunos da vizinhança e aos irmãos, caso seja essa a sua vontade.

-- Permitir o acesso gratuito a qualquer escola que integre a "rede de serviço público de educação". Por razões financeiras, esta rede seria num primeiro momento apenas constituída pelas actuais escolas estatais e privadas com contrato de associação. Depois, progressivamente, a rede deveria ser aberta a todas as escolas que aceitassem satisfazer os requisitos do "serviço público de educação".

-- Implementar medidas de avaliação externa das escolas, quer qualitativas quer quantitativas, incluindo a avaliação formativa e sumativa (com exames nacionais) dos alunos ao longo do percurso educativo, que dêem às famílias indicadores sobre os quais basear a sua escolha.

Do ponto de vista das escolas (liberdade de ensinar), importa criar condições para que surjam projectos educativos claros e coerentes, distintos entre si, que sejam a matriz identificadora de cada estabelecimento de ensino. Para tal urge, no quadro de certos requisitos obrigatórios:

-- Dotar todas as escolas de ampla autonomia curricular e pedagógica, flexibilizando os currículos, com a redução da componente obrigatória aos conhecimentos e competências verdadeiramente essenciais, e permitindo às escolas, entre outros, definir os horários, o número de alunos por turma, e a carga lectiva e conteúdos de algumas disciplinas, sendo, seguidamente, responsabilizadas pelos resultados das aprendizagens dos seus alunos.

-- Dotar as escolas de ampla autonomia na gestão dos seus recursos humanos, em particular do pessoal docente, incluindo a competência para contratar e dispensar docentes, bem como estabelecer sistemas remuneratórios próprios, desde que respeitem os tectos de financiamento e os acordos de trabalho.

-- Dotar as escolas de total autonomia financeira na gestão do seu orçamento, incluindo a possibilidade de estabelecer livremente parcerias com quaisquer entidades externas.

-- Favorecer o aumento dos percursos educativos no mesmo estabelecimento de ensino, para que os alunos não tenham de saltar de escola em escola ao longo do seu percurso educativo e exista quem possa ser responsabilizado pela sua aprendizagem.

-- Estabelecer o princípio da "prestação de contas" na gestão da escola, que se traduz num modelo de gestão e administração das escolas que preveja a existência de um rosto que responda perante a gestão e administração da escola e o resultado educativo dos seus alunos.

Do ponto de vista da função "garantia" do Estado, isto é no cumprimento da sua função de garante do acesso, da qualidade e da equidade do sistema educativo, importa:

-- Definir a "rede de serviço público de educação", constituída por todas as escolas existentes ou livremente criadas, desde que cumpram os requisitos legalmente estabelecidos, independentemente do seu estatuto jurídico estatal ou não estatal, diferenciadas apenas pelo seu projecto educativo.

-- Discriminar positivamente os alunos nas escolas da rede de serviço público de educação que apresentem uma situação de desvantagem, quer por razões de isolamento e interioridade, quer por questões socioculturais (e.g. filhos de emigrantes), quer por razões económicas.

-- Desenvolver medidas de apoio à escolha dos pais, incluindo a possibilidade, dentro de certos limites, de transporte escolar gratuito, e a existência de instâncias a nível municipal que apoiem os pais na obtenção de informação relevante e na sua decisão.

-- Garantir que a avaliação externa das escolas seja tal que também permita às escolas e aos seus professores conhecerem o seu próprio desempenho e por ele serem responsabilizados.

-- Promover a transformação de diversos departamentos do Ministério da Educação e outros em unidades de apoio às escolas, que funcionem como centro de recursos e excelência, em áreas tão distintas como o desenvolvimento curricular, a inovação pedagógica, a implementação de sistemas de auto-avaliação, entre outros.

publicado por annualia às 12:44
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Sábado, 8 de Dezembro de 2007

Sugestão de Natal

 
O rei da festa
 
Há quem afirme que a Europa só conhece o peru desde o século XVI e que esse conhecimento se deve à invenção da bússola e à obstinação de Colombo em encontrar a Índia pelo Oeste. Mas… então quem são os autores das célebres esculturas escandinavas do século XII que reproduzem o majestoso animal? Deixo a pergunta em aberto e passo de imediato ao que sei desta ave, que já foi privilégio de elites, e que de tal forma se democratizou que hoje é possível, e sem-cerimónias, tê-la à mesa todos os dias.
Entre nós, o peru é o animal mais remotamente ligado às tradições natalícias. E o sonho de nós todos era conseguir um genuíno peru do campo, rechear-lhe o papo, assá-lo e enfeitá-lo como antigamente e fazer dele o rei da Festa. Sabemos bem que se isto é ainda possível na província, é difícil, se não impossível, para os que vivem na cidade.
Dada a maneira como os perus são hoje sacrificados, é impossível
rechear-lhes o papo como então se fazia, pois para isso falta-nos a pele do pescoço. Se queremos peru recheado, façamos então como os demais, lá fora, há já muito fazem, e recheemos-lhe apenas a cavidade abdominal. Vamos é exigir o fígado na altura da compra. Mas... Comecemos pelo princípio: que peru comprar? Se lhe for possível, dê preferência a uma perua, a carne é mais saborosa, acredite. O ideal seria que não tivesse mais de 8 meses; olhe-lhe bem para as patas, devem ser lisas e brilhantes. Uma boa perua pesa em média de 3,5 a 4 kg depois de limpa.
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Recheio de peru
 
Fígado do peru;
2 kg de castanhas;
sal;
erva-doce;
1 dl de aguardente velha;
1 trufa;
1 ou 2 ovos;
miolo de pão;
leite;
sal e pimenta.
 
Para o recheio: aloure o fígado com um pouco de manteiga deixando-o rosado por dentro. Pique-o e junte-o a 2 kg de castanhas cozidas com sal e erva-doce e cortadas em bocados. Regue com 1 dl de aguardente velha e, se puder, junte1 trufa em bocadinhos. Ligue tudo com 1 ou 2 ovos. Se o recheio lhe parecer insuficiente, junte miolo de pão embebido em leite. Encha a cavidade abdominal do peru com o recheio, cosa a abertura, esfregue-o com sal e pimenta e barre-o abundantemente com manteiga. Leve a assar no forno aquecido a 160ºC aproximadamente 2 horas e 30 minutos; isto é, cerca de 20 minutos por fracção de 500 g. É conveniente envolver a ave em folha de alumínio durante a primeira hora de cozedura. Quando a retirar, aproveite para regar o peru com vinho branco. Quanto ao molho, é só passar os sucos do assado por um passador e ligar com um pouco de natas e uma colherzinha de maisena especial para engrossar molhos.
 
 
Uma trabalheira, não é? Eu, este ano, estou tentada a simplificar e seguir o que vi fazer ao chefe Franco Luise. Peru, sim e recheado, para cumprir a tradição, mas apenas o peito! É mais prático, é igualmente bom e também pode ser bonito. Poupo-me assim a ter de zelar pelos restos durante 15 dias...
 
 
 
 
Texto: Maria de Lourdes Modesto em Palavra puxa Receita (crónicas publicadas no Diário de Notícias), Editorial Verbo.
Desenho: Marta Leite
 
publicado por annualia às 01:56
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