Domingo, 9 de Agosto de 2009

Raul Solnado (1929-2009)

 

Comediante português e figura de referência do humor português (Lisboa, 19.10.1929 – ibid., 8.8.2009). Iniciou-se, como amador, em 1947, no Grupo Dramático da Sociedade de Instrução Guilherme Cossul. Profissional desde 1952, notabilizou-se como artista de variedades (após O Sol da Meia-Noite, no Maxime) e teatral (opereta — Maria da Fonte no Monumental, em 1953; comédia — A Irmã S. Sulpício no Apolo, em 1954; e revista — com destaque para Bate o Pé no Maria Vitória, com A Guerra de 1908, em 1961). O sucesso como humorista consolidou-se nos espectáculos a solo, na rádio e nas gravações em disco (A Guerra, História da Minha Vida, Poema do Egocentrista, Poema do Que Ela Me Disse, Médico, Frica e os Leopoldos, É do Inimigo?, Concerto de Violino, Bombeiral da Moda, A Maternidade). A partir de 1963, foi figura indispensável no teatro para televisão, em Portugal e no Brasil. Em 1964-1970, construiu e foi empresário do Teatro Villaret, onde levou à cena grandes êxitos, como a sua interpetação do Tartufo de Molière. A sua popularidade culminou com a apresentação de programas de televisão, que constituem marcos históricos nos respectivos géneros: Zip-Zip (talk show, 1969) e A Visita da Cornélia (concurso, 1977). Em 1991, foi publicada a sua biografia com o título A Vida Não Se Perdeu. Em 2002, quando completou 50 Anos de Carreira, foi homenageado com a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa. A 10 de Junho de 2004, recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Raul Solnado era director da Casa do Artista, em Lisboa, instituição que ajudou a fundar, em 1999.

No cinema, integrou o elenco de, por exemplo, A Garça e a Serpente (1952, de Arthur Duarte), Ar, Água e Luz (1956, de Fernando Garcia), O Noivo das Caldas (1956, de Arthur Duarte), Perdeu-se Um Marido (1956, de Henrique Campos), Sangue Toureiro e O Tarzan do 5.o Esquerdo (1958, de Augusto Fraga), As Pupilas do Senhor Reitor (1960, de Perdigão Queiroga), Dom Roberto (1962, de Ernesto de Sousa), O Milionário (1962, de Perdigão Queiroga), A Família Barata (1961, série televisiva), A Fronteira (1969, televisão),  Balada da Praia dos Cães (1986, de José Fonseca e Costa), A Mala de Cartão/La Valise en Carton (1986, de Michel Win), Resposta a Matilde (1986, televisão), O Bobo (1987, de José Álvaro Morais), Bâton (1988, televisão), Conto de Natal (1988, televisão), Lá em Casa Tudo Bem (1988, de Nuno Teixeira, série televisiva), Topaze (1988, série televisiva); Aqui d’El-Rei! (1991, de António Pedro Vasconcelos), Meu Querido Avô (1997, de Fernando Ávila, série televisiva), Requiem (1998, de Alain Tanner), Senhor Jerónimo (1988, de Inês de Medeiros), Facas e Anjos (2000, de Eduardo Guedes, televisão), Ilha dos Amores (2007, série televisiva), Call Girl (2007, de António-Pedro Vasconcelos), América (2009, de João Nuno Pinto).


* Ler crónica de Pedro Mexia no Público aqui.

 

 

 Informação recolhida na Enciclopédia Verbo-Edição Século XXI.

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John Hughes (1950-2009)


Argumentista, produtor e realizador norte-americano (Lansing, Michigan, 18.2.1950 - Nova Iorque, 6.8.2009) mais conhecido pela história de Home Alone (Sozinho em Casa: 1990, 1992, 1997, 2002), mas reconhecido também pelo argumento de comédias como Class Reunion (1982, de Michael Miller), European Vacation (1985, de Amy Heckerling), Pretty in Pink, Some Kind of Wonderful e The Great Outdoors (1986, 1987 e 1988, de Howard Deutch), Career Opportunities (1991, de Bryan Gordon), Beethoven 1, 2, 3, 4 e 5 (1992, 1993, 2000, 2001 e 2003, de Brian Levant, Rod Daniel, David M. Evans e Mark Griffiths respectivamente), Miracle on 34th Street (1994, de Les Mayfield), Just Visiting (2001, de Jean-Marie Poiré), Maid in Manhattan (2002, de Wayne Wang). John Hughes escreveu, produziu e realizou Sixteen Candles (1984), The Breakfast Club (1985), Weird Science (1985),  Ferris Bueller's Day Off (1986), Planes, Trains & Automobiles (1987), She's Having a Baby (1988), Uncle Buck (1989) e Curly Sue (1991).

 

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Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Dom DeLouise (1933-2009)

 

Actor, realizador, autor e gastrónomo americano (Brooklyn, Nova Iorque, 1.8.1933 – Santa Mónica, Califórnia, 4.5.2009) Formado na High School of Performing Arts, estreou-se off-Broadway numa produção de Little Mary Sunshine e na Broadway, em 1968, como protagonista de Last of the Red Hot Lovers. No mesmo ano foi para o ar, na CBS, The Dom DeLuise Variety Show, experiência que repetiu, no canal ABC, com Dom DeLuise and Friends (1983-1990). Apareceu no cinema em Fail Safe (1964, de Sidney Lumet), a que se seguiram outros filmes como The Glass Bottom Boat (1966, de Frank Tashlin), The Busy Body (1967, de William Castle), What's So Bad About Feeling Good (1968, de George Seaton), Norwood (1970, de Jack Haley Jr.), Who is Harry Kellerman and Why Is He Saying Those Terrible Things About Me? (1971, de Ulu Grosbard), The Adventure of Sherlock Holmes' Smarter Brother (1975), The World's Greatest Lover (1977, de Gene Wilder), The End (1978, de Burt Reynolds), Fatso (1980, de Joan Bancroft), Haunted Honeymoon (1986, de Gene Wilder), salientando-se em particular em muitas das comédias de Mel Brooks, como The Twelve Chairs (1970), Blazing Saddles (1974), Silent Movie (1976), History of the World - Part 1 (1981), Spaceballs (1987) e Robin Hood: Men in Tights (1993). Foi também a voz de «Tiger» no filme de animação de An American Tail (1991, de Don Bluth) e passou para o lado de trás da câmara com Hot Stuff (1979). Foi também autor de dois livros de cozinha (Eat This e Eat This Too) e de diversos livros infantis (Charlie the Caterpillar, Goldilocks, King Bob's New Clothes, The Pouch Potato, entre outros).

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Sábado, 25 de Abril de 2009

Beatrice Arthur (1922-2009)

 

Actriz americana (Nova Iorque, 3.5.1922 – Los Angeles, 25.4.2009) que se distinguiu sobretudo no teatro – a sua carreira conheceu o ponto de viragem na Broadway, em 1964, numa produção de Fiddler on the Roof, e, em 1966, o seu desempenho no musical Mame valeu-lhe a atribuição de um Tony – e na televisão, onde desempenhou personagens marcadas pelo humor, rápido e ácido. No princípio da década de 1970, participou na série All in the Family, na pele de Maude, a prima liberal de Edith Bunker, que levou à criação da sua própria sitcom, Maude (1972-1978), pela qual foi premiada com um Emmy. Depois de passagens episódicas por várias séries (por exemplo, em Soap, 1980) e da série Amanda’s (1983), regressou ao êxito com a série The Golden Girls (1985-1992). Participou também em alguns filmes: For Better or Worse (1985, de Jason Alexander) e Enemies of Laughter (2000, de Joey Travolta).


 

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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Bob Spiers (1945-2008)

 

Realizador britânico (Glasgow, 27.9.1945 - Widecombe, Devon, 8.12.2008) que se notabilizou na direcção de sitcoms de grande popularidade, apesar de se apoiarem num humor não convencional, como é exemplo a segunda série de Fawlty Towers (1979). Spiers dirigiu também diversos episódios de It Ain't Half Hot, Mum (1976), Are You Being Served? (1977-1983) e The Goodies (1977-1982). No lançamento de Channel Four lançou um espaço de humor alternativo, chamado The Comic Strip Presents... (1982-1988). Num registo diferente, desta vez dirigido a um público infantil, realizou Press Gang (1989-1993). Para a BBC, dirigiu 15 episódios de French and Saunders (1988-93), série contemporãnea de uma outra, que também dirigiu, Murder Most Horrid (1991-1994). Outras séries de televisão incluem Joking Apart (1993, 1995) e Bottom (1995). No cinema, Spiers realizou três filmes: para a Disney fez That Darn Cat (1997), seguindo-se Spice World, com as Spice Girls (1997) e a comédia Kevin of the North (2001).
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Domingo, 8 de Junho de 2008

Dino Risi (1916-2008)

Realizador italiano (Milão, 23.12.1916 - Roma, 7.6.2008). Foi assistente de reali­zação, crítico de cinema e jornalista, escreveu romances e colaborou em argumentos de filmes. «Mestre da ‘co­mé­dia italiana’, a sua obra revela a contínua tensão entre uma vida ambicionada e a crueldade do mundo real, vista com humor amargo-doce, numa linha narrativa desenvolta e pequenos apontamentos, evoluindo posteriormente para um inesperado registo dramático.» (Luís de Pina.) Em Esercizi di stile (1996), conta por catorze vezes o final da mesma história de amor no estilo característico de igual número de géneros diferentes: comédia, western, filme negro, thriller, etc. Mas as suas obras mais importantes são Una Vita Difficile (1961), Il Sorpasso (1962), Mordi e Fuggi (1973), Profumo di Donna (1974), Primo Amore (1978) e Caro Papà (1979). Em 2002, a sua carreira, que nem sempre teve o reconhe­cimento que mereceria, foi premiada com o Leão de Ouro do Festival de Veneza. Algumas obras: Vacanze col gangster (1951), Pane, Amore e... (1955), Un Amore a Roma (1960), I mostri (1963), Operazione San Gennaro (1967), La Moglie del prete (1971), In Nome del Popolo ita­liano (1971), Sessomatto (1973), La Vita Continua (1984).
 
Una vita difficile

 

 

 

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Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

William Shakespeare nasceu há 444 anos

William Shakespeare terá nascido a 23 de Abril de 1564 (m. 23.4.1616). É uma das figuras de maior relevo da literatura universal. Nasceu em Stratford-upon-Avon, onde fez os seus estudos, mas é partir do momento em que se instala em Londres (sabe-se que já aí residia em 1592) que o seu percurso, desde logo ligado ao teatro, pode ser seguido mais de perto. Aí trabalhou como actor na companhia Lord Chamberlain's Men que, em 1603, se transformaria em The King´s Men, a companhia que haveria de dominar o panorama teatral inglês durante grande parte do século, instalada no Globe Theatre e dispondo dos melhores actores do tempo, como Richard Burbage. Shakespeare permaneceria sempre associado a este grupo quer como autor, quer como «company sharer», isto é, participando da sua direcção.
*
*
TÍTULOS
PRIMEIRAS
REPRESENTAÇÕES
Henrique VI
1589/92
The Comedy of Errors
1592/93
Ricardo III
1592/93
The Taming of the Shrew
1593/94
The Two Gentleman of Verona
1594/95
Love's Labour Lost
1594/95
Romeo and Juliet
1594/95
A Midsummer Night’s Dream
1595/96
Richard II
1595/96
The Merchant of Venice
1596/97
King John
1596/97
Henrique IV
1597/98
Much Ado About Nothing
1598/99
Henry V
1598/99
As You Like It
1599/1600
Julius Caesar
1599/1600
Hamlet
1600/01
The Merry Wives of Windsor
1600/01
Twelfth Night
1601/02
Troilus and Cressida
1601/02
All´s Well That Ends Well
1602/03
Othello
1604/05
Measure for Measure
1604/05
King Lear
1605/06
Macbeth
1605/06
Antony and Cleopatra
1606/07
Coriolanus
1607/08
Timon of Athens
1607/08
Pericles
1608/09
Cymbeline
1609/10
The Winter's Tale
1610/11
The Tempest
1611/12
The Two Noble Kinsmen
1612/13
Henrique VIII
1612/13

*

*

O génio de Shakespeare manifesta-se em vários planos e nos vários géneros de teatro que abordou. Todavia, são as tragédias, principalmente as que escreveu entre 1600 e 1605 -- Hamlet, Othello, King Lear e Macbeth --, que parecem reunir de forma exemplar os elementos mais perturbantes do seu teatro. A condição humana, o destino, as paixões, o poder, a traição e a perfídia, a verdade e a mentira, são temas recorrentes que, no seu conjunto, constituem uma densa análise do Homem e daquilo que o move. Daí que ressalte delas um elevado grau de universalidade e intemporalidade, isto é, verifica-se que os problemas nela representados ultrapassam as circunstâncias do tempo e do espaço em que foram colocados. Hamlet, por exemplo, transporta consigo um simbolismo que quase se autonomizou da própria peça, quase se tornou uma personagem real, conhecido mesmo de quem nunca leu ou viu a tragédia shakespeariana, podendo mesmo ser citado. Frases como «ser ou não ser, eis a questão» (to be or not to be that is the question) ou «algo está podre no reino da Dinamarca» (something is rotten in the state of Denmark) circulam independentemente do contexto em que foram produzidas. As grandes tragédias de Shakespeare têm sempre sido uma fonte inesgotável de novas interpretações e abordagens.
*
*
*

Hamlet. To be, or not to be — that is the question:

Whether 'tis nobler in the mind to suffer

The slings and arrows of outrageous fortune

Or to take arms against a sea of troubles,

And by opposing end them. To die — to sleep —

No more; and by a sleep to say we end

The heartache, and the thousand natural shocks

That flesh is heir to. 'Tis a consummation

Devoutly to be wish'd. To die — to sleep.

To sleep — perchance to dream: ay, there's the rub!

For in that sleep of death what dreams may come

When we have shuffled off this mortal coil,

Must give us pause. There's the respect

That makes calamity of so long life.

For who would bear the whips and scorns of time,

Th' oppressor's wrong, the proud man's contumely,

The pangs of despis'd love, the law's delay,

The insolence of office, and the spurns

That patient merit of th' unworthy takes,

When he himself might his quietus make

With a bare bodkin? Who would these fardels bear,

To grunt and sweat under a weary life,

But that the dread of something after death —

The undiscover'd country, from whose bourn

No traveller returns — puzzles the will,

And makes us rather bear those ills we have

Than fly to others that we know not of?

Thus conscience does make cowards of us all,

And thus the native hue of resolution

Is sicklied o'er with the pale cast of thought,

And enterprises of great pith and moment

With this regard their currents turn awry

And lose the name of action...

*

*

«Ser ou não ser, eis a questão! O que será mais nobre para o espírito humano: sofrer os ataques e as frechadas da fortuna adversa, ou pegar em armas contra um mar de dores e, enfrentando-as, pôr-lhes termo? Morrer... dormir; mais nada! E dizer que se acaba com as penas do coração e mil choques de que é herdeira a carne! Eis um fim a desejar ardentemente. Morrer... dormir! Dormir... Sonhar talvez! Aí é que está o problema! Porque há que pensar nos sonhos que virão nesse sono da morte, quando nos libertarmos desta mortal crisálida! É este raciocínio que nos leva à desgraça de uma vida tão longa! Pois quem suportaria as chicotadas e o desprezo do mundo, a injúria do opressor, a afronta do soberbo, as ferroadas do amor incompreendido, as delongas da justiça, a insolência dos funcionários e o coice que o mérito paciente recebe dos indignos, quando se podia buscar repouso com a ponta de um punhal? Quem aguentaria tão pesado fardo, gemendo e suando, sob o peso de uma vida tão trabalhosa, se não fosse o pavor do que existe para lá da morte — essa região desconhecida cujas fronteiras nenhum viajante volta a atravessar —, temor que embaraça a vontade e nos obriga a suportar os males que conhecemos, em vez de corrermos para outros de que não sabemos nada? Assim a consciência faz cobardes de nós todos, e assim o primeiro impulso da reolução esfuma-se no pensamento, e as tentativas de força e energia, perante este raciocínio, mudam o seu curso e perdem o nome de acção...» (tradução de Ricardo Alberty).

 

 

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