Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007

Abrindo o livro Queijos Portugueses

Queijos Portugueses

e um olhar gastronómico sobre famosos queijos europeus

de Maria de Lourdes Modesto e Manuela Barbosa

*

Fotografias de António Duarte Mil-Homens

Paginação e concepção gráfica de Magda Macieira Coelho

© Editorial Verbo


Peitinhos de Frango com Boursin

Para este prato dê preferência a peitinhos de frangos do campo, se
possível, biológicos.

Para 4 pessoas:
4 peitinhos de frango com cerca de 125 g cada;
sal e pimenta preta;
2 limões;
1 Boursin com ervas;
8 tiras de bacon;
2 colheres de sopa de manteiga;
2 colheres de sopa de natas.

De véspera tempere os peitinhos com sal, pimenta e o sumo e a raspa dos
limões. Conserve no frigorífico.
No dia seguinte, escorra os peitinhos da marinada, coloque-os sobre a
tábua e, sem separar, abra cada peitinho ao meio na horizontal (fazendo
uma bolsa). Tempere com sal e pimenta. Trabalhe o Boursin em creme e
divida-o em 5 partes. Molde 4 partes em rolo e introduza um rolo em
cada peitinho. Envolva cada peitinho com duas tiras de bacon e
ponha-os num tabuleiro de forno onde caibam à justa, ajeitando-os para
não deixar sair o recheio. 25 minutos antes de servir, disponha uma
nozinha de manteiga sobre cada peitinho e leve a cozer em forno médio
(180ºC).
Num tachinho, junte a marinada com o líquido e o queijo que os
peitinhos tenham largado, junte a 5.ª parte de queijo e as natas e leve
ao lume, a ferver, batendo com uma vara de arames. Mantenha este molho
quente.
Disponha os peitinhos sobre uma camada de tagliateli cozida e acompanhe
com tomates cereja salteados, folhas de alfaces variadas e triângulos
de massa filo com sementes de sésamo ou de papoila. Sirva o molho à
parte.

Variantes: substitua os limões por limas, reduzindo um pouco a
quantidade de sumo.
Substitua o Boursin por um queijo de Cabra cremoso, junte bastante
cebolinho e um pouco de rábano picante em pasta (horseradish), sal e
pimenta preta.

 



 

 

publicado por annualia às 17:18
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Gastronomia e Cultura

«Um país também se define pela sua gastronomia. Nela se reflectem os vários aspectos da sua tradição agrícola e nela se exprimem os matizes do gosto colectivo que definem modos de viver e de conviver. Nela se imprimem singularidades geográficas, tonalidades climáticas. Nela se incorpora a História. Nela vive o espírito do lugar.»

 

do texto sobre Maria de Lourdes Modesto em ANNUALIA 2006-2007

 

 

publicado por annualia às 17:11
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Delbert Mann (1920-2007)

Realizador cinematográfico norte-americano (Lawrence, Texas, 30.1.1920 - Los Angeles, 11.11.2007) que a partir de 1949 dirigiu várias séries de televisão para a  NBC. A sua primeira longa-metragem Marty (1955), protagonizada por Ernest Borgnine, valeu-lhe o Óscar de Melhor Realizador e a Palma de Ouro do Festival de Cannes. Da sua filmografia fazem parte The Bachelor Party (fruto ainda da sua colaboração com o argumentista Paddy Chayefsky), Desire Under the Elms (1958, baseado na peça de Eugene O'Neill), Separate Tables (1958, baseado numa peça de Terence Rattigan), Middle of the Night (1959, também de Chayevsky e nomeado para a Palma de Ouro, em Cannes). A partir  da década de 70 passou a trabalhar quase exclusivamente para televisão, realizando filmes e séries de grande qualidade.

Outros filmes: The Dark at the Top of the Stairs (1960), Lover Come Back (1961), The Outsider (1961), That Touch of Mink (1962, com Cary Grant e Doris Day), A Gathering of Eagles (1963), Dear Heart (1964), Quick, Before It Melts (1964), Mister Buddwing (1965), Fitzwilly (1967), The Pink Julgle (1968), Kidnapped (1971), Birch Interval (1976), Love's Dark Ride (1978), Night crossing (1981).

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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

Roy Campbell (1901-1957)

Roy Campbell, a tartaruga flamejante*

 

por Eugénio Lisboa

 

 

 

Roy Campbell, de seu nome completo, Ignatius Royston Dunnachie Campbell, nasceu em Durban (África do Sul), em 2 de Outubro de 1901 e viria a falecer, em viagem, de Espanha para Portugal, perto de Setúbal, em 23 de Abril de 1957. O pai, Samuel George Campbell, nascido em 1861, no Natal (África do Sul), foi um brilhante aluno de medicina, em Edimburgo (Escócia), tendo ganho três prémios: em cirurgia, em clínica cirúrgica e em botânica.

Fez uma pós-graduação em Paris, no Instituto Pasteur, e foi, depois, para Viena, especializar-se em doenças do nariz, dos ouvidos e da garganta. Regressou ao Natal, onde, durante três anos, estagiou, para depois regressar à Escócia, em 1886, e aí obter o seu grau de MD (Medicine Doctor), tendo-se tornado um "Fellow" do Royal College of Surgeons. Samuel Campbell, além de profissionalmente brilhante, era um atleta (em corridas, natação, e rugby). Como médico, foi de uma dedicação exemplar, tratando com igual devoção brancos e negros, o que lhe ganharia o duradouro amor da gente Zulu.

O terceiro filho Roy(ston) Campbell, herdou o seu nome – Royston – de um tio por afinidade, o famoso Coronel ‘Galloping Jack’ Royston, cujos feitos marciais eram lendários na crónica familiar. Dele herdaria Roy o seu feitio aventureiro, assim como herdaria também, dos seus antepassados escoceses, os ideais, o gosto pela poesia e pelas canções folclóricas que se viriam a fundir, no seu imaginário ebulitivo, com a atraente imensidão da selva africana. Durban onde Roy passou a infância era a mesma cidadezinha que, por essa mesma altura, albergava a adolescência do poeta Fernando Pessoa: casas de madeira e zinco e largas avenidas de areia. Como observava o biógrafo de Campbell, Peter Alexander, "era cercada, em três lados, pelo denso matagal subtropical e, no quarto, pelo Oceano Índico". Os Campbell, nota ainda Alexander, "tinham o espírito e o punho prontos e eram bons soldados, grandes caçadores e pescadores". Roy, ainda criança, viu o pai partir para a guerra com os Zulus, que se rebelaram em todo o Natal, no ano de 1906. Muito cedo, portanto, a poesia, a música, o desporto, a acção, a guerra, a violência fecundaram o imaginário deste grande poeta de língua inglesa, admirador, mais tarde, da poesia simbolista e decadentista de outros grandes poetas europeus mas produtor de um lirismo em tudo diferente desse: enérgico, épico, afirmativo, forte.

Em 1918, com dezassete anos, viajou para Oxford, onde nunca se graduou devido às suas dificuldades com o grego clássico. Mas foi um período fecundo de leituras extensas e meditadas e de encontros importantes. Um dos mais fecundos foi com o compositor William Walton (mais conhecido, entre nós, por ser o autor da partitura musical do filme Hamlet, de Laurence Olivier). Com Walton, observa Alexander, "aprendeu a dedicar-se completamente à sua arte. O artista deve estar preparado para aceitar todas as privações com o objectivo de se devotar à sua arte (...) Deve atirar pela borda fora quaisquer constrangimentos morais ou qualquer convenção social que possa impedi-lo de viver completamente para o seu ofício. Esta ideia, tão estranha à escala de valores da sua família, constituíu uma revelação para Campbell; uma vez tendo-a aceite, nunca mais se desviou dela."

Ainda em Oxford, além de encontros sexuais casuais com duas empregadas de restaurante irlandesas, Campbell experimentou também pelo menos duas relações homossexuais de curta duração: "A sua bissexualidade", observa Alexander, "era ainda uma outra faceta da sua natureza dividida (...). Estas parecem ter sido as suas primeiras ligações homossexuais e ilustram até que ponto o poder sobre si dos valores e tradições familiares parecia estar a enfraquecer."

A amizade com Walton trouxe-lhe ainda outros encontros, entre eles, Wyndham Lewis e T. S. Eliot. Com este último, ficaria ligado até ao fim da sua vida, embora fossem temperamentos poéticos e personalidades diametralmente opostas.

Num carta para o pai, afirma: "Já li cerca de três quartos de Darwin e Freud e uma boa quantidade de Huxley, além de sete volumes de Nietzsche." Numa estadia em Londres, partilhará um apartamento com Huxley que descreverá como "este pedante que se regozijava, de olho irónico, com os seus conhecimentos sobre o modo de copular das lagostas embora fosse incapaz de as pescar e, muito menos, de as cozinhar."

Depois de um período na Provence, para fugir à "sujidade" inglesa, regressa a Londres e casa com a bela Mary Garman, de quem nunca se separará, apesar das ligações sexuais dela com a voraz Vita Sackville-West, que seriam causadoras de não pouco sofrimento em Roy e de um sério agravamento das suas tendências alcoólicas.

Em 1924 publica o seu hoje famoso livro, The Flaming Terrapin, que teve calorosa recepção, tanto em Inglaterra, como nos Estados Unidos, onde foi publicado quase simultaneamente. Escrito enquanto o casal se encontrava a viver numa remota aldeola do País de Gales, o livro, ainda em manuscrito, impressionou sobremaneira T. E. Lawrence, que o recomendou ao editor Jonathan Cape, para publicação. Críticos influentes como Edward Garnett e Desmond McCarty sentiram-se imediatamente atraídos por aquilo que Alexander apelida de "a pura energia" do poema. "Não há dúvida", nota, com justeza, o biógrafo, "de que a recepção entusiástica a Campbell ficou a dever alguma coisa à polarização geral dos campos literários típica dos anos vinte. Ele (Campbell) foi bem acolhido pelos apoiantes dos românticos sanguíneos, como uma espécie de antídoto ao cepticismo seco dos seguidores de Eliot (...) Embora vários críticos, incluindo MacCarty e Garnett, pensassem que Campbell precisava de moderar a sua voz e curvar a sua "maneira extravagante", concordavam que mais valia ter demasiada energia do que não ter nenhuma." Misturando da maneira mais bizarra Cristo, Darwin e Nietzsche, Campbell afirmava, sem pudor, que Cristo tinha sido o primeiro a "proclamar a doutrina da hereditariedade e a sobrevivência dos mais aptos." Ainda segundo o autor de The Flaming Terrapin, este "ponto de vista aristocrático" tinha sido mal entendido por Nietzsche, que o tomara por uma "religião dos fracos." Segundo Campbell, o dilúvio, no poema, representava a Grande Guerra e a família de Noé representaria "a sobrevivência dos mais aptos." A tartaruga que rebocava a Arca seria o símbolo "da força, da longevidade, da resistência e da coragem." Segundo Kerry Bolton, "o poema publicado em 1924 na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos recebeu aclamação crítica da imprensa, pelo seu sopro de frescura e juventude, rompendo quer com as banalidades do passado, quer com o niilismo céptico da nova geração."

No ano da publicação do livro que o tornou famoso, Roy Campbell voltou à África do Sul para uma estadia que se revelou um fiasco, embora aí tivesse escrito alguns dos melhores poemas do que viria a ser o seu livro Adamastor: "The Serf", "The Zulu Girl", "To a pet cobra", "The Making of a Poet" e "Tristan da Cunha". Regressando a Londres, Campbell e a mulher são introduzidos no grupo de Bloomsbury, que incluía a notória poetisa e ficcionista Vita Sackville-West e o marido Harold Nicholson, Virginia e Leonard Wolf, Richard Aldington, Aldous Huxley, Lytton Strachey e outros. Em Some Thoughts on Bloomsbury, o poeta de Adamastor considera nauseantes as maneiras refinadas e pretenciosas de todo o grupo. Volta à Provence, que, em 1933, abandonará, trocando-a pela Espanha, onde se converte ao catolicismo, juntamente com sua mulher, em 1935. Segundo relato da filha, Ana, feito alguns anos mais tarde, como refere Kerry Bolton, "a Espanha era [para Campbell] o último país da Europa que mantinha o estatuto de uma sociedade pastoral, ao passo que tudo o resto se tinha industrializado por influência do protestantismo." Em Espanha, a família foi viver em Toledo, "a cidade sagrada do espírito", como lhe passou a chamar o poeta.

Campbell viveu em Espanha durante a guerra civil, tendo ali desempenhado o papel de correspondente para o jornal inglês (católico), The Tablet. Ainda tentou alistar-se nas forças nacionalistas, de Franco mas foi desencorajado pela entourage do caudillo, que era de opinião que o poeta seria mais útil à causa na sua qualidade de escritor. O livro Flowering Rifle é um tributo ao catolicismo, à Espanha e condena, ao mesmo tempo, a intelligentsia britânica que acusa de tomar sistematicamente partido pelo cão contra o homem, pelo judeu contra o cristão, pelo negro contra o branco, pelo criado contra o patrão e pelo criminoso contra o juiz.

Durante a II Guerra Mundial, a viver de novo em Inglaterra, embora odiando igualmente todos os sistemas – democracia, fascismo e bolchevismo – mostrou uma certa simpatia pelo espírito de obstinada resistência da Grã-Bretanha – "a nação guerreira" – e alistou-se na Home Guard, até 1942. No pós-guerra, Campbell voltou ao ataque feroz à esquerda intelectual. Apesar da sua defesa feita por pessoas como Vita Sackville-West e Desmond MacCarthy, o poeta Cecil Day-Lewis emitiu a opinião de que Campbell deveria ser demitido do posto de produtor da "BBC talk" por "não ser digno de dirigir qualquer forma civilizada de expressão cultural."

A viver em Portugal, desde 1952 (e aí tendo traduzido para inglês dois romances de Eça de Queirós: O Primo Basílio e A cidade e as Serras), Campbell viria a falecer, como já dissemos, num acidente de automóvel, a sul de Setúbal, no dia 23 de Abril de 1957, com 56 anos incompletos. Mostrando até ao fim, frequentemente do modo mais controverso, a inesgotável energia da "tartaruga flamejante."

Obras de Roy Campbell:

Poesia: The Flaming Terrapin, 1924; The Wayzgoose, 1928; Poems, Paris, 1930; Adamastor, 1930; The Gum Trees, 1930; The Georgiad, 1931; Nineteen Poems, 1931; Choosing a mast, 1931; Pomegranate, 1932; Flowering Reeds, 1933; Mithraic Emblems, 1936; Flowereng Rifle, 1939; Sons of Mistral, 1941; Talking Bronco, 1946; Nativity, 1954; Collected Poems, 3 vols, 1949, 1957, 1960.

Prosa: Taurine Provence, 1932; Broken Record, 1934; Light on a Dark Horse, 1951; Lorca, 1952; The Mamba’s Precipice, 1953; Portugal, 1957.

Traduções:Helge Krog, Three Plays, 1934; The Poems of St. John of the Cross, 1951; Baudelaire, Poems: A Translation of Les Fleurs du Mal, 1952; Eça de Queirós, Cousin Basilio, 1953; Eça de Queirós, The City and the Mountains, 1955.

 

*Texto integral (publicado na Annualia 2006-2007)

 

 

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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

Pastéis de Belém: 170 anos (1837-2007)

 

 

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O património de um país, de uma cidade ou de uma famíllia, é o resultado de uma energia criativa ditada por circunstâncias de vária ordem, mas também de um impulso de persistência. A duração não tem que ver apenas com a natureza dos materiais.

Texto no volume Annualia 2007-2008 

www.pasteisdebelem.pt

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Sábado, 10 de Novembro de 2007

Norman Mailer (1923-2007)

 

Norman Mailer

(Long Beach, New Jersey, 31.1.1923 - Nova Iorque, 10.11.2007)

 

Escritor norte­-americano que se tornou conhecido a partir da publicação de The Naked and the Dead (1948), um libelo contra a guerra. Fortemente conotado com a esquerda americana, a sua prosa é poderosamente realista, imprimindo ao ro­mance norte-americano um sentido político. Directo e provocador, Mailer manteve uma constante intervenção política (candidato democrata a mayor de Nova Iorque em 1969). A fortu­na dos seus livros no cinema (desde logo com a adaptação de Raoul Walsh, em 1958), parece ter entusiasmado o romancista, que realizou Beyond the Law (1968), Maidstone (1969), Wild 90 (1969), Tough Guys Don’t Dance (1987), Ringside (1997).

Algumas das suas obras são: Barbary shore (1951), The Deer Park (1955), An American Dream (1965), Miami and the Siege of Chicago (1968), The Armies of the Night (1968, Prémio Pulitzer e National Book Award); A Fire On the Moon (1970), The Prisoner of Sex (1971), The Transit of Narcissus (1978), The Executioner’s Song (1979, Prémio Pulitzer), Harlot's Ghost (1991), Oswald's Tale (1995), The Gospel According to the Son (1997), The Time of Our Time (1998), The Castle in the Forest (2007). 

Obras de Norman Mailer foram editadas em português pelas Publicações Europa-América, pelos Livros do Brasil e pela Dom Quixote.

Leia um artigo do New York Times sobre Norman Mailer aqui.

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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Lançamento do livro Queijos Portugueses, dia 14 de Novembro, às 18 h 30 m no El Corte Inglés

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Determinação da Estrutura da Ribonuclease II: uma enzima importante no controlo da expressão génica

 

 

 

 

Vídeo de Colin McVey (ITQB/UNL) 

Conhecer a estrutura desta enzima abre novos caminhos de investigação e permite, por comparação, prever o seu comportamento e compreender o metabolismo do RNA noutros organismos ou vir a identificar potenciais alvos para fármacos que regulem a sua função.

 

Leia o texto integral de Carlos Frazão, Colin McVey e Maria Arménia Carrondo, investigadores do Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa, em ANNUALIA 2007-2008

 

 

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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Política de ambiente: base de novo modelo de desenvolvimento

por Tomaz Espírito Santo

 

Até há relativamente pouco tempo, na avaliação de qualquer actividade, apenas eram considerados os benefícios e custos quantificáveis. Valores não quantificáveis, como é a qualidade de vida, eram praticamente esquecidos.

Actualmente, o reconhecimento do valor da qualidade do ambiente, pelas suas repercussões na vida de cada um e, em muitos casos, as consequências bem tangíveis da degradação dos ecossistemas, levaram à introdução do conceito de gestão do ambiente que envolve: 1) a consideração dos processos sociais, políticos e ambientais que poderão ser afectados pelas decisões relativas a qualquer actividade, 2) o estudo de todos os seus impactos – quantificáveis, positivos ou negativos.

Enquanto no passado os produtos, e consequentes resíduos, do sistema económico exerciam considerável impacto no ambiente, até ao ponto de o degradar, hoje é o ambiente que começa a ter um influxo crescente nas decisões dos políticos e de gestores de negócios e empresas.

 

Leia o texto integral em ANNUALIA 2007-2008.

Encomende já em www.editorialverbo.pt ou compre em qualquer boa livraria do País.

 

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V Conferência Internacional FLAD/IPRI-UNL


A UE e África: Em busca de Parceria Estratégica

 8 | Novembro | 2007   -  09 | Novembro | 2007
Auditório da FLAD

 

Consulte o programa aqui.

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Terça-feira, 6 de Novembro de 2007

Prémio Goncourt

O Prémio Goncourt foi atribuído ontem ao escritor Gilles Leroy pelo romance Alabama Song, publicado pela editora Mercure de France.

 

Gilles Leroy nasceu em 28.12.1958 em Bagneux. Licenciado em Letras modernas, viajou e estudou as literaturas americana e japonesa.

 

Obras principais:

Habibi, romance, 1987.
Maman est morte, conto, 1990.
Les derniers seront les premiers, novelas, Mercure de France, 1991, prémio Nanterre de novela (1992).
Madame X, romance, Mercure de France, 1992.
Les jardins publics, romance, Mercure de France, 1994.
Les maîtres du monde, romance, Mercure de France, 1996.
Machines à sous, romance, Mercure de France, 1998, prémio Valery-Larbaud, 1999.
Soleil noir, romance, Mercure de France, 2000.
L'amant russe, romance, Mercure de France, 2002
Grandir, romance, Mercure de France, 2004, prémios Millepages e Cabourg.
Le Jour des fleurs, teatro, Actes-Sud Papiers, 2004.

 

www.academie-goncourt.fr

www.mercuredefrance.fr

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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

Taxonomia moderna: a ordem a partir do caos *


Isabel Maria Amaral **

 

Caroli Linnaei, Carolus von Linnaeus, Carl Linnaeus, Carlos Lineu ou ainda Carl von Linné, é considerado o fundador da taxonomia moderna, pela concepção de um novo sistema de organização e de classificação da biodiversidade proveniente da conquista do Novo Mundo. O seu legado científico influenciou várias gerações de cientistas, mesmo aqueles que se opuseram às concepções filosóficas e teológicas sobre as quais assenta a sua obra. Filho de um pastor luterano, Lineu considerava-se enviado de Deus para desvendar o segredo da Natureza. Cristão convicto, via Deus em cada ser vivo que estudava e para ele o jardim botânico era um verdadeiro Jardim do Éden. Através da sua obra-prima, Systema Naturae, publicada em 1735, deu a conhecer ao mundo mais de 7000 plantas e 4000 animais, que classificou e designou. O impacto do seu sistema de classificação na cultura do seu tempo foi incalculável e influenciou um considerável número de discípulos, atingindo não só cientistas como também figuras de Estado e do clero, bem como jardineiros, pintores ou escritores.

A prioridade taxonómica vegetal e animal começou com Lineu: as designações mais antigas ainda hoje aceites estão contidas no Species Plantarum, para as espécies vegetais e as dos animais, na décima edição do Systema Naturae, de 1758. Lineu nasceu a 23 de Maio de 1707 em Stenbrohult, na Suécia. Era filho de Nils Ingemarsson (1674-1733) e de Christina Brodersonia (1688-1733). Seu pai era pastor luterano e, simultaneamente, jardineiro. Aos 20 anos decidiu estudar Medicina na Universidade de Lund, mas um ano depois transferiu-se para Uppsala, a universidade mais prestigiada da Suécia. Enquanto estudante, sem grandes facilidades económicas, conheceu amigos influentes, que o auxiliaram e o projectaram para uma carreira científica promissora. No jardim botânico de Uppsala conheceu o deão, professor de Teologia, Olof Celsius (1670-1756), que era entusiasta da botânica. Celsius teve uma influência marcante na carreira de Lineu. Por sua influência foi convidado pelo professor de Botânica, Olof Rudbeck (1660-1740), como demonstrador de botânica no jardim botânico da universidade e, mais tarde, professor de Botânica Teórica. Esta disciplina, completamente nova na universidade, conduziu mais tarde à publicação da Philosophia botanica (1751).

A par de um gosto pela inventariação da natureza, Lineu nunca esqueceu a utilidade prática do conhecimento da Natureza e advogava para a Suécia uma estratégia económica que se baseava numa política de substituição de importações utilizando suportes científicos e tecnológicos até então desconhecidos, designadamente os processos de adaptação e aclimatação botânicas, que Domingos Vandelli (1730-1816) referia. Desta forma, foi organizando diferentes expedições científicas, dentro e fora do seu país, financiadas com apoio de entidades públicas ou privadas. A primeira destas expedições foi efectuada em 1731, a Lapland, com o apoio da Royal Science Society de Uppsala. Nesta expedição botânica e etnográfica atravessou a península Escandinava até ao oceano Árctico e descobriu várias espécies vegetais. Os resultados desta expedição foram publicados em 1737, Flora Lapponica, e editados em inglês por Sir J. E. Smith, sob o título, Lachesis Lapponica, em 1811. Esta missão atraiu a atenção não só dos suecos como também de outros povos pelo pormenor de descrição das espécies biológicas observadas, em particular, as plantas. Em 1735, viajou para a Holanda com o objectivo de terminar o curso na Universidade de Harderwijk (que actualmente não existe). A partir deste momento, teve acesso ao riquíssimo material da Companhia das Índias Orientais e Ocidentais, com colecções de espécies de várias partes do mundo, inclusive as colecções vivas e preservadas de plantas e animais durante a invasão holandesa ao Brasil. Concluído o curso resolveu seguir para Leiden onde travou conhecimento com figuras influentes e empenhadas no financiamento das suas obras. Por exemplo, Systema Naturae foi financiada pelo botânico e senador de Leiden, Jan Fredrik Gronovius (1690-1762). O Systema Naturae não é mais que uma enciclopédia de História Natural, à semelhança da Histoire Naturelle, publicada por Buffon, em França, em 1749. Systema Naturae constitui a «obra-prima» de Lineu. Foi sendo actualizada não só nas várias edições e traduções que conheceu, mas também na clarificação de alguns conceitos, noutras obras como sejam a Fundamenta Botanica, publicada em 1736, e ainda na publicação, Species Plantarum, publicada em 1753.

Gloria superba L. (Herbárioi de Lineu)

Para Lineu, as espécies eram entidades reais que podiam ser agrupadas em categorias superiores. Porquê a ordem no caos? Antes de Lineu, as espécies assumiam designações diferentes. A necessidade de encontrar um sistema organizado tornou-se imprescindível dada a enorme variedade de plantas e animais que provieram da Europa, Ásia, África e Américas, após os Descobrimentos. Lineu simplificou a designação utilizando um nome latino para o género e um outro mais curto para a espécie. Este sistema ficou conhecido como binomial e foi reunido na obra Species Plantarum. Embora artificial, como o próprio Lineu reconhecia, este sistema de classificação permitia não só identificar de imediato uma espécie como também as suas características e designá-la de forma inequívoca em qualquer parte do globo. Estava criada uma linguagem universal na identificação da biodiversidade. Na segunda metade do século XVIII a proposta de Lineu era plenamente aceite por toda a Europa: Uma planta é completamente nomeada quando se lhe fornece um nome genérico e um nome específico. O nome específico deve distinguir a planta de todas as outras do mesmo género. (Linnaeus, 1738. Critica botanica.)

A estada de Lineu na Holanda tornou-se crucial para a consolidação da sua carreira que dominou por completo a ciência iluminista durante a segunda metade do século XVIII. Provavelmente as publicações que realizou entre 1735 e 1738 tornaram-se a unidade basilar das ciências naturais até ao advento do darwinismo e certamente constituíram um complemento essencial à popularidade do newtonianismo, uma forma de legitimação das ciências da vida. Nos anos seguintes visitou Inglaterra e França. Em França conheceu Antoine Laurent de Jussieu (1748—1836), o naturalista francês mais influente do seu tempo. Por seu intermédio, a Academia de Ciências de França aceitou-o como sócio correspondente. Em 1738 regressou à Suécia para confirmar o seu casamento com Sara Lisa Moræa e exercer clínica para sustentar a família. Em Estocolmo, foi recebido como um estranho mas rapidamente encontrou amigos influentes que o auxiliaram e meses depois, não só tinha o emprego desejado como também tinha sido co-fundador da Academia de Ciências da Suécia. Dedicou-se à prática clínica e tornou-se o médico particular da família real sueca. Em 1741, ocupou a cátedra de Medicina Prática na Universidade de Uppsala que rapidamente trocou com a de Botânica. Era responsável pelo ensino da Botânica, da Metalurgia e, ainda, pela supervisão do jardim botânico. Aqui restaurou o jardim botânico (organizando as plantas de acordo com o seu sistema de classificação). Lineu era um professor muito popular e a história natural apaixonava facilmente qualquer aluno. Estudantes de todas as faculdades vinham assistir às suas aulas, correspondiam-se com ele. Os reis da Suécia concederam-lhe o título nobre em 1757, passando a usar o nome de Carl von Linné. Enquanto professor publicou várias obras sobre as expedições que realizou. Em contacto com naturalistas do mundo inteiro Lineu tornou-se também famoso pelos discípulos que enviou em diferentes missões científicas. Carl Peter Thunberg, Daniel Solander, Peter Kalm, Anders Sparrman viajaram para a China, Japão, Nova Zelândia, América do Norte e do Sul, Médio Oriente e África. Orientou 180 dissertações e 23 dos seus alunos tornaram-se professores. Lineu publicou mais de uma centena de obras. Nesta época, a sistemática e a taxonomia foram os vectores determinantes da apropriação e explicação do mundo biológico que no século seguinte conduziriam à emergência da Biologia como disciplina autónoma. De grande aceitação inicialmente em Inglaterra e em França, os iluministas, e particularmente Buffon, foi um dos seus principais adversários.

O seu filho, também Carl, sucedeu-lhe na Universidade de Uppsala, mas

nunca foi botânico. O jovem Carl faleceu muito jovem e sem deixar herdeiros. À data da sua morte, a biblioteca, os manuscritos e as colecções de Lineu foram vendidas ao naturalista inglês, Sir James Edward Smith, que fundou em Londres a Sociedade Lineana. Esta continua a ser a maior sociedade internacional para o estudo da história natural. O Linné Herbarium, no Museu de História Natural da Suécia preserva algumas das espécies originais de Lineu, bem como uma biografia detalhada do autor. Existem outros centros com colecções de Lineu, como sejam, a Strandell Linneana Collection, no Carnegie-Mellon University, e a Mackenzie Linneana Collection na Kansas State University, nos Estados Unidos.

 

* Texto publicado na Annualia 2006-2007.

** Professora da Universidade Nova de Lisboa.

 

A imagem representa Gloria Superba L., pertencente ao Herbário de Lineu

http://linnaeus.nrm.se/botany/fbo/g/welcome.html.en

publicado por annualia às 12:55
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