Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Do Minho ao Algarve

 
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M. S. Lourenço (actualização)

Actualizado, como prometido, o texto relativo ao poeta e filósofo M. S. Lourenço. Aqui.

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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

Heinz Holliger distinguido com o Prémio Europeu de Cultura

O Prémio Europeu de Cultura, criado em 1993 e patrocinado pelo Príncipe da Dinamarca, a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, o Parlamento Europeu e a Fundação Europeia para a Cultura recompensa, todos os anos, personalidades já consagradas, bem como outras menos conhecidas.

Entre os laureados na edição de 2009, conta-se o oboísta, compositor e director de orquestra suíço Heinz Holliger (n. Langenthal, cantão de Berna, 21.5.1939). Holliger fez os estudos musicais nos conservatórios de Berna, Basileia e Paris. Oboísta de eleição, obteve o 1.º prémio no concurso internacional de Genebra, em 1959, e no concurso de Munique, em 1961. É um fenómeno de virtuosismo digital com uma precisão e clareza total de ataques, mas também senhor de um fraseado perfeito e de uma declamação impressionante. Domina o relativamente escasso repertório do oboé, do barroco aos nossos dias, apresentando-o sistematicamente em concertos e gravações. Quase todos os grandes compositores da segunda metade do século XX compuseram para Heinz Holliger. Como compositor, tem revelado uma atenção cuidada às capacidades instrumentais e tem escrito sobretudo para conjuntos de câmara, identificando-se com uma estética pós-serial. Obteve grande êxito com a ópera Schneewitchen, com libreto de Robert Walser, bem como com o seu Concerto para Violino ou o Ciclo Scardanelli.

Heinz Holliger já foi distinguido com numerosos outros prémios como o Prémio da Associação de Músicos Suíços, o Prémio Léonie Sonning (Dinamarca), o Prémio de Arte da cidade de Basileia, o Prémio de Música Ernst von Siemmens, da cidade de Frankfurt, o prémio Abbiati da Bienal de Veneza, o Prémio do Festival de Zurique, além do doutoramento honoris causa pela Universidade de Zurique.

Heinz Holligar tem trabalhado com grandes orquestras mundiais, incluindo a Filarmónica de Berlim, a Orquestra de Cleveland, a Concertgebouw Orchestra de Amesterdão, a London Symphony Orchestra, a Filarmónica de Viena, a Orquestra Tonhalle de Zurique, a Orquestra da Suisse Romande, a Orquestra Nacional de Lyon ou a Orquestra de Câmara da Europa.

 

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Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Lunetas e telescópios, 400 anos de existência

Luneta de Galileu

 

O físico e astrónomo italiano Galileu Galilei (Pisa, 1564 - Florença, 1642) consagrou toda a sua existência à procura racional da verdade, tendo sido obrigado a renegar, aos 70 anos, perante o tribunal da Inquisição, a descoberta que tomara mais a peito — o movimento dos planetas, e, portanto, da Terra à volta do Sol. Galileu ensinou Matemática em Pádua em 1589. Pôs em causa a física aristotélica e fez-se promotor das teses de Copérnico; foi ele o verdadeiro fundador do moderno método experimental, que alia os raciocínios indutivo e dedutivo. Descobriu em 1602 as leis das quedas dos corpos e, em 1610, fabricou uma luneta astronómica, depois chamada luneta de Galileu, com a qual pôde então dedicar-se à observação astral (Lua, Sol, Júpiter, Saturno, Vénus). Ver texto no Público.

O telescópio

É um aparelho óptico que permite a visão de objectos longínquos. Contrariamente à objectiva da luneta astronómica, a objectiva de um telescópio não é constituída por uma lente mas por um espelho côncavo recoberto de fina película de prata ou de alumínio. Deste modo, a convergência não é obtida por refracção mas por reflexão sobre uma superfície parabólica, que faz com que as imagens se apresentem isentas de aberrações cromáticas. Existem vários tipos de telescópios. O mais simples, o telescópio de Newton, inventado por este físico em 1671, possui um espelho principal, parabólico, e um espelho secundário, plano, colocado um pouco antes do foco e inclinado 45º, de modo a reflectir a imagem sobre o lado do tubo onde ela é então observada com uma ocular. No telescópio de Cassegrain, o espelho secundário é convexo e comporta-se como uma lente divergente; este espelho secundário, colocado sobre o eixo óptico, reflecte a imagem para o espelho primário que tem um orifício no centro. A observação faz-se então na parte posterior do instrumento, como com uma luneta. O telescópio de Schmidt, além dos espelhos primário e secundário, possui uma lâmina correctora, espécie de lente de contorno especial que ao suprimir certas distorções marginais permite utilizar praticamente toda a superfície do espelho. Os telescópios de Schmidt, muito luminosos, são úteis para a fotografia de campos estelares. O celóstato permite, graças a uma imagem fixa, observações precisas. Num telescópio electrónico a ocular é substituída por uma câmara electrónica, que permite descobrir estrelas cem vezes mais fracas que com os meios clássicos.

 

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José Morais e Castro (1939-2009)

Actor e encenador (Lisboa, 30.9.1939 - ibid., 21.8.2009).

«É da televisão que o grande público terá uma imagem mais vívida de José Armando Tavares de Morais e Castro, das séries e novelas da RTP e da TVI às Lições do Tonecas (1996/8), mas foi no teatro que se estreou, ainda no liceu, e que mais trabalhou ao longo de mais de 50 anos de carreira. Dirigente da Casa do Artista, onde residia nos meses que antecederam o seu internamento, casado com a actriz Linda Silva.
Estreou-se em palco com o Grupo Cénico do Centro 25 da Mocidade Portuguesa ainda no liceu. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa por insistência do pai, que “além de advogado, também tinha uma costela ligada ao teatro”, recordou Morais e Castro numa entrevista à Sociedade Portuguesa de Autores.
Considerava o Teatro Moderno de Lisboa a sua escola de teatro e dois anos após o seu final, uniu-se a Irene Cruz, João Lourenço e Rui Mendes para fundar o Grupo 4, que inaugurou o palco do Teatro Aberto, em Lisboa.»

Ler na íntegra a notícia do Público.

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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Hildegard Behrens (1937-2009)

Soprano alemã (Varel, Oldenburg, 9.2.1937 – Tóquio, 18.8.2009) que se notabilizou no reportório wagneriano. Iniciou a sua carreira em 1971 a cantar Mozart, em Freiburg im Breisgau, integrando depois da Ópera do Reno, em Dusseldorf, onde Leonard Bernstein a descobriu e convidou para gravar Salomé, de Richard Strauss. Em 1976 estreou-se em Covent Garden e logo depois no Met, onde cantou o Tannhäuser. Em 1977, a sua interpretação de Salomé no Festival de Salzburgo afirmou-a definitivamente como cantora de topo. Nos anos seguintes fez o Fidelio em Salzburgo com Bernstein e no Met com Karl Böhm, mas apareceu também como Elektra, Sieglinde, Isolde, Donna Anna, Brünnhilde, entre outros papéis. Em 1981 fez, em Munique, uma gravação histórica de Tristan und Isolde com Bernstein, repetindo o enorme sucesso ao vivo em Nova Iorque. Em Bayreuth (1983) fez a Brünnhilde sob a direcção de Solti, levando a crítica a afirmá-la como uma das maiores intérpretes de sempre daquele papel. Em 1996, de novo em Munique, fez uma aclamadíssima Isolde dirigida por Lorin Maazel. No mesmo ano e com o mesmo maestro, fechou o Festival de Salzburgo de novo com a Elektra, tendo sido declarada como Artista do Ano pela revista alemã de ópera, Orpheus. Em 1999 estreou em Salzburgo a ópera que Luciano Berio escreveu para ela, Cronaca del Luogo. Continuou a apresentar-se nas grandes salas de ópera e de concerto, na Europa e nos EUA. Em 1997 foi de novo declarada Artista do Ano, desta vez pela revista Opernwelt. Porém, a sua fama como cantora das obras de Strauss e Wagner, não reduziu a sua versatibilidade, aparecendo, por exemplo, ao lado de Placido Domingo na produção da Tosca que Zeffirelli realizou para o Met. No lied, o seu reportório estendeu-se de Bach a Hugo Wolff, passando por Mozart. Na edição de 21 do Festival de Salzburgo cantou o papel de Kostelnicka numa produção da Jenufa de Janácek, sob a direcção de John Eliot Gardner, demonstrando a sua capacidade de aumentar incessantemente o seu reportório, onde se incluíram por exemplo Pierrot Lunaire, de Schoenberg ou Besuch der alten Dame, de Gottfried von Einem.

Hildegard Behrens foi distinguida com o Bundesverdienstkreuz (RFA), a Bayerischer Verdienstorden (Baviera). Foi feita Österreichische Kammersängerin da Ópera de Viena e, na Dinamarca, foi-lhe atribuído o Prémio de Música Léonie Sonnings. Em 1999, foi escolhida por Leonie Rysanek para lhe suceder como detentora do Lotte Lehmann – Gedächtnisring, da Ópera de Viena. Ainda nesse ano foi galardoada, na Ópera da Bastilha, com o Prémio Herbert von Karajan da Académie du Disque Lyrique. Discografia aqui.

 


 

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Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Thierry Jonquet (1954-2009)

Escritor francês (Paris, 19.1.1954 – ibid., 9.8.2009) que se distinguiu no domínio do «polar», designação francesa para o romance negro, após uma juventude de militância na extrema-esquerda trotskista e de se tornar ergoterapeuta, facto que o pôs em contacto com as misérias do corpo e da vida humana. O seu primeiro romance (apesar de publicado depois de Mémoire en cage, 1982) foi Le Bal des debris (1984), que justamente tem como pano de fundo um hospital geriátrico. Escreveu Thierry Jonquet: « J'écris des romans noirs. Des intrigues où la haine, le désespoir se taillent la part du lion et n'en finissent plus de broyer de pauvres personnages auxquels je n'accorde aucune chance de salut. Chacun s'amuse comme il peut». Seguiram-se Mygale (1984) e La Bête et la Belle (1985). Os seus livros mais aclamados foram, no entanto, Les Orpailleurs (1993), Moloch (1998) e Ad Vitam Aeternam (2002). Outras obras: Le Secret du Rabbin (1986), Le Manoir des immortelles (1986), Comedia (1988), Les gars du 16 (1988), Quelques dimanches en borde de Marne (1990), Un enfant dans la guerre (1990), Lapoigne et la fiole mystèrieuse (1993), La Vie de ma mère (1994), La Bombe humaine (1994), Le Témoin (1995), Rouge c’est la vie (1998), Votre histoire ne tient pas la route (2001), Mon vieux (2004).

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Domingo, 9 de Agosto de 2009

Raul Solnado (1929-2009)

 

Comediante português e figura de referência do humor português (Lisboa, 19.10.1929 – ibid., 8.8.2009). Iniciou-se, como amador, em 1947, no Grupo Dramático da Sociedade de Instrução Guilherme Cossul. Profissional desde 1952, notabilizou-se como artista de variedades (após O Sol da Meia-Noite, no Maxime) e teatral (opereta — Maria da Fonte no Monumental, em 1953; comédia — A Irmã S. Sulpício no Apolo, em 1954; e revista — com destaque para Bate o Pé no Maria Vitória, com A Guerra de 1908, em 1961). O sucesso como humorista consolidou-se nos espectáculos a solo, na rádio e nas gravações em disco (A Guerra, História da Minha Vida, Poema do Egocentrista, Poema do Que Ela Me Disse, Médico, Frica e os Leopoldos, É do Inimigo?, Concerto de Violino, Bombeiral da Moda, A Maternidade). A partir de 1963, foi figura indispensável no teatro para televisão, em Portugal e no Brasil. Em 1964-1970, construiu e foi empresário do Teatro Villaret, onde levou à cena grandes êxitos, como a sua interpetação do Tartufo de Molière. A sua popularidade culminou com a apresentação de programas de televisão, que constituem marcos históricos nos respectivos géneros: Zip-Zip (talk show, 1969) e A Visita da Cornélia (concurso, 1977). Em 1991, foi publicada a sua biografia com o título A Vida Não Se Perdeu. Em 2002, quando completou 50 Anos de Carreira, foi homenageado com a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa. A 10 de Junho de 2004, recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Raul Solnado era director da Casa do Artista, em Lisboa, instituição que ajudou a fundar, em 1999.

No cinema, integrou o elenco de, por exemplo, A Garça e a Serpente (1952, de Arthur Duarte), Ar, Água e Luz (1956, de Fernando Garcia), O Noivo das Caldas (1956, de Arthur Duarte), Perdeu-se Um Marido (1956, de Henrique Campos), Sangue Toureiro e O Tarzan do 5.o Esquerdo (1958, de Augusto Fraga), As Pupilas do Senhor Reitor (1960, de Perdigão Queiroga), Dom Roberto (1962, de Ernesto de Sousa), O Milionário (1962, de Perdigão Queiroga), A Família Barata (1961, série televisiva), A Fronteira (1969, televisão),  Balada da Praia dos Cães (1986, de José Fonseca e Costa), A Mala de Cartão/La Valise en Carton (1986, de Michel Win), Resposta a Matilde (1986, televisão), O Bobo (1987, de José Álvaro Morais), Bâton (1988, televisão), Conto de Natal (1988, televisão), Lá em Casa Tudo Bem (1988, de Nuno Teixeira, série televisiva), Topaze (1988, série televisiva); Aqui d’El-Rei! (1991, de António Pedro Vasconcelos), Meu Querido Avô (1997, de Fernando Ávila, série televisiva), Requiem (1998, de Alain Tanner), Senhor Jerónimo (1988, de Inês de Medeiros), Facas e Anjos (2000, de Eduardo Guedes, televisão), Ilha dos Amores (2007, série televisiva), Call Girl (2007, de António-Pedro Vasconcelos), América (2009, de João Nuno Pinto).


* Ler crónica de Pedro Mexia no Público aqui.

 

 

 Informação recolhida na Enciclopédia Verbo-Edição Século XXI.

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John Hughes (1950-2009)


Argumentista, produtor e realizador norte-americano (Lansing, Michigan, 18.2.1950 - Nova Iorque, 6.8.2009) mais conhecido pela história de Home Alone (Sozinho em Casa: 1990, 1992, 1997, 2002), mas reconhecido também pelo argumento de comédias como Class Reunion (1982, de Michael Miller), European Vacation (1985, de Amy Heckerling), Pretty in Pink, Some Kind of Wonderful e The Great Outdoors (1986, 1987 e 1988, de Howard Deutch), Career Opportunities (1991, de Bryan Gordon), Beethoven 1, 2, 3, 4 e 5 (1992, 1993, 2000, 2001 e 2003, de Brian Levant, Rod Daniel, David M. Evans e Mark Griffiths respectivamente), Miracle on 34th Street (1994, de Les Mayfield), Just Visiting (2001, de Jean-Marie Poiré), Maid in Manhattan (2002, de Wayne Wang). John Hughes escreveu, produziu e realizou Sixteen Candles (1984), The Breakfast Club (1985), Weird Science (1985),  Ferris Bueller's Day Off (1986), Planes, Trains & Automobiles (1987), She's Having a Baby (1988), Uncle Buck (1989) e Curly Sue (1991).

 

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Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009

Budd Schulberg (1914-2009)

 
Argumentista norte-americano (Nova Iorque, 27.3.1914 – Long Island, 5.8.2009), conhecido sobretudo pelo argumento de On the Waterfront (1954, de Elia Kazan), com o qual foi distinguido com um Óscar. O seu nome está associado, entre outros, aos seguintes filmes: Winter Carnival (1939, Charles Reisner), Weekend for Three (1941, de Irving Reis), Five Were Chosen (1942, de Herbert Kline), City Without Men (Sidney Salkow), The Nazi Plan (1945, de George Stevens), Nuremberg (1946, de Pare Lorentz), The Harder They Fall (1956, de Mark Robson), A Face in the Crowd (197, de Elia Kazan), Wind Across the Everglades (1958, Nicholas Ray).

 


 

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Terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Corazón Aquino (1933-2009)

Corazon Aquino
Antiga presidente das Filipinas (Manila, 25.1.1933 - ibid., 1.8.2009) depois de assumir a chefia da oposição a Ferdinando Marcos na sequência do assassínio, em 1983, do seu marido, Benigno Aquino. Em 1972, Marcos fora reeleito, tendo declarado a lei marcial face à acção das guerrilhas (comunista e islâmica), que relectiam o descontentamento popular. Dissolveu o Congresso, instituiu a censura e proibiu a oposição. Em 1981, apesar de uma nova «reeleição», o regime percorria um caminho sem saída. Em parte por pressão dos EUA, foi forçado a eleições com o assassínio do principal líder de oposição, mas Corazón Aquino declarou fraude eleitoral e desencadeou uma vasta campanha de desobediência civil, conquistando o apoio decisivo dos militares. Assumiu a presidência após a fuga de Marcos, sendo a primeira mulhar a ascender ao cargo na Ásia. Resistiu, ao longo de seis anos, a sete tentativas de golpe de estado, e enfrentou devastações provocadas por catástrofes naturais. Apesar da sua acção inspiradora no campo da não-violência, Corazón Aquino não conseguiu mudar a natureza do regime filipino, tradicionalmente dominado por clãs.

 

 

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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

M. S. Lourenço (1936-2009)

Morreu o poeta e filósofo M. S. Lourenço. Ver notícia no Público.

 

 

Excerto do artigo de Miguel Tamen no segundo volume de Biblos-Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa.
 

Poeta, prosador, filósofo, de seu nome Manuel dos Santos Lourenço (Sintra, 13.5.1936 - ibid., 1.8.2009). «A carreira de M. S. Lourenço como escritor é inseparável da sua carreira como filósofo profissional. De facto, não apenas uma relativa indistinção de géneros é típica daquilo que escreveu (especialmente da prosa) como aos seus livros declaradamente de filosofia (Espontaneidade da Razão, 1986; Teoria Clássica da Dedução, 1991; A Cultura da Subtileza, 1995), à tradução das duas obras principais de Ludwig Wittgenstein e a artigos sobre teoria da literatura não são de todo estranhas preocupações literárias. (…)

Numa primeira fase da sua carreira, M. S. Lourenço publicou três livros (O Desequilibrista, 1960; O Doge, 1962; Ode a Upsala, 1964, [os dois últimos pretensamente escritos pelo arquiduque Alexis Christian von Gribskov]) fortemente marcados por uma indistinção de géneros e pela importância dada ao método da associação livre tal como teorizado pela primeira geração surrealista (…).

Numa segunda fase, M. S. Lourenço publicou três livros declaradamente de poesia (Arte Combinatória, 1971; Wytham Abbey, 1974; Pássaro Paradípsico, 1979) que, sobretudo os dois primeiros, reflectem a sua passagem por Oxford e a asua familiarização com tradições poéticas de língua inglesa (…). Processos literários como a colagem, a alusão, a tradução e a citação, frequentemente desfiguradas por transformações de natureza irónica, são típicos desta segunda fase.

Numa terceira fase, a produção literária de M. S. Lourenço é marcada pela redescoberta da poesia romântica tardia e simbolista (a partir de Baudelaire) e ainda pela presença, cada vez mais insistente, de um cânone retirado da literatura portuguesa, em que ocupam papel de destaque Cesário Verde e Eça de Queirós. Com esta redescoberta assiste-se progressivamente à emergência de preocupações com aquilo a que se poderia chamar uma versão acerca da origem do significado, inseparável, em M. S. Lourenço, de uma teoria acerca do substrato musical e, de facto, sonoro de todos os conteúdos semânticos. Desta terceira fase são característicos o livro de poesia Nada Brahma (1991) e, sobretudo, a colectânea de ensaios curtos em prosa Os Degraus do Parnaso (1991), que retoma, a par da tradição ensaística curta de língua alemã, uma forma em última análise derivada dos «petits poèmes en prose» baudelairianos. Os Degraus do Parnaso (Prémio Dom Dinis da Fundação da Casa de Mateus) é a este respeito um extraordinário marco da prosa contemporânea em Portugal (…).»

publicado por annualia às 12:00
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