Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Viagem no tempo

 

 

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Sábado, 27 de Junho de 2009

Farpas Escolhidas

Verbo Clássicos nas livrarias.

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Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Verbo Clássicos nas livrarias

Clique para ver mais

 

 

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Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Ler é um prazer. Ver também.

[Castro.JPG]

Verbo Clássicos: descubra o esplendor das novas capas aqui.


 

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Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Antologias na série Verbo Clássicos

 

 

 

Clique sobre a imagem

e descubra a capa desta antologia

 

 

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Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Antologias na série Verbo Clássicos

Antologias já publicadas na colecção 

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Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Desafio

Clique sobre a foto para saber mais.

 

 

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Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Verbo Clássicos: mais cinco títulos

   

 

 

 

 

 

 

 
       na Feira do Livro de Lisboa

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Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Verbo Clássicos: novos desafios


Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.
Com dor da gente fugia,
Antes que esta assi crecesse:
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.
Que meo espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim?

 

 

 

 

 

 

Senhora, partem tão tristes
Meus olhos, por vós, meu bem,
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos,
Tão doentes da partida,
Tão cansados, tão chorosos,
Da morte mais desejosos
Cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes os tristes,
Tão fora de esperar bem,
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.

 

 

 

  


Insónia roxa. A luz a virgular-se em medo,
Luz morta de luar, mais Alma do que lua...
Ela dança, ela range. A carne, álcool de nua,
Alastra-se para mim num espasmo de segredo...

 

 

 

 

 

 






 

 

 

 

Oh retrato da morte, oh noite amiga
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha do meu pranto,
Dos meus desgostos secretária antiga!














 

Há-de tomar o pregador uma só matéria, há-de defini-la para que se conheça, há-de dividi-la para que se distinga, há-de prová-la com a Escritura, há-de declará-la com a razão, há-de confirmá-la com o exemplo, há-de amplificá-la com as causas, com os efeitos, com as circunstâncias, com as conveniências que se hão-de seguir, com os inconvenientes que se devem evitar; há-de responder às dúvidas, há-de satisfazer às dificuldades, há-de impugnar e refutar com toda a força da eloquência os argumentos contrários, e depois disto há-de colher, há-de apertar, há-de concluir, há-de persuadir, há-de acabar.

 

 

 

 

publicado por annualia às 10:00
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Terça-feira, 7 de Abril de 2009

Exposição: encontros de Alberto de Lacerda com Vieira da Silva e Arpad Szenes

Documentação, fotografias, correspondência: provas da estreita relação que Alberto de Lacerda manteve com Vieira da Silva e Arpad Szenes.

Até 5 de Julho na Fundação Arpad Szenes/ Vieira da Silva, em Lisboa.

 














Alberto de Lacerda, perto e longe

Descobri a poesia de Alberto de Lacerda, e depois o próprio poeta, pela mão de Maria de Lourdes Cortez, sua amiga e cúmplice da memória moçambicana. Alberto de Lacerda tinha sido um dos membros do grupo que, em 1950, fundara a revista Távola Redonda, doqual se viria a afastar posteriormente, indo para Londres, onde passou a viver permanentemente (mais tarde, a partir de 1972, repartiria a sua vida entre a capital inglesa e Boston, onde ensinou na respectiva universidade, depois de ter leccionado em Austin e na Columbia University, em Nova Iorque).
A primeira fase da sua produção poética concretizou-se em livro a partir de 1955, com 77 Poems, e estendeu-se aos primeiros anos da década de 60 com a publicação de Palácio (1961) e Exílio (1963). Os poemas de Tauromagia, embora publicados nos anos 80, datam daquela mesma época, como muitos outros que permaneceram inéditos durante muito tempo. As Elegias de Londres (1987) foram escritas entre 1971 e 1985 e são já a uma manifestação diversa do seu universo poético.
A distância física, acrescida de tudo o que o separava do meio literário português, bem como o ritmo de publicação das suas obras, contribuiu para um certo desconhecimento da poesia de Alberto de Lacerda, que, entretanto, muitos percebiam ser das mais significativas da poesia portuguesa, na sua «intensidade imagética de poesia pura» (Fernando J. B. Martinho). E foi essa qualidade, ou essa aspiração, que desde o início me aproximou da obra de um dos poetas portugueses mais genuinamente líricos da língua portuguesa (disse-o também Eugénio Lisboa), justamente se integrando na tradição de um Camões, de cuja língua foi sempre fidelíssimo cultor.
De facto, em Alberto de Lacerda a matéria do poema (palavras, imagens, metáforas) constitui o meio expressivo de realizar uma osmose do sentido que, captado pela mente, permanece inexprimível: «Não há palavras que digam o mistério/ Das trevas e da luz em diagonal». Nessa medida, nas imagens da poesia de Alberto de Lacerda deparamos com o paradoxo de uma linguagem que não fala, é. Existência essa que se funda numa natureza translinguística – «Não há linguagem; há estátuas/ Que se movem simultâneas» – e cujo modo de se exprimir se situa mais no plano da pura presença do que no da representação – «Palavras são silêncios de dois gumes».
Recorde-se, a propósito, o que disse Pound sobre o imagismo: «The point of Imagisme is that it does not use images as ornaments. The image itself is the speech. The image is the word beyond formulated language».
Se, por um lado, a intensidade das imagens da poesia de Alberto de Lacerda nos abre a porta de uma certa ideia de poesia pura – que de certo modo se aproxima do carácter metafísico da experiência musical (Steiner) –, por outro lado, o rigor da construção e o papel que nela desempenha a luz, diurna e solar, abre caminho a uma relação com a pintura. Neste contexto, não é dispiciendo recordar que Alberto de Lacerda escreveu sobre pintura, foi amigo de muitos pintores (Vieira da Silva, Arpad Szenes, Menez, Júlio Pomar, Jorge Martins, Paula Rego, por exemplo) e também coleccionador.
A luz, a luz do meio-dia que tomba cara abaixo «como um grande pranto branco», instante anterior à cor, é espaço de confiança, perdão da noite, promessa de aventura, dimensão exterior à ignomínia, valor tão puro e primordial, por vezes perdido, pois «Filhos cegos dos gregos,/ a noite do seu Dia é que nos vê», e «nem sempre o amor restitui à luz»
A luz constitui também a génese do olhar e da sua duração, espaço de construção do desejo («O meu olhar descia como um íman/ Ao centro mais ardente do teu corpo») e de enunciação do corpo (ritmos, gestos, vozes, o canto, a nudez, os rostos e o silêncio: «Rostos são fugas/ do paraíso./ Silêncios são corpos/ desnudados lentamente/ pelas lágrimas»), mas também da revelação do olhar do Outro: «Os olhos são a minha obsessão», ou «Nos teus olhos se reflectem as montanhas/Onde as crianças costumavam brincar». E tudo é lugar de confluência da memória e das ressonâncias do tempo.
Imagem, luz, olhar, corpo (ou corpos: «Há sempre imensa gente nos meus versos») são constantes da poesia única de Alberto de Lacerda, a que se foi juntando um sentido de transgressão a que também a pintura não é alheia. Conservou, sempre, porém a sedução do instante, traduzida na tensão irresolúvel entre móvel e imóvel, equilíbrio e desequilíbrio, ordem e desordem, escrita e gesto, palavra e silêncio, finito e infinito, exacto e impreciso, sólido e volátil, ficando o Poeta («A única utilidade do poeta/ é existir […]»), sempre, simultaneamente perto e longe.
A obra de Alberto de Lacerda está reunida nos volumes Oferenda I (1984) e II (1994), editados pela Imprensa Nacional, tendo ainda sido publicados os volumes Sonetos (1991), Átrio (1997) e Horizonte (2000). Da exposição «O mundo de um poeta», realizada na Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1987, reunindo a colecção de arte de Alberto de Lacerda, existe um interessante e significativo catálogo.


Jorge Colaço

(texto publicado em Annualia 2008-2009)


 

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Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Verbo Clássicos: as outras capas





 







 



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Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Verbo Clássicos: espaço para os Grandes Livros

 

Autores e obras clássicos são aqueles que não passam com o tempo. São autores e obras que nunca deixam de prosseguir o seu caminho.
Autores e obras – antigos ou modernos – exemplares:
de uma época, de uma escola, de um gosto, de uma tendência,
de um estilo, de um movimento, de um género,
de uma fidelidade ou de uma ruptura,
de um pensamento, de um engenho,
de um certo génio ou temperamento,
enfim, de um Autor.

Editar os clássicos é uma tarefa sempre urgente.

Bem editar os clássicos, com boas introduções, cuidado e gosto gráficos, num formato confortável e a um preço acessível, constitui uma atitude cultural e uma inciativa editorial de inestimável valor.


OS OITO PRIMEIROS

 

O dia fora convidava, adorável, de um azul suave, muito puro e muito alto, sem uma nuvem. Defronte do terraço os gerânios vermelhos estavam já abertos; as verduras dos arbustos, muito tenras ainda, de uma delicadeza de renda, pareciam tremer ao menor sopro; vinha por vezes um vago cheiro de violetas, misturado ao perfume adocicado das flores do campo; o alto repuxo cantava; e nas ruas do jardim, bordadas de buxos baixos, a areia fina faiscava de leve àquele Sol tímido de Primavera tardia, que ao longe envolvia os verdes da quinta, adormecida a essa hora de sesta numa luz fresca e loira.




 

— Com franqueza, aqui para nós, que ideia foi esta de ir a Sintra?

Carlos gracejou. O maestro jurava o segredo pela alma melodiosa de Mozart e pelas fugas de Bach? Pois bem, a ideia era vir a Sintra, respirar o ar de Sintra, passar o dia em Sintra... Mas, pelo amor de Deus, que o não revelasse a ninguém!












E ele ria; ria contínuo! Era rir diabólico o do bobo: porque nunca deixava de ir pulsar dolorosamente as fibras de algum coração. Os seus ditos satíricos, ao passo que suscitavam a hilaridade dos cortesãos, faziam sempre uma vítima.












 

Meus dias de rapaz, de adolescente,
Abrem a boca a bocejar, sombrios:
Deslizam vagarosos, como os Rios,
Sucedem-se uns aos outros, igualmente.















Quando o coração é de gelo, a razão dirige desafogada, imperturbável, em linha recta, o caminho da vida; quando a razão abdica e o coração domina, o movimento é irregular, mas livre; caprichoso, mas resoluto; funesto, mas incessante; porém se o coração e a cabeça medem forças iguais, a cada momento param para lutar, como atletas destemidos. De qualquer lado que tenha de se decidir a vitória, será disputada, até ao último instante, pelo contendor vencido; a pausa terá sido inevitável; a reacção enérgica; e a crise violenta.

 


 




Dois homens ergueram o morto ao alto sobre a amurada. Deram-lhe o balanço para o arremessarem ao longe. E, antes que o baque do cadáver se fizesse ouvir na água, todos viram, e ninguém já pôde segurar Mariana, que se atirara ao mar.
À voz do comandante desamarraram rapidamente o bote, e saltaram homens para salvar Mariana.

Salvá-la!...

Viram-na, um momento, bracejar, não para resistir à morte, mas para abraçar-se ao cadáver de Simão, que uma onda lhe atirou aos braços.


 

 




O homem da Maria da Viela viveu e morreu piteireiro. Nunca falava: sorria sempre, com o olho pisqueiro, o ar satisfeito, o cachimbo de barro metido na goela. Quanto ganhou, quanto estafou na taberna. Ela barafustava e não sei se lhe batia. Ia-o buscar à loja e levava-o aos empurrões para casa, ralhando todo o caminho -- e ele, calado, inalterável, a cuspinhar, numa satisfacão interior e perfeita. Todas as noites saía a barra sozinho, dentro do caíque, a remo ou a vela, e a cair de bêbado. Voltou sempre -- mar manso, mar ruim -- e nunca deixou de trazer peixe para beber. Um dia, com medo a um desastre, não o deixaram mais ir ao mar.





A gente começou de se juntar a ele e era tanta, que era estranha cousa de ver. Nom cabiam pelas ruas principais e atravessavam lugares escusos, desejando cada um de ser o primeiro; e, perguntando uns aos outros «quem matava o Mestre?», nom minguava quem respondesse que o matava o conde João Fernandes, permandado da rainha.










À medida que o Sol ia subindo, no céu glorioso e fulvo, iam os dois conduzindo as ovelhas para os sítios mais ensombrados para se livrarem daestiagem, que ia valente. Calor de rachar, ali por volta do meio-dia, que foi quando tomaram para a banda das azinheiras, e para os pinheirais, depois. E sempre ao lado um do outro, os dois companheiros levaram de conversa quase o dia inteiro. Nunca tinham dado fé que as horas passassem tão depressa. Ainda armaram aos pássaros, mas foi o mesmo que nada: os demónios andavam espantados e já conheciam as esparrelas.

 


 

 

publicado por annualia às 09:00
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