Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Prémio Orange/ Marilynne Robinson

 

Marilynne Robinson (n. 1943) é autora dos romances Housekeeping (1981), seleccionado pela revista Observer como um dos 100 melhores romances de sempre, distinguido com o prémio PEN/Hemingway para o primeiro romance e nomeado para o Pulitzer, Gilead (2004) que venceu o Pulitzer e o National Book Critics Circle Award. Escreveu dois livros de ensaios: Mother Country: Britain, the Welfare State, and Nuclear Pollution (1989) e The Death of Adam: Essays on Modern Thought (1998) Com Home (2008), venceu o Orange Prize, destinado a premiar um romance escrito por uma mulher de qualquer nacionalidade, escrito em inglês e publicado no ano anterior no Reino Unido.

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Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Prémio Camões/ Arménio Vieira


Poeta cabo-verdiano de seu nome completo Arménio Adroaldo Vieira e Silva (n. Praia, 29.1.1941). Estudante liceal até ao 6.º ano em São Vicente, a actividade de meteorologista fixou-o na ilha natal de Santiago, onde também fez jornalismo e foi professor de Português. Quando, em 1964, tem de sair de Cabo Verde para servir militar em Portugal, já o seu nome figura entre a «novíssima» geração de poetas que, através de uma página literária de vida efémera -- «Seló» (duas edições em 1962) -- do jornal Notícias de Cabo Verde, se propunha como um movimento renovador que, sem ruptura com as coordenadas estéticas e socioculturais dos movimentos da Claridade e da Certeza, convocasse a consciência colectiva pela «necessidade de protestar e dar alarme» perante as crises típicas dos «flagelados do vento leste».

Arménio Vieira assume vigorosamente a «sua» consciência, opondo (ou substituindo) à tópica anterior do evasionismo e da resignação o «poema/ que se há-de escrever/ na hora exacta/ em que os homens despertarão/ para uma vida plena/ de consciência da terra». Esta «consciência» trasmuda-se para um cosmopolitismo europeizante no seu único romance, No Inferno, o qual, «marimbando na lógica e no encadeamento natural dos acontecimentos, umas vezes com base em ocorrências de natureza autobiográfica e outras vezes a partir de ideias e motivos tomados de empréstimo a uma vasta literatura pretérita», se definiria como um anti-romance. Está incluído em várias antologias e revistas, designadamente em Cabo Verde (1962 e 1978), Mákua (1963), Vértice (1971), no Reino de Caliban (Manuel Ferreira, 1975), Raízes (Cabo Verde, 1978), Contratempo (Luís Romano, 1982), África (1986) e 50 Poetas Portugueses (Manuel Ferreira, 1989). Prefaciou, em 1987, o livro de Baltazar Lopes, Os Trabalhos e os Dias, e publicou em livro: Cabo Verde (1979), Cântico Geral (1981), Poemas (1981), O Eleito do Sol (1989, 1992), No Inferno (2001), MITOgrafias (2006).

Leonel Cosme
em Biblos - Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa
(volume 5, cols. 846-847, Lisboa, 2005)

Ver notícia no Público

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Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Ler é um prazer. Ver também.

[Castro.JPG]

Verbo Clássicos: descubra o esplendor das novas capas aqui.


 

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Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Prémio Booker Internacional/ Alice Munro

 
Escritora canadiana (n. Wingham, Ontário, 1931) que se estreou com uma colectânea de contos, Dancy of the Happy Shades (1968), que logo mereceu ser distinguida com o mais alto prémio literário canadiano, o Governor’s General Award. Outros livros seus foram premiados, como Lives of Girls and Women (1971), Who Do You Think You Are? (1978) ou The Progress of Love (1986). Com The Beggar Maid (1980) integrou a lista final dos candidatos ao Prémio Booker. 

Outras obras: The Moons of Jupiter (1982), Friend of My Youth (1990), Open Secrets (1994), The Love of a Good Woman (1998, Giller Prize), Hateship, Friendship, Courtship, Loveship. Marriage (2001), No Love Lost (2003), Runaway (2004, Giller Prize), The View of Castle Rock (2006). As duas obras vencedoras do Giller Prize foram publicadas em tradução portuguesa pela Relógio d’Água.

 

PRÉMIO BOOKER INTERNACIONAL

Um dos mais prestigiosos prémios literários do mundo, o Booker Prize é, na sua versão original, atribuído a ficcionistas da Commonwealth ou da República da Irlanda, garantindo aos autores premiados um elevadíssimo número de leitores e aos editores um mercado mais alargado. O Prémio é actualmente patrocinado pelo Grupo Man, uma empresa de corretagem e investimentos. Em Junho de 2005, foi atribuída pela primeira vez a versão internacional do Booker Prize, a Ismail Kadaré, seguido de Chinua Achebe, em 2007.

O júri da edição de 2009 do The Man Booker Prize International foi constituído pelos escritores Jane Smiley (presidente), Amit Chaudhuri e Andrei Kurkov. Entre os outros candidatos estavam escritores como Peter Carey, V. S. Naipaul, E. L. Doctorow, Mario Vargas Llosa, Joyce Carol Oates e Antonio Tabucchi.

 

 

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Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Mario Benedetti (1920-2009)

 Mario Benedetti

Escritor uruguaio (Paso de los Toros, Tacuarembó, 14.9.1920 – Montevidéu, 17.5.2009). Depois de um primeiro livro de poesia (La víspera indeleble, 1945), em 1948 dirigiu a revista literária Marginalia. A sua obra, reconhecida internacionalmente sobretudo a partir do romance La tregua (1960), depois passado ao cinema por Sergio Renán, reparte-se pela poesia, o conto, o teatro, o romance e o ensaio. Director do Departamento de Literatura Hispano-americana da Faculdade de Humanidades e Ciências da Universidade da República, as vicissitudes da política no seu país forçam-no ao exílio, a partir de 1973, na Argentina, Perú, Cuba e Espanha, regressando ao Uruguai em 1983, onde integrou a redacção de uma nova revista literária, Brecha, iniciando o que ele próprio designou como «desexílio».
Em 1987, recebeu, em Bruxelas, o prémio da Amnistia Internacional pelo romance Primavera con una esquina rota (1982), e, em 1989, foi distinguido com a Medalla Haydeé Santamaría, concedida pelo Estado cubano, onde criara e dirigira (1968-1971) o Centro de Pesquisas Literárias da Casa de las Américas. Em 1999, foi-lhe concedido o Prémio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana e, em 2000, o Prémio Iberoamericano José Martí. A Universidade Internacional Menéndez Pelayo distinguiu-o, em 2005, com o Prémio Internacional Menéndez Pelayo.

Algumas obras: Peripecia y novela (ensaio, 1948), Esta mañana (contos, 1949), Sólo mientras tanto (poesia, 1950), Quien de nosotros (romance, 1953), Poemas de la Oficina (1956), El reportaje (teatro, 1958), Cuentos montevideanos (1959), El país de la cola de paja (ensaio, 1960), Inventario Uno (poesia, 1963), Noción de patria (poesia, 1963), Ida y vuelta (teatro, 1963), Gracias por el fuego (romance, 1965), Contra los puentes levadizos (poesia, 1966), Los poemas comunicantes (1971), El cumpleaños de Juan Ángel (romance, 1971), Letras de emergencia (1973), El escritor latinoamericano y la revolución posible (ensaio, 1974), Con y sín nostalgía (contos, 1977), La casa y el ladrillo (poesia, 1977), Pedro y el Capitán (teatro, 1979), Viento del exilio (poesia, 1981), Andamios (romance, 1997), El olvido está lleno de memoria (poesia, 1995), Existir todavía (poesia, 2003), Defensa propia (poesia, 2004), Adioses y bienvenidas (poesia, 2005), Canciones del que no canta (poesia, 2006).

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Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Nebula Award/ Ursula K. Le Guin

 Ursula K. Le Guin -- Photo by Eileen Gunn
Escritora americana (n. Berkeley, Califórnia, 1929), filha do antropólogo Alfred Kroeber e da escritora Theodora Kroeber, que se destacou sobretudo pelos seus livros de ficção científica e da fantasia, embora a sua bibliografia inclua poesia, ensaio, livros infantis e juvenis. Movendo-se em géneros e subgéneros considerados menores, a escrita de Ursula K. Le Guin confere-lhes uma dignidade literária que a tem elevado ao nível dos grandes ficcionistas de língua inglesa. Entre as suas obras mais conhecidas e universalmente traduzidas estão, entre muitos outras, The Left Hand of Darkness (1969), The Dispossessed (1975), Always Coming Home (1985), The Telling (2000), Searoad (contos, 1991) ou a série«Books of Earthsea». Finalista do Pulitzer, foi já distinguida com o National Book Award e uma quantidade apreciável de outros galardões literários, tendo agora recebido o seu sexto Prémio Nébula pelo livro Powers (2007) que, com Gifts (2004) e Voices (2006), forma «The Annals of the Western Shore». Entre os seus livros mais recentes estão Incredible Good Fortune: New Poems (2006) e Lavinia (2008). Outros livros aqui.

 

 

 

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Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

J. G. Ballard (1930-2009)

 

James Graham Ballard, escritor britânico (Xangai, 15.11.1930 - 19.4.2009) que não precisaria da adaptação cinematográfica dos seus romances Crash (David Cronenberg) e Empire of the Sun (Steven Spielberg) para conquistar um círculo de fiéis admiradores, embora esses filmes tenham contribuído para a sua celebridade internacional. Em muitos dos seus livros, por vezes polémicos, a violência, o sexo, a tecnologia ou as catástrofes, surgem como factores - numa espécie de cartografia de esperanças e terrores do século xx -, que arrastam a vida das pessoas para fora do seu curso normal e a alteram drasticamente.

Algumas obras: The Wind from Nowhere (1961), The Drowned World (1962), The Burning World (ou The Drought, 1964), The Crystal World (1966), The Atrocity Exhibition (contos, 1970), Vermilion Sands (contos, 1971), Crash (1973), Concrete Island (1974), High-Rise (1975), The Unlimited Dream Company (1979), Hello America (1981), Empire of the Sun (1984), A User’s Guide to the Millennium (não ficção, 1996), The Day of Creation (1987), Running Wild (1988), The Kindness of Women (1991), Rushing to Paradise (1994), Cocaine Nights (1996), Super-Cannes (2000), J.G. Ballard: The Complete Short Stories (2001), Millennium People (2003), Kingdom Come (2006), Miracles of Life (não ficção, 2008).


Porta para o universo ballardiano aqui.

 

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Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

Maurice Druon (1918-2009)

Escritor francês (Paris, 23.4.1918 – ibid., 14.4.2009), em cuja ascendência se contam o poeta Charles Cros e o romancista Joseph Kessel, com quem compôs, em 1943, o célebre Chant des Partisans. Saíu de França em 1942 (passando por Espanha e Portugal) para se juntar à resistência em Londres. Foi ajudante-de-campo do general d’Astier de La Vigerie, ocupando outros cargos e desempenhando missões diversas até ao final da guerra. Consagrado à carreira literária, recebeu o Prémio Goncourt (1948) pelo romance Les Grandes Familles, a primeira de numerosas distinções literárias e não literárias, como a Grã-Cruz da Legião de Honra. Em 1966 foi eleito para a Academia Francesa (ocupando a cadeira de Georges Duhamel), da qual era actualmente Secretário Perpétuo honorário.
Algumas obras: Lettres d’un Européen (ensaio, 1944), La Dernière Brigade (romance, 1946), Les Grandes Familles (romance, 1948), La Chute des corps/ Les Grandes Familles II (romance, 1950), Rendez-vous aux enfers/ Les Grandes Familles III (romance, 1951), Remarques (1952), Un voyageur (comédia em um acto, 1952), Le Coup de grâce (melodrama em três actos, com J. Kessel, 1953), La Reine étranglée/ Les Rois maudits II (romance, 1955), Le Roi de fer/ Les Rois maudits I (romance, 1955), Les Poisons de la couronne/ Les Rois maudits III (romance, 1956), La Loi des mâles/ Les Rois maudits IV (romance, 1957), Alexandre le Grand (romance, 1958), La Louve de France/ Les Rois maudits V (romance, 1959), Le Lis et le Lion/ Les Rois maudits, VI (romance, 1960), Théâtre (1963), Les Mémoires de Zeus (romance mitológico, 1963), Bernard Buffet (ensaio, 1964), Paris, de César à Saint Louis (ensaio, 1964), Le Pouvoir (notas e máximas. 1965), Le Bonheur des uns (novelas, 1967), L’Avenir en désarroi (ensaio, 1968), Lettres d’un Européen et Nouvelles Lettres d’un Européen, 1943-1970 (ensaio, 1970), La Parole et le Pouvoir (1974), Œuvres complètes, 25 volumes (1977), Quand un Roi perd la France/ Les Rois maudits VII (romance, 1977), Réformer la démocratie (1982), La Culture et l’État (1985), Lettre aux Français sur leur langue et leur âme (1994), Circonstances (1997, 1998 e 1999), La France aux ordres d’un cadavre (2000), Ordonnances pour un État malade (2002), Mémoires. L'aurore vient du fond du ciel (2006).

 

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Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Corín Tellado (1927-2009)

 

María del Socorro Tellado López, conhecida como Corín Tellado (Viavélez, 25.4.1927 – Gijón, 11.4.2009) foi autora de cerca de 4 mil novelas e romances de amor, cujas vendas ascendem a 400 milhões de exemplares. O seu êxito foi de tal ordem de grandeza que, como acontece com outros produtos muito populares, o seu nome foi durante algum tempo sinónimo do livro «cor-de-rosa». A sua primeira obra publicada foi Atrevida apuesta, em 1947, início de uma carreira que teve períodos alucinantes em que, contratualmente, tinha de escrever uma história por semana. Em 2007, teve lugar uma exposição que, justamente, celebrou «Corín Tellado. 60 años de novela de amor». Nos anos 60, teve grande êxito a colecção «Corín Ilustrada», que introduziu o conceito de «fotonovela» ou «foto romance» e chegou a vender 750 mil exemplares por semana. Alguns dos títulos foram mesmo passados ao cinema, como foi o caso de Tengo que abandonarte (1970, de Antonio del Amo). Sob pseudónimo (Ada Miller Leswy e Ada Miller), Corín Tellado publicou, em finais dos anos 70, uma série de novelas eróticas, supostamente traduzidas do inglês.

Ver mais sobre a autora aqui.


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Sábado, 4 de Abril de 2009

Norte em pré-publicação nos Blogtailors

 

Clique na capa para ver as informações e o excerto publicado pelos Blogtailors - o blogue da edição.

 

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Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Verbo Clássicos: as outras capas





 







 



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Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Verbo Clássicos: espaço para os Grandes Livros

 

Autores e obras clássicos são aqueles que não passam com o tempo. São autores e obras que nunca deixam de prosseguir o seu caminho.
Autores e obras – antigos ou modernos – exemplares:
de uma época, de uma escola, de um gosto, de uma tendência,
de um estilo, de um movimento, de um género,
de uma fidelidade ou de uma ruptura,
de um pensamento, de um engenho,
de um certo génio ou temperamento,
enfim, de um Autor.

Editar os clássicos é uma tarefa sempre urgente.

Bem editar os clássicos, com boas introduções, cuidado e gosto gráficos, num formato confortável e a um preço acessível, constitui uma atitude cultural e uma inciativa editorial de inestimável valor.


OS OITO PRIMEIROS

 

O dia fora convidava, adorável, de um azul suave, muito puro e muito alto, sem uma nuvem. Defronte do terraço os gerânios vermelhos estavam já abertos; as verduras dos arbustos, muito tenras ainda, de uma delicadeza de renda, pareciam tremer ao menor sopro; vinha por vezes um vago cheiro de violetas, misturado ao perfume adocicado das flores do campo; o alto repuxo cantava; e nas ruas do jardim, bordadas de buxos baixos, a areia fina faiscava de leve àquele Sol tímido de Primavera tardia, que ao longe envolvia os verdes da quinta, adormecida a essa hora de sesta numa luz fresca e loira.




 

— Com franqueza, aqui para nós, que ideia foi esta de ir a Sintra?

Carlos gracejou. O maestro jurava o segredo pela alma melodiosa de Mozart e pelas fugas de Bach? Pois bem, a ideia era vir a Sintra, respirar o ar de Sintra, passar o dia em Sintra... Mas, pelo amor de Deus, que o não revelasse a ninguém!












E ele ria; ria contínuo! Era rir diabólico o do bobo: porque nunca deixava de ir pulsar dolorosamente as fibras de algum coração. Os seus ditos satíricos, ao passo que suscitavam a hilaridade dos cortesãos, faziam sempre uma vítima.












 

Meus dias de rapaz, de adolescente,
Abrem a boca a bocejar, sombrios:
Deslizam vagarosos, como os Rios,
Sucedem-se uns aos outros, igualmente.















Quando o coração é de gelo, a razão dirige desafogada, imperturbável, em linha recta, o caminho da vida; quando a razão abdica e o coração domina, o movimento é irregular, mas livre; caprichoso, mas resoluto; funesto, mas incessante; porém se o coração e a cabeça medem forças iguais, a cada momento param para lutar, como atletas destemidos. De qualquer lado que tenha de se decidir a vitória, será disputada, até ao último instante, pelo contendor vencido; a pausa terá sido inevitável; a reacção enérgica; e a crise violenta.

 


 




Dois homens ergueram o morto ao alto sobre a amurada. Deram-lhe o balanço para o arremessarem ao longe. E, antes que o baque do cadáver se fizesse ouvir na água, todos viram, e ninguém já pôde segurar Mariana, que se atirara ao mar.
À voz do comandante desamarraram rapidamente o bote, e saltaram homens para salvar Mariana.

Salvá-la!...

Viram-na, um momento, bracejar, não para resistir à morte, mas para abraçar-se ao cadáver de Simão, que uma onda lhe atirou aos braços.


 

 




O homem da Maria da Viela viveu e morreu piteireiro. Nunca falava: sorria sempre, com o olho pisqueiro, o ar satisfeito, o cachimbo de barro metido na goela. Quanto ganhou, quanto estafou na taberna. Ela barafustava e não sei se lhe batia. Ia-o buscar à loja e levava-o aos empurrões para casa, ralhando todo o caminho -- e ele, calado, inalterável, a cuspinhar, numa satisfacão interior e perfeita. Todas as noites saía a barra sozinho, dentro do caíque, a remo ou a vela, e a cair de bêbado. Voltou sempre -- mar manso, mar ruim -- e nunca deixou de trazer peixe para beber. Um dia, com medo a um desastre, não o deixaram mais ir ao mar.





A gente começou de se juntar a ele e era tanta, que era estranha cousa de ver. Nom cabiam pelas ruas principais e atravessavam lugares escusos, desejando cada um de ser o primeiro; e, perguntando uns aos outros «quem matava o Mestre?», nom minguava quem respondesse que o matava o conde João Fernandes, permandado da rainha.










À medida que o Sol ia subindo, no céu glorioso e fulvo, iam os dois conduzindo as ovelhas para os sítios mais ensombrados para se livrarem daestiagem, que ia valente. Calor de rachar, ali por volta do meio-dia, que foi quando tomaram para a banda das azinheiras, e para os pinheirais, depois. E sempre ao lado um do outro, os dois companheiros levaram de conversa quase o dia inteiro. Nunca tinham dado fé que as horas passassem tão depressa. Ainda armaram aos pássaros, mas foi o mesmo que nada: os demónios andavam espantados e já conheciam as esparrelas.

 


 

 

publicado por annualia às 09:00
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