Sexta-feira, 13 de Março de 2009

Pierre Bourgeade (1927-2009)


Pierre Bourgeade
Escritor e fotógrafo francês (Morlanne, 7.11.1927 - 12.3.2009) cuja obra abrange o drama, a novela e o romance (e dentro do género tambémm o romance negro) e cujo traço distintivo reside na abordagem do erotismo e da religião, sob a forma de fantasmas que assombram os caminhos do amor, incessamente buscado, mas cerceado pelos devaneios do destino, individual e histórico, e pela solidão para que remete.

Algumas obras: Les Immortelles (novela, 1966), New York Party (romance, 1969), Orden (teatro, 1969), L'Aurore boréale (romance, 1973), L'Armoire (romance, 1977), Palazzo Mentale (teatro, 1977), Une ville grise (romance, 1978), Le camp (romance, 1979), Juin 40 (teatro, 1980), Le football, c'est la guerre poursuivie par d'autres moyens (romance, 1981), Les Serpents (romance, 1983), La fin du monde (romance, 1984), Mémoire de Judas (romance, 1985), La Rondelle (romance negro, 1986), Sade, Sainte Thérèse (romance, 1987), L'Empire des livres (romance, 1989), L'Autorisation (teatro, 1995)  Les Âmes juives (romance, 1998), Pitbull (romance negro, 1998), Warum (romance, 1999), Téléphone rose (romance negro, 1999), Crashville (romance negro, 2001), L'Éternel mirage (romance, 2001), Erzébet Bathory (teatro, 2002), Berlin 9 novembre (teatro, 2002), Les Comédiens (romance, 2004), Ça n'arrive qu'aux mourants (romance negro, 2008).

Mais aqui.

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Terça-feira, 3 de Março de 2009

Céline/ trilogia: e vão dois...

 

                                      Norte estará à venda em Abril: esteja atento.


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Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Marie Glory (1905-2009)

Actriz francesa, de seu verdadeiro nome Raymonde Louise Marcelle Toully (Mortagne-au-Perche, 3.3.1905 - Cannes, 24.1.2009). Foi uma das primeiras estrelas do cinema francês, primeiro conhecido pelo nome de Arlett Genny e depois (1925) rebaptizada por Marcel L'Herbier com o nome por que viria a tornar-se celebridade.

Alguns filmes: Le miracle des loups (1924, de Raymond Bernard), Monsieur le directeur (1924, de Robert Saidreau), Les dévoyés / La nuit du 3 : Episódios 1 - Vers la ruine, 2 - La nuit rouge, 3 - Les chemins de la vérité, 4 - À la manière de Sherlock Holmes (1925, de Henri Vorins), La maison sans amour (1927, de Emilien Champetier), L’argent (1928, de Marcel L’Herbier), L’enfant de l’amour (1929, de Marcel L’Herbier), Les chevaliers de la montagne (1930, de Mario Bonnard), La folle aventure (1930, de André-Paul Antoine e Carl Froelich), Le roi de Paris (1930, de Leo Mittler), L’amoureuse aventure (1931, de Wilhelm Thiele), Tu seras duchesse (1931, de René Guissart), Monsieur, madame et Bibi (1932, de Jean Boyer e Max Neufeld), Une étoile disparaît (1932, de Robert Villers), La femme idéale (1933, de André Berthomieu), Les amants terribles (1935, de Marc Allégret), Avec le sourire (1936, de Maurice Tourneur), Les gens du voyage (1937, de Jacques Feyder), Terre de feu (1938, de Marcel L’Herbier e Giorgio Ferroni), Une femme en danger (1939, de Max Neufeld), Adorables créatures (1952, de Christian-Jaque), Le célibataire (1955, de Antonio Pietrangeli), Et dieu… créa la femme (1956, de Roger Vadim), Rafles sur la ville (1957, de Pierre Chenal), La chatte (1958, de Henri Decoin), Ramuntcho (1958, de Pierre Schoendoerffer), La chatte sort ses griffes (1959, de Henri Decoin).
 

 

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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Claude Moliterni (1932-2009)

 

 photo de Claude Moliterni

Escritor francês (Paris, 21.11.1932 - ibid., 21.1.2009), autor de romances policiais (nos quais usou pseudónimos como Éric Cartier, Cehem, Olivier Fontaine, Karl von Kraft, Frank Sauvage, Yves Sinclair ou Marc Jourdan), mas sobretudo conhecido pelas suas ligações, como historiador e argumentista/guionista, ao mundo da Banda Desenhada.

Escreveu também peças radiofónicas, produziu discos e foi co-autor de uma história da música.

Em 1964, presidiu à SOCERLID (Société civile d'études et de recherches des littératures dessinées). Em 1966 criou Phénix, revista de estudos sobre BD, cuja redacção chefiou até 1977. Criador de exposições (por exemplo em 1967: Bande dessinée et figuration narrative, no Museu de Artes Decorativas de Paris). Co-fundador do Salão Internacional de Banda Desenhada de Angoulême (1974), participou na organização de diversos festivais e eventos, bem como em variadíssimos projectos editoriais: dirigiu Pogo-Poco (1969-1971) e Les Pieds Nickelés Magazine (1971-1972), chefiou a redacção das revistas Lucky Luke (1974-1975), Captain Fulgur (1980-1981), Pilote, Charlie Mensuel. (1973-1989), tendo sido director literário da Dargaud, director-geral da Gautier-Langereau (1989-1990) e co-fundador das edições Bagheera (1990-1998).
Co-autor de obras como Bande dessinée et Figuration narrative (1967), L'Histoire de la bande dessinée d'expression française (1972), L'Encyclopédie de la bande dessinée (1974-1975), l'Histoire mondiale de la bande dessinée (1980), L'Aventure de la bande dessinée (1990), Dictionnaire mondial de la bande dessinée (1994), Chronologie de la bande dessinée (1996).
Distinguido no seu país com os mais altos galardões, tendo sido feito Cavaleiro das Artes e das Letras, da Ordem de Mérito Nacional e da Legião de Honra.
Ver aqui informações detalhadas sobre o conjunto da sua actividade.

Ver também este depoimento.

 

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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Claude Berri (1934-2009)

Realizador e produtor cinematográfico francês, de seu verdadeiro nome Claude Langmann (Paris, 1.7.1934 – ibid., 12.1.2009). Estreou-se como figurante, em 1951, tendo sido, depois, actor, ensaiando a direcção na curta-metragem Le poulet (1963). Depois de Le vieil homme et l'enfant (1966), oscilou entre a crítica de costumes e a comédia dramática: Le mâle du siècle (1974), La première fois (1976), mas sobretudo em Un moment d'égarement (1977), Je vous aime (1980) e Le maître d'école (1981). Foi, por vezes, mal acolhido pela crítica, o que não aconteceu com Tchao Pantin (1983), com Coluche, cujo desempenho lhe valeu um César. Em 1986 adaptou L'eau des collines, de Marcel Pagnol, em dois filmes: Jean de Florette e Manon des sources. Rodou ainda Uranus (1990), Germinal (1992), Lucie Aubrac (1997), La Débandade (1999), Une femme de ménage (2002), L’un reste, l’autre part (2005) e Ensemble, c’est tout (2007).

Como produtor, salientem-se películas tão diferentes como Tess (1979, de Roman Polanski), L’Africain (1983, de Philippe de Broca), L’Amant (1992, de Jean-Jacques Annaud), La Reine Margot (1994, de Patrice Chéreau), Astérix e Obélix contre César (1999, de Claude Zidi) ou Bienvenue chez les Ch’tis (2008, de Danny Boon).

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Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

Gérard Lauzier (1932-2008)

Desenhador, dramaturgo, realizador e guionista francês (Marselha, 30.11.1932 – Paris, 6.12.2008). Arquitecto de profissão, esteve no Brasil entre 1956 e 1964, onde trabalhou como caricaturista e publicitário no Jornal da Bahia. Escreveu para o jornal Pilote a rubrica Tranches de vie (que adaptaria ao teatro) e as aventuras de Zizi et Peterpanpan para a revista Lui. Autor das peças Le Garçon d'appartement (posto em cena por Daniel Auteil) e L’amuse gueule (encenada por Pierre Mondy). Autor e ilustrador de diversos álbuns, como La Course du rat (1978), La Tête dans le sac (1980), Les Cadres (1981), Souvenir d'un jeune homme (1982) e, por último, Portrait de l'artiste (1992), onde retoma a sua personagem favorita, Choupon. Em 1993 recebeu o Grande Prémio do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême.
No cinema, dirigiu T’empêches tout le monde de dormir (1982), P’tit con (1984), La tête dans le sac (1984), Mon père, ce héros (1991), Le plus beau métier du monde (1996), Le fils du Français (1999). Co-escreveu o roteiro de Astérix et Obélix contre César (1999, de Claude Zidi).


 

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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Charles Matton (1931-2008)

 

Realizador e argumentista, também pintor e escultor, francês (Paris, 1931 - 19.11.2008). Expôs os seus primeiros trabalhos no início da década de 60, e, em 1967, realizou a curta-metragem La Pomme ou l’histoire d’une histoire (Grande Prémio do Festival d’Hyères e da Bienal de Paris). L’Italien des Roses foi a sua primeira longa metragem (1972). Em 1988, realizou, com a sua mulher, Sylvie Matton, Douanes, em que lança um olhar sobre o seu trabalho de artista plástico para «decifrar as aparências».

Em 1976 assinou Spermula e, em 1993, La Lumière des Etoiles Mortes onde explora a sua infância. Rembrandt (1999), interpretado por Klaus Maria Brandauer, foi premiado pelo guião.
Expôs em França (por exemplo no Centro Pompidou em 1989), em Tóquio  e nos EUA. Está representado em diversas colecções nacionais francesas.

O seu trabalho mereceu a atenção de figuras como Jean Baudrillard ou Françoise Sagan. Publicou, em 2002, com o filósofo Alain Finkielkraut e o pintor Ernest Pignon-Ernest, o ensaio Etre artiste aujourd'hui (Editions du Tricorne).

 

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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Céline publicado pela Ulisseia

 

Trilogia de Céline publicada pela primeira vez na íntegra em Portugal
por João Carlos Alvim


 

Há dois momentos essenciais na obra de Céline. O primeiro é talvez o mais conhecido. Quando se fala deste autor – por sinal, um dos mais extraordinários escritores da literatura francesa do século XX, ao mesmo tempo central (pelas suas inovações estilísticas, e também pelo caminho que abriu a muitos que se lhe seguiram) e marginal (pelo carácter atrabiliário de muito do que escreveu, de muito daquilo em que acreditou) – toda a gente se lembra logo do célebre Viagem ao Fim da Noite. E no entanto este seu primeiro romance estava ainda longe da «música» celiniana, daquilo que viria de facto a caracterizar o seu estilo inconfundível.

Talvez em nenhuma outra fase, em nenhuma outra das suas obras, se tenha dado uma tão feliz confluência entre conteúdo e estilo do que nesta trilogia final (Castelos Perigosos, Norte e Rigodon) que a Editora Ulisseia vai pela primeira vez publicar na íntegra em Portugal. Ainda há poucas semanas, aliás, num artigo publicado no Nouvel Obervateur, a propósito da saída, em França, da obra de Henri Godard, Un Autre Céline, considerava Philippe Sollers (aqui) que esta trilogia fazia parte dos seus «mais belos livros». E acrescentava, num toque assassino «há ainda alguns atrasados que pretendem limitá-lo à Viagem».

 

Confluência de estilo e conteúdo? Pela primeira vez, com efeito, Céline está aqui no centro dos acontecimentos. E os acontecimentos estão à altura do seu delírio: esta é a história do crepúsculo dos deuses. Ou pelo menos do crepúsculo da Alemanha ensanguentada (que nos perdoe o Aquilino), de um país inteiro em chamas, e também do crepúsculo das esperanças de todos aqueles que tinham apostado tudo na vitória do Eixo. Os três romances que vão agora publicar-se formam um todo indestrinçável. Como escreve Frédéric Vitoux: «Se Norte evoca o começo da errância celiniana, de Paris às planícies de Brandeburgo, passando por Baden-Baden e Berlim, Castelos Perigosos inscreve-se no meio de Rigodon. Este último (o romance póstumo de Céline) conta no essencial as duas viagens de comboio, feitas primeiro de norte para sul, até Sigmaringen, e depois de sul para norte, de Sigmaringen até à Dinamarca, enquanto Castelos Perigosos se atém à história dos meses passados na pequena cidade do Bade-Wurtemberg, transformada de súbito em refúgio de todos os colaboracionistas em fuga e no derradeiro território francês do governo de Vichy.»
De modo que, a partir de Castelos Perigosos, o estilo apocalíptico de Céline encontra como também diz Frédéric Vitoux, a grande história. E o mesmo crítico conclui: «A escrita celiniana atinge, neste equilíbrio entre o delírio fantasmático e o real, a sua máxima perfeição…».

 

Perfeição, pois. Mas era preciso que a versão portuguesa da obra não traísse esse seu estatuto. Deve-se a Clara Alvarez, a tradutora das três obras, o ter garantido isso. Não era uma aposta nada fácil de ganhar. Estes livros são de uma complexidade muito grande, a riqueza vocabular de Céline é deveras esfuziante, de modo que conseguir transmitir, em português, toda a genialidade do autor exigia uma quase idêntica genialidade no trabalho de tradução. Isso foi, a nosso ver, conseguido, e a publicação destas obras é, igualmente, uma forma de homenagear a própria tradutora.

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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Prémio Goncourt 2008/ Atiq Rahimi por Syngué sabour

Atiq Rahimi

Atiq Rahimi nasceu em Cabul (Afeganistão), em 1962, e reside actualmente em Paris, após ter deixado o seu país em 1984 devido à guerra. Fez doutoramento em comunicação audiovisual na Sorbonne e realizou diversos documentários. Em 2004, adaptou ao cinema o seu romance Terre et cendres, que obteve o prémio «Regard sur l'avenir» no Festival de Cannes.

 

 

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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Le Clézio: Prémio Nobel da Literatura 2008

 Jean-Marie Gustave Le Clézio

Jean-Marie Gustave Le Clézio, escritor francês (n. Nice, 13.4.1940). Ambos os pais estavam fortemente ligados à ilha Maurícia, antiga colónia francesa (conquistada pelos britânicos em 1810). Aos 8 anos de idade, Le Clézio e a família mudaram-se para a Nigéria, onde o seu pai tinha sido colocado como médico durante a II Guerra Mundial. Durante a viagem de um mês que o levou à Nigéria, começou a sua carreira literária com dois livros Un long voyage e Oradi noir, os quais já continham alguns «livros por vir». Le Clézio cresceu na familiaridade de duas línguas: francês e inglês. Em 1950 a família regressou a Nice. Depois de completar o ensino secundário, estudou Inglês na Universidade de Bristol, em 1958-59, e completou a sua licenciatura em Nice (Instituto de Estudos Literários), em 1963. Fez mestrado na Universidade Aix-en-Provence, em 1964, e apresentou tese de doutoramento sobre a história antiga do México na Universidade de Perpignan, em 1983. Ensinou nas universidades de Banguecoque, Cidade do México, Boston, Austin e Albuquerque, entre outras..
O primeiro romance de Le Clézio, Le procès-verbal (1963), atraiu logo grande atenção. Como escritor jovem, surgido na sequência do existencialismo e do nouveau roman, tentou elevar as palavras acima da degenerescência do discurso quotidiano e restaurar nelas o poder de invocar uma realidade essencial. O seu romance de estreia foi o primeiro de uma série em que descreve estados de crise, incluindo a colectânea de contos La fièvre (1965) e Le déluge (1966), nas quais nota a inquietação e o medo reinantes nas grandes cidades do Ocidente.
Desde cedo que Le Clézio se apresentou como um autor ecologicamente comprometido, orientação que se acentuou em Terra amata (1967), Le livre des fuites (1969), La guerre (1970) e Les géants (1973). O reconhecimento definitivo surgiu com Désert (1980), premiado pela Academia Francesa. Esta obra contém magníficas imagens de uma cultura perdida do deserto do Norte de África, contrastada com uma visão da Europa pelos olhos de emigrantes indesejados. A personagem principal, um trabalhador argelino, Lalla, é a antítese utópica da fealdade e brutalidade da sociedade europeia.
Durante este mesmo período Le Clézio publicou colecções de ensaios de reflexão L’extase matérielle (1967), Mydriase (1973) e Haï (1971), este último revelando a influência da cultura indiana. Longas estadas no México e na América Central entre 1970 e 1974 tiveram consequências decisivas na sua obra, tendo deixado as grandes cidades em busca de uma nova realidade espiritual no contacto com os índios. Encontrou a marroquina Jemia, com a qual casou em 1975. No mesmo ano publicou Voyage de l’autre côté, um livro no qual dá conta das suas aprendizagens na América Central. Le Clézio iniciou a tradução das grandes obras da tradição índia, como Les prophéties du Chilam Balam. Le rêve mexicain ou la pensée interrompue (1998) testemunha o seu fascínio pelo passado majestoso do México. Desde os anos 90, Le Clézio e sua mulher dividem o seu tempo por Albuquerque, no Novo México, a ilha Maurícia e Nice.

Le Chercheur d'or (1985) aborda material das ilhas do Oceano Índico no espírito da história de aventuras. Nos últimos anos, surge nos seus livros a atracção pelo sonho de um paraíso terrestre, como é o caso em Ourania (2005) e Raga: approche du continent invisible (2006). Este último é dedicado à documentação do modo de vida das ilhas do Índico, em vias de desaparecimento com o avanço da globalização. O primeiro tem como cenário um vale remoto do México, onde a personagem principal, alter ego do autor, encontra uma colónia de gente em demanda que reconquistou a harmonia da idade de ouro e pôs de parte os costumes de uma civilização decaída, incluindo as suas línguas.

A ênfase da obra de Le Clézio alterou-se progressivamente no sentido da exploração do mundo da infância e da história da sua própria família. Esta orientação começou em Onitsha (1991) e continuou mais explicitamente em La quarantaine (1995), culminando em Révolutions (2003) e L’Africain (2004). Révolutions reúne os temas mais importantes da sua obra: memória, exílio, as reorientações da juventude, conflito cultural. Episódios de diversos tempos e lugares justapõem-se: os estudos da personagem principal em Nice, Londres e México, nos anos 50 e 60; as experiências de um antepassado britânico como soldado no exército da revolução em 1792-94, e a sua emigração para a Maurícia para escapar à repressão da sociedade revolucionária; e a história de uma escrava desde o início de 1800. Incrustada nas memórias de infância está a história da visita da personagem principal à irmã do seu avô, o último mediador da tradição da família nas propriedades perdidas da Maurícia, cuja memória, ele, enquanto escritor, passará ao futuro.

L’Africain, a história do pai do autor, é ao mesmo tempo uma reconstituição, uma justificação e a memória de um rapaz que viveu na sombra de um estranho que era obrigado a amar. Ele recorda através da paisagem: África diz-lhe quem ele era quando, aos oito anos, viveu o encontro da família depois da separação durante os anos da guerra.

Entre as obras mais recentes de Le Clézio está Ballaciner (2007), um ensaio profundamente pessoal sobre a história da arte do filme e a importância do filme na vida do autor, desde os projectores manuais da sua infância ao culto das tendências do cinema durante a adolescência, até à exploração da arte do filme realizada em estranhos lugares do mundo. Um novo livro, Ritournelle de la faim, acaba de ser publicado.
Le Clézio escreveu também duiversos livros infantis e juvenis, por exemplo Lullaby (1980), Celui qui n’avait jamais vu la mer suivi de La montagne du dieu vivant (1982) e Balaabilou (1985).
Prémios literários: Prémio Théophraste Renaudot (1963), Prémio Larbaud (1972), Grande Prémio Paul Morand da Academia Francesa (1980), Grande Prémio Jean Giono (1997), Prémio Príncipe do Mónaco (1998), Prémio Stig Dagerman (2008). [Fonte: Nobel]

 

 

 

 

 

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Terça-feira, 1 de Julho de 2008

Jacques Roussel (1911-2008)

Chefe de orquestra francês (Paris, 12.11.2008 - Saint-Germain-en-Laye, 29.7.2008). Formado nos conservatórios de Innsbruck e Paris, fundou o agrupamento Antiqua Musica de Paris, com o objectivo de divulgar o reportório musical dos séculos XVII e XVIII, e foi o criador do festival Les belles heures musicales do Mont-Saint-Michel, em 1968.
Concertos and Sonatas - Albinoni
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Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Albert Cossery (1913-2008)

Escritor egípcio de língua francesa (Cairo, 3.11.1913 – Paris, 22.6.2008). Formado nas escolas francesas do Cairo, iniciou-se cedo nos clássicos franceses. A sua obra, de cariz sarcástico a que não falta um fundo sentido de humor, aborda sempre questões ligadas ao seu país, à sua cultura de origem ou a condição árabe, e é impregnada de sabedoria oriental, fazendo a apologia do desanuviamento e da preguiça, entendidos como uma arte de viver e uma forma de contemplação.
Obras: Les hommes oubliés de Dieu (1940), La maison de la mort certaine (1944), Les fainéants dans la vallée fertile (1948), Mendiants e orgueilleux (1955), La violence et la dérision (1964), Un complot de saltimbanques (1975), Une ambition dans le désert (1984), Les couleurs de l’infamie (1999).
 
 
publicado por annualia às 11:32
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