Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Prémio Nobel da Literatura 2009 para Herta Müller

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Escritora romena de língua alemã (n. Nitzkydorf, Banat, Roménia). Os seus pais integravam a minoria de língua alemã da Roménia. O pai serviu na Wafeen SS durante a II Guerra Mundial. Muitos romenos de língua alemã foram deportados para a União Soviética em 1945, incluindo a mãe de Herta Müller, que passou cinco anos num campo de de trabalho no que é hoje a Ucrânia. Muitos anos depois, em Atemschaukel (2009), a escritora descreveria o exílio dos romeno-germânicos na União Soviética. Entre 1973 e 1976, Herta Müller estudou literatura alemã e romena na Universidade de Timisoara. Durante este período, esteve ligada ao «Aktionsgruppe Banat», um grupo de jovens autores de língua alemã que, em oposição à ditadura de Ceausescu, lutava pela liberdade de expressão. Depois de completar os estudos, trabalhou como tradutora numa fábrica de máquinas, de 1979 a 1979. Foi dispensada depois de se ter recusado a ser informadora da polícia secreta. Após a sua dispensa, foi incomodada pela Securitate.

Herta Müller estreou-se com a colectânea de contos Niederungen (1982), censurada na Roménia. Dois anos depois, publicou a versão integral na Alemanha e, no mesmo ano, Drückender Tango, saiu na Roménia. Nestas duas obras, descreve a vida numa pequena aldeia de língua alemã, minada pela corrupção e a intolerância. A imprensa oficial romena foi muito crítica em relação a estas obras, enquanto, fora da Roménia, a imprensa alemã as recebia muito positivamente. Devido a ter criticado publicamente a ditadura romena, Herta Müller foi proibida de publicar no seu país. Em 1987, emigrou para a Alemanha, com o marido, o escritor Richard Wagner.

Os romances Der Fuchs war damals schon der Jäger (1992), Herztier (1994) e Heute wär ich mir lieber nicht begegnet (1997) dão, com minúcia de pormenores, um retrato da vida quotidiana numa ditadura estagnada.

A escritora tem proferido conferências em universidades e outras instituições, em Paderborn, Warwick, Hamburgo, Swansea, Gainsville (Florida), Kassel, Göttingen, Tübingen e Zürich entre outros lugares. Desde 1995 que é membro da Deutsche Akademie für Sprache und Dichtung, em Darmstadt.

Obras: Niederungen (contos, 1982), Drückender Tango (contos, 1984), Mensch ist ein großer Fasan auf der Welt (romance, 1986), Barfüßiger Februar (narrativa, 1987), Reisende auf einem Bein (1989), Der Teufel sitzt im Spiegel (1991), Der Fuchs war damals schon der Jäger (romance, 1992), Eine warme Kartoffel ist ein warmes Bett (1992), Der Wächter nimmt seinen Kamm : vom Weggehen und Ausscheren (1993), Herztier (romance, 1994), Hunger und Seide (ensaios, 1995), In der Falle (1996), Heute wär ich mir lieber nicht begegnet (romance, 1997), Der fremde Blick oder Das Leben ist ein Furz in der Laterne (1999), Im Haarknoten wohnt eine Dame (2000), Heimat ist das, was gesprochen wird (2001), Der König verneigt sich und tötet (2003), Die blassen Herren mit den Mokkatassen (2005), Atemschaukel (romance, 2009).

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Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Prémio Nobel da Química 2009

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O Prémio Nobel da Química de 2009 aborda um dos processos essenciais à vida: o modo como a informação do ADN se traduz em vida pela acção dos ribossomas. O ribossoma produz proteínas, que por sua vez controlam a química de todos os organismos vivos. Os ribossomas são essenciais à vida e são também um objecto importantíssimo de novos antibióticos. Os vencedores deste ano, Venkatraman Ramakrishnan, Thomas A. Steitz e Ada E. Yonath, mostraram como o ribossoma é e como funciona a nível atómico. Os três usaram um método chamado cristalografia por raios x para mapear a posição de cada um das centenas de milhares de átomos que formam o ribossoma.

No interior de cada célula, de todos os organismos, há moléculas de ADN. Elas contêm a matriz da aparência e do funcionamento dos seres humanos, das plantas ou das bactérias. Porém, a molécula de ADN não é activa. Se não houvesse mais nada, não haveria vida.

As matrizes vão-se transformando em matéria viva através do trabalho do ribossoma. Baseado na informação contida no ADN, o ribossoma produz proteínas: a hemoglobina que transporta oxigénio, os anticorpos do sistema imunitário, hormonas como a insulina, o colagénio da pele, as enzimas que cortam o açúcar. Existem dezenas de milhares de proteínas no corpo e todas têm diferentes formas e funções. Produzem e controlam quimicamente a vida. A compreensão da forma como funciona internamente o ribossoma é importante para a compreensão científica da vida. Este conhecimento pode ter uma utilização prática imediata; muitos dos antibióticos que se usam hoje em dia curam diversas doenças pelo bloqueio da função dos ribossomas bacterianos. Sem ribossomas funcionais, as bactérias não sobrevivem. Esta é a razão pela qual os ribossomas são um alvo importante dos novos antibióticos.

Os três laureados deste ano construiram modelos 3D que mostram como diferentes antibióticos se ligam ao ribossoma. Estes modelos são agora usados pelos cientistas com o objectivo de desenvolver novos antibióticos, que permitam o salvamento de vidas e a diminuição do sofrimento humano.

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Booker Prize 2009/ Hilary Mantel

O romance Wolf Hall. de Hilary Mantel, venceu o Booker Prize deste ano. A acção do romance passa-se nos anos 1520 e conta a história da ascensão de Thomas Cromwell na corte dos Tudor.
Picture of Hilary Mantel

Hilary Mantel é uma escritora inglesa (n. Glossop, Derbyshire, 6.7.1952) que estudou Direito na London School of Economics e na Universidade de Sheffield University. Trabalhou como assistente social e viveu alguns anos no Botswana e na Arábia Saudita, regressando a Inglaterra em meados dos anos 80. Em 1987 foi distinguida com o Shiva Naipaul Memorial Prize por um artigo sobre Jeddah. Fez também crítica de cinema no The Spectator, entre 1987 e 1991. A sua obra inclui os títulos Eight Months on Ghazzah Street (1988), Fludd (1989, o qual venceu o Winifred Holtby Memorial Prize, o Cheltenham Prize e o Southern Arts Literature Prize), A Place of Greater Safety (1992, que foi eleito livro do ano pelo Sunday Express Book), A Change of Climate (1994), An Experiment in Love (1995, vencedor do Hawthornden Prize), The Giant, O'Brien (1998), Giving Up the Ghost: A Memoir (2003), Learning to Talk: Short Stories (2003) e Beyond Black (2005).

 

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Terça-feira, 6 de Outubro de 2009

Prémio Nobel da Física 2009

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O Prémio Nobel da Física deste ano distinguiu dois feitos científicos que ajudaram a moldar as bases das nossas actuais sociedades em rede. Eles criaram muitas inovações concretas do dia-a-dia e deram-nos novos instrumentos de exploração científica. Em 1966, Charles K. Kao fez uma descoberta que conduziu ao avanço da fibra óptica. Ele calculou cuidadosamente como transmitir luz a grandes distâncias através de fibras de vidro ópticas. Com uma fibra do mais puro vidro é possível transmitir sinais luminosos a mais de 100 quilómetros, quando as fibras disponíveis nos anos 60 tinham um alcance de apenas 20 metros. O entusiasmo de Kao inspirou outros investigadores a partilharem a sua visão sobre o potencial futuro da fibra óptica. A primeira fibra ultrapura foi fabricada com êxito apenas quatro anos depois, em 1970.

Hoje, a fibra óptica forma o sistema circulatório que alimenta a nossa sociedade da comunicação. As fibras ópticas de grande rendimento facilitam a comunicação global em banda larga, como acontece com a Internet. A luz flui em finíssimos cabos de vidro, transportando a maioria do tráfego telefónico e de dados em todas as direcções. Texto, música, imagens e vídeo podem ser transferidos, em volta do globo, numa fracção de segundo.

Se desenrolássemos toda a fibra de vidro que existe no mundo, obteríamos um único cabo com mais de um bilião de quilómetros – o suficiente para dar a volta à terra mais de 25 000 vezes –, que aumenta milhares de quilómetros a cada hora que passa.

Uma boa parte deste tráfego é constituído por imagens digitais, que formam a segunda parte do prémio. Em 1969, Willard S. Boyle e George F. Smith inventaram a primeira tecnologia de imagem bem sucedida, usando um sensor digital: um CCD (Charge-Coupled Device). A tecnologia CCD utiliza o efeito fotoeléctrico, tal como teorizado por Albert Einstein, que a ele ficou a dever a atribuição do Prémio Nobel, em 1921. Por este efeito, a luz é transformada em sinais eléctricos. Ao conceber um sensor de imagem, o desafio consiste em reunir e transformar, em muito pouco tempo, os sinais num grande número de pontos, os pixéis.

O CCD é o olho electrónico da câmara digital. Ele revolucionou a fotografia, na medida em que a luz pode agora ser captada electronicamente, em lugar de o ser em filme. A forma digital facilita o processamento e a distribuição destas imagens. A tecnologia CCD é também usada em muita aplicações para medicina, por exemplo para ver o interior do corpo humano, quer com fins de diagnóstico, quer para microcirurgia.

A fotografia digital tornou-se um instrumento insubstituível em muitas áreas de investigação. O CCD criou novas possibilidades de visualizar o que antes não era visível. Deu-nos imagens cristalinas de lugares distantes do nosso universo, bem como da profundeza dos oceanos.

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Prémio Nobel de Medicina 2009

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Este ano o Prémio Nobel de Fisiologia e Medicina foi atribuído a três cientistas que solucionaram uma questão importante no domínio da Biologia: o de saber como os cromossomas podem ser copiados integralmente durante a divisão das células e como estão protegidos contra a degradação. Os laureados com o Nobel mostraram que a solução pode ser encontrada nas extremidades dos cromossomas -- os telomeres -- e na enzima que as fabrica -- a telomerase.
A longa cadeia moléculas de ADN que transportam os nossos genes está contida nos cromossomas, de cujas extremidades os telomeres constituem o topo. Elizabeth Blackburn e Jack Szostak descobriram que uma única sequência de ADN nos telomeres impede os cromossomas de se degradarem.
Carol Greider e Elizabeth Blackburn identificaram a telomerase, a enzima que produz o ADN dos telomeres. Estas descobertas explicam como as extremidades dos cromossomas são protegidas pelos telomeres e que estes são fabricados pela telomerase.
Se os telomeres são encurtados, as células envelhecem. Ao invés, se a actividade da telomerase é intensa, o comprimento dos telomeres é mantido e a senescência celular atrasada. É este o caso das células cancerosas, que podem ser consideradas como tendo uma vida eterna. Certas doenças herdadas, pelo contrário, são caracterizadas por uma telomerase ineficaz, disso resultando células danificadas. A atribuição do Prémio Nobel reconhece assim a descoberta de uma mecanismo fundamental da célula, uma descoberta que tem encorajado o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas.


Ver imagem em alta resolução aqui.


 

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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Juan Carlos Mestre/Prémio Nacional de Poesia (Espanha)

Poeta e artista plástico espanhol (n. Villafranca del Bierzo, León, 1957), cuja obra pictória e gráfica tem sido apresentada na Europa, nos EUA e na América Latina, e que obteve uma menção honrosa na edição de 1999 do Prémio Nacional de Gravura. Como poeta, a sua obra, antes de ter sido distinguida, em 2009, com o Prémio Nacional de Poesia atribuído a La casa roja (2008), já tinha sido objecto de outros galardões: La poesía ha caído en desgracia, obteve o Prémio Jaime Gil de Biedma, em 1992, e La Tumba de Keats (1999), o Prémio Jaén de poesia. Alguns outros títulos da sua obra poética são: Antifona del Otoño en el Valle del Bierzo (2003), El Universo Esta en la Noche (2006), Cuaderno de Roma (2005).

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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Prémio Sophia de Mello Breyner Andresen para Manoel de Barros

O poeta brasileiro Manoel de Barros foi distinguido com o Prémio Sophia de Mello Breyner Andresen, atribuído pela Câmara Municipal de São João da Madeira ao livro Compêndio para uso dos pássaros - Poesia Reunida, 1937-2004. Via Blogtailors.

Manoel de Barros
Auto-retrato falado

Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão,
      aves, pessoas humildes, árvores e rios.
Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar
      entre pedras e lagartos.
Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto 
      meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou 
      abençoado a garças.
Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que
      fui salvo.
Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.
Os bois me recriam.
Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço
      coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.

>>Biografia e Bibliografia de Manoel de Barros aqui.

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Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Prémios Jabuti 2009

Prémio Jabuti 2009 de Poesia

Dois em Um, de Alice Ruiz S.

«Alice Ruiz nasceu em Curitiba, PR, em 22 de janeiro de 1946. Começou a escrever contos com 9 anos de idade, e versos aos 16. Foi "poeta de gaveta" até os 26 anos, quando publicou, em revistas e jornais culturais, alguns poemas. Mas só lançou seu primeiro livro aos 34 anos.» Ver mais aqui.

 

Prémio Jabuti 2009 de Conto

Canalha! (crónicas), de Fabricio Carpinejar

«Poeta e jornalista, mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS. Nasceu em Caxias do Sul (RS). aos 23 de outubro de 1972.» Ver mais aqui.

 

Prémio Jabuti 2009 de Romance

Manual da paixão solitária, de Moacyr Scliar

«Moacyr Jaime Scliar nasceu em Porto Alegre (RS), no Bom Fim, bairro que até hoje reúne a comunidade judaica, a 23 de março de 1937... Publica seu primeiro livro, “Histórias de um Médico em Formação”, em 1962. A partir daí, não parou mais. São mais de 67 livros abrangendo o romance, a crônica, o conto, a literatura infantil, o ensaio, pelos quais recebeu inúmeros prêmios literários. Sua obra é marcada pelo flerte com o imaginário fantástico e pela investigação da tradição judaico-cristã.

(...) Em 31 de julho de 2003 foi eleito, por 35 dos 36 acadêmicos com direito a voto, para a Academia Brasileira de Letras, na cadeira nº 31, ocupada até março de 2003 por Geraldo França de Lima. Tomou posse em 22 de outubro daquele ano, sendo recebido pelo poeta gaúcho Carlos Nejar.» Ver texto integral e bibliografia.

 

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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Prémios Viarregio Rèpaci 2009

NARRATIVA

Quanta stella c'è nel cielo

Edith Bruck

Garzanti

«Quanta stella c’è nel cielo» não é engano, é o primeiro verso de uma balada amarga do jovem Petöfi, o grande poeta húngaro. Estes versos estão entre as poucas coisas que Anita traz consigo, juntamente com memórias dilacerantes. Anita não tem ainda dezasseis anos. É uma sobrevivente dos campos. É bela, sensível, as provações da vida ficaram-lhe gravadas na alma. Está em fuga de um orfanato húngaro.....»

 

POESIA

Libro Grosso

Ennio Cavalli

Nino Aragno Editore

«Uma viagem de escuta por caminhos e florestas, com algumas paragens no deserto». Assim definiu Ennio Cavalli Libro grosso, que reune Libro di storia e di grilli, Libro di scienza e di nani, Libro di sillabe».

 

ENSAIO

Giustizia bendata

Adriano Prosperi

Einaudi

«A venda sobre os olhos, uma atributo da imagem simbólica da justiça como mulher, está no centro do percurso desenhado nas páginas deste livro. Se num célebre poema de Edgar Lee Masters se faz uso dela para criticar a cegueira dos tribunais e a arbitrariedade das sentenças, a venda aparece na iconografia oficial como garantia da imparcialidade e da incorruptibilidade dos juízes». 

 

Página oficial dos prémios aqui.

 

 

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Diego Jesús Jiménez (1942-2009)

 

Poeta espanhol, também ensaísta, jornalista e pintor (Madrid, 24.12.1942 – ibid., 13.9.2009) cuja obra foi distinguida ao mais alto nível. O seu primeiro livro de poesia foi Grito con carne y lluvia (1961), obtendo o Prémio do Clube Internacional de Poesia de Jerez de la Frontera, seguindo-se-lhe La valija (1962) e Ámbito de entonces (1973). Em 1964 for a distinguido com o Prémio Adonais pela obra La ciudad e, em 1968, Coro de ánimas obteve o Prémio Nacional de Poesia. Diversamente premiados foram também os livros Fiesta en la oscuridad (1976), Sangre en el bajorrelieve (1979) ou Interminable imagen (1995). Em 1999, Bajorrelieve foi galardoado com o Prémios Hispano-americano de Poesia Juan Ramón Jiménez. Entre 1996 e 1997, Itinerario para náufragos venceu o Prémio Internacional de Poesia Jaime Gil de Biedma, o Prémio Nacional da Crítica e o Prémio Nacional de Poesia.

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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

Berlim / Prémio Príncipe das Astúrias da Concórdia

 

«A cidade de Berlim, no 20.º aniversário da queda do Muro, foi galardoada com o Prémio Príncipe das Astúrias da Concórdia 2009.
O Muro de Berlim, símbolo da reunificação europeia, constituiu durante décadas a representação mundial da Guerra Fria. A revolução pacífica que conduziu, al 9 de Novembro de 1989, à queda do Muro e posteriormente à reunificação da Alemanha, fascinou desde então milhões de pessoas em todo o mundo, tendo contribuído em grande medida para o restabelecimento do equilíbrio entre Oriente e Ocidente.

A cidade de Berlim, dividida após a II Guerra Mundial em quatro sectores sob o controlo dos Aliados e da União Soviética, converteu-se em sede permanente do confronto ideológico entre Leste e Oeste. A 13 de Agosto de 1961, a República Democrática Alemã iniciou a construção de um muro para isolar o sector ocidental berlinense da RDA e evitar a emigração maciça de cidadãos do Leste para a República Federal. O Muro separou não só ideologias, mas também famílias, vizinhos e amigos. Em 26 de Junho de 1963, o presidente Kennedy proclamou diante do Muro "Ich bin ein Berliner" (Eu sou um cidadão de Berlim) para dizer que o Ocidente compreendia a tragédia da cidade.
A obra sofreu, até 1986, sucessivas reconstruções para reforçar a segurança e, ainda que até à data não existam dados exactos sobre o número de vítimas, mais de 75 000 pessoas foram presas e de pelo menos 138 há a certeza de terem sido mortas ao tentarem escapar, embora se suspeite que outras cem tenham também sido alvejadas durante a fuga.
Em Janeiro de 1989 começaram em Leipzig as primeiras manifestações a reclamar reformas políticas. No Outono eram já milhares os cidadãos que, de forma pacífica, se manifestavam à segunda-feira, sob o lema "Nós somos o povo", reivindicando democracia e liberdade. Em Setembro, a Hungria eliminou as suas restrições fronteiriças com a Áustria para os cidadãos da RDA e dezenas de milhares de alemães cruzarem a nova fronteira aberta na cortina de ferro. A 18 de Outubro, Erich Honecker foi sustituído por Egon Krenz no cargo de secretário-geral e presidente do Conselho de Estado. A 4 de Novembro, meio milhão de pessoas congregou-se na Alexanderplatz, em Berlim Oriental, para exigir reformas no Estado. A força dos protestos de rua pôs a nu o facto de a população não confiar no novo governo.
A 9 de Novembro, perante a pressão insistente da população, especialmente depois das manifestações de Leipzig e Berlim, o Governo da RDA promulgou um plano que autorizava livre-trânsitos para viagens de visita. Milhares de cidadãos juntaram-se ao longo do dia nos postos fronteiriços, exigindo a sua abertura. O Muro caiu nessa noite e constituiu o princípio do fim dos regimes comunistas na Europa de Leste.
A 18 de Março de 1990, realizaram-se as primeiras eleições multipartidárias na RDA, dando lugar a um governo provisório, cujo principal objectivo foi negociar o fim do regime anterior. As negociações bilaterais entre os governos de ambas as Alemanhas conduziram à assinatura, em 18 de Maio, de um acordo para uma etapa de transição, a união económica, social e monetária, que entrou em vigor em 1 de Julho. A Alemanha foi reunificada oficialmente em 3 de Outubro de 1990. Através de um imposto conhecido como "suplemento de solidariedade", o Governo financiou desde 1991 a reconstrução do lado oriental.» Ver mais aqui.

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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Veneza

 

 

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