Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

Balthus: 100 anos do nascimento

  Balthus fotografado por Man Ray (1933)
 
Num fugidio 29 de Fevereiro, em 1908, nasceu Balthasar Klossowski, conhecido depois no mundo da pintura por Balthus. Incentivado na infância por Rainer Maria Rilke, com quem conviveu de perto, Balthus tornou-se um dos grandes pintores do século XX, sem que apresente qualquer ligação clara a uma escola ou movimento particular, apesar das suas relações com cubistas e surrealistas. À sua pintura – laboriosamente aprendida em Masaccio e Piero de la Francesca – ligam-se elementos biográficos, tão fugidios quanto o dia do seu nascimento, elementos incertos e controversos, muitas vezes «armadilhados» pelo próprio pintor, desde logo a sua condição aristocrática, como agudamente nota um dos seus biógrafos, Nicholas Fox Weber. Produzindo sempre uma pintura inteligentemente perturbante, por vezes mesmo inquietante, moderno mas com a qualidade pictórica dos pintores pré-renascentistas. Foi nomeado em 1964, por André Malraux, para dirigir a Academia Francesa em Roma, com sede na Villa Medici, que remodelou e redecorou com requinte. Misterioso, Balthus tornou-se um pintor altamente requisitado. Retirou-se depois para o antiquíssimo chalet «La Rossinière», na Suíça, com a sua mulher, a japonesa Setsuko. Morreu em 2001.
 
 Balthus fotografado por Cartier-Bresson (1990)
 
La rue (1933)
 
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Le Roi des chats (1935)
 Therèse revant (1938)
Autoportrait (1940)
Le salon (1942)
 
La jeune fille endormie (1943)
 Nu jouant avec un chat (1949)
Les Beaux Jours (1944-1946)
 
La partie de cartes (1948-50)
Nu aux bras levés (1951)
Katia lisant (1968-1976)
 
 Le peintre et son modèle (1980-1981)
Le chat au miroir III (1989-1994)
publicado por annualia às 22:41
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Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

Hubert Guignoux (1915-2008)

Hubert GignouxActor e encenador francês (1915 - 27.2.2008). Fez a sua aprendizagem teatral sob a direcção de Léon Chancerel. Feito prisioneiro durante a II Guerra Mundial, fundou, em 1947, com Henry Cordreaux, a Companhia de Marionetas dos Campos Elísios. Em 1949 fundou o Centro Dramático do Oeste, de onde saiu em 1957 para dirigir a organização homóloga do Este. Aí encenou Hamlet na inauguração do Théâtre de Comédie. A companhia teatral do Centro Dramático do Este (hoje Teatro Nacional de Estrasburgo) é formada, até ao presente, por alunos da escola (hoje Escola Superior de Arte Dramática) e realiza um trabalho notável de descentralização, de que Guignoux foi um dos pioneiros. Em 1961, dois espectáculos de Guignoux foram premiados pela crítica (Mille francs de Victor Hugo e La Visite de la vieille dame de Friedrich Dürrenmatt). Em 1971, abandonou a direcção para se tornar actor, participando em numerosos filmes, desde Les Camisards (1972, de René Allio) até L’Enfance de l’art (1988, de Francis Girod). Em 1984, publicou um livro autobiográfico : Histoire d’une famille théâtrale.
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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

William F. Buckley (1925-2008)

Colunista conservador americano (Nova Iorque, 24.11.1925 – Stamford, 27.2.2008), fundador da National Review. Oriundo de uma família ligada ao negócio do petróleo. Trabalhou para a CIA depois de ser desmobilizado do exército, em 1946, tendo prestado serviço no México onde foi acusado de conspirar contra o governo daquele país. Formado em Yale, em 1950, escreveu um livro sobre o afastamento daquela Universidade dos princípios fundadores. Escreveu durante anos para o The American Mercury até que, em confronto com a política liberal da administração Eisenhower, fundou a National Review. Apontado como influente mentor político, por Ronald Reagan, por exemplo, a coluna de Buckley intitulava-se justamente «On the Right». Em 1965 concorreu às eleições para mayor de Nova Iorque, pelo Partido Conservador, tendo obtido 13% dos votos.
Entre 1966 e 2000, manteve um talk show político com o título «Firing Line». Polémico, tomou numerosas posições controversas, e foi por mais de uma vez penalizado por questões do âmbito financeiro. Escreveu também uma série de livros policiais, cujo protagonista é um espião da CIA chamado Blackford Oakes.
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

Vida de Machado de Assis - IV

por Josué Montello *

*

Em 1866 chegara ao Rio de Janeiro, a chamado de Faustino Xavier de Novais, a irmão mais nova deste poeta, Carolina Augusta, já mulher feita, de trinta e dois anos, solteira, de conhecidos pendores intelectuais. Encontra o irmão neurasténico, e é ela quem lhe dá assistência ao longo da enfermidade. Machado de Assis, cinco anos mais moço que Carolina, não tarde a conhecê-la, e daí surge a afeição que, à revelia da oposição de Adelaide e Miguel Xavier de Novais, outros de seus irmãos transferidos para o Brasil, termina por superar as dificuldades de família, inspiradas pelo preconceio de cor, e une os dois namorados a 12 de Novembro de 1869, na Matriz de Santa Rita.

O casamento marca uma nova etapa na vida do escritor. Carolina é a companheira perfeita, na compreensão, na concordância de temperamentos, no amor perene, na comunhão de sentimentos. Para um tímido como Machado de Assis, e de mais a mais torturado pela epilepsia, o casamento poderia ter sido um desastre completo. Carolina converte-o num completo triunfo -- não obstante o ciúme pertinaz com que o marido poderia ter infortunado a vida em comum: ela o compreende e o ama, sabe protegê-lo e ampará-lo, dá-lhe a atmosfera de paz e ternura que o grande escritor necessita para construir a sua obra. Tão grande é a influência exercida por ela no destino de Machado de Assis que há quem suponha tenha actuado Carolina no aprimoramento da língua escorreita do mestre de Várias Histórias. Falsa ou excessiva essa suposição, a verdade é que Carolina foi para ele a confidente e a companheira, e disto o escritor nos daria o depoimento comovido nas páginas em que, fechando a sua obra, repassou a felicidade conjugal de Aguiar e D. Carmo, no Memorial de Aires.

Entre 1865 e 1870 vivera o país a dura fase da guerra com o Paraguai. Machado de Assis,, embora retraído e tímido, não ficara alheio ao conflito, e dele recolherá inspiração para algumas de suas páginas. Se lhe falta o calor das grandes vibrações patrióticas, que inspira muitos poetas românticos, isto corre à conta de seu feitio pessoal. O escritor continua a trabalhar a sua obra, firmemente, obstinadamente. No ano seguinte ao de seu casamento, reaparece ele em livro como poeta, publicando as Falenas, e faz a sua estreia, também em livro, como contista, publicando os Contos Fluminenses.

Em 1872 publica Machado de Assis o seu primeiro romance, Ressurreição, na linha dos romances urbanos de José de Alencar. Embora evidenciasse no livro a sua maneira pessoal, como estiloo e uridura romanesca, podia-se reconhecer no tom geral da narrativa a atmosfera alencariana.

Além de contista, romancista, cronista, poeta, crítico, teatrólogo, Machado de Assis é também tradutor. Sua pena parece estar continuamente ocupada -- ou a serviço de trabalhos originais, ou a serviço de trabalhos alheios. E o moço escritor vai acumulando traduções de romances e de peças de teatro na sua bibliografia. Dir-se-ia que as obrigações do lar o impelem a essa porfiada ocupação intelectual.

Em 1873 a vida de Machado de Assis ganha afinal estabilidade , quando o escritor é nomeado amanuense do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. R. Magalhães Júnior, que lhe pesquisou exaustivamente a carreira de funcionário público, adianta-nos que, por decreto de 31 de Dezembro do mesmo ano, Machado de Assis passou de amanuense a primeiro-oficial. Daí em diante, ele não deixará de elevar-se na vida burocrática, como exemplo de assiduidade, competência e dedicação. O emprego público completa-lhe a segurança íntima que lhe adveio o casamento com Carolina.

Aos poucos as letras brasileiras tinham encontrado a sua feição própria, diversa das letras portuguesas. As ideias por que se batera Alencar, pugnando por uma expressão  nacional, na língua literária, na inspiração dos motivos, na cor local, tinham-se ajustado à feição geral de nossa prosa e de nossa poesia, com um Gonçalves Dias, um Castro Alves, um Álvares de Azevedo, um Casimiro de Abreu, um Joaquim Manoel de Macedo, um Martins Pena, um João Francisco Lisboa, um Tobias Barreto, um Fagundes Varela. Uma nova geração literária, que aguerridamente se batera pela abolição do cativeiro e pregara os ideais republicanos, viera-se formando ao fim da Monarquia. Olavo Bilac, Coelho Neto, Medeiros e Albuquerque, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, José Veríssimo, Raimundo Correia, Alberto de Oliveira tinham despontado como valores evidentes, e a verdade é que nenhum deles trazia em si o dom de suplantar Machado de Assis. Pelo contrário: reconheciam-lhe a liderança, proclamavam-lhe a superioridade. (continua)

 

* Publicado em Gigantes da Literatura Universal, vol. 26, Verbo, Lisboa/São Paulo, 1972.

 

 

publicado por annualia às 23:51
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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

Cesário Verde nasceu há 153 anos

 

Poeta português formado na estética realista (Lisboa, 25.2.1855 - ibid., 19.7.1886). Concluída a instrução primária, trabalhou com o pai, dono de uma loja de ferragens em Lisboa e de uma granja em Linda-a-Pastora. Frequentou o Curso Superior de Letras de Lisboa e colaborou em diversos periódicos, entre os quais A Folha, fundada por João Penha. Prematuramente vitimado pela tuberculose, a sua obra só foi publicada um ano após a sua morte, por Silva Pinto, com o título de O Livro de Cesário Verde. Embora reflectindo vestígios românticos e prenúncios simbolistas, o corpo essencial da sua poesia filia­se num aristocrático, sereno, distinto, parnasianismo. Serve-se, sobretudo, como tema, ou antes, como estímulo para a divagação poética, da objectividade, da limpidez formal, do descritivo, numa linguagem impressionista, do quotidiano e do banal: as varinas, as vendedeiras de hortaliça, os lojistas enfadados, as elegantes mirando as vitrinas, os transeuntes, os operários, as burguesinhas da cidade; ou, ainda, os mendigos, os aleijados, os pedintes, as criancinhas rotas ou sadias do campo. Relevo especial tem o seu poema «Sentimento de Um Ocidental». Todo um pequeno mundo enche a sua obra, tão curta como significativa, de uma nova perspectiva dentro do real, a que a sua poesia vem dar uma dimensão insólita. É o grande precursor da modernidade na poesia portuguesa.
publicado por annualia às 20:39
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Datas perdidas

A 25 de Fevereiro de 1964 Cassius Clay vencia, em Miami, o Campeonato do Mundo de Boxe ao derrotar por knock out, após 7 rounds, o campeão em título Sonny Liston.

Eis os rounds finais:
*

publicado por annualia às 20:27
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Óscares 2008

Melhor actor
Daniel Day-Lewis em There Will Be Blood
*
Melhor actor secundário
Javier Bardem em No Country for Old Men
Melhor actriz
Marion Cotillard em La Vie en Rose
Melhor actriz secundária
Tilda Swinton em Michael Clayton
Melhor filme de animação
Ratatouille, de Brad Bird
Melhor direcção artística
Dante Ferretti (direcção) e Francesca Lo Schiavo (cenografia) por Sweeney Todd, The Demon Barber of Fleet Street
Melhor cinematografia
Robert Elswit por There Will Be Blood
Melhor guarda-roupa
Alexandra Byrne por Elizabeth: The Golden Age
Melhor realização
Joel Coen e Ethan Coen por No Country for Old Men
Melhor documentário
Taxi to the Dark Side, de Alex Gibney e Eva Orner
Melhor documentário em curta-metragem
Freeheld, de Cynthia Wade e Vanessa Roth
Melhor montagem
Christopher Rouse por The Bourne Ultimatum
Melhor filme estrangeiro
Die Fälscher, de Stefan Ruzowitski
Melhor maquilhagem
Didier Lavergne e Jan Archibald por La Vie en Rose
Melhor partitura original
Dario Marianelli por Atonement
Melhor canção original
Glen Hansard e Marketa Irglova por «Falling Slowly» em Once
Melhor filme
No Country for Old Men, de Ethan Coen e Joel Coen
Melhor curta-metragem de animação
Peter & the Wolf, de Suzie Templeton e Hugh Welchman
Melhor curta-metragem
Le Mozart des Pickpockets, de Philippe Pollet-Villard
Melhor edição de som
Karen Baker Landers e Per Hallberg por The Bourne Ultimatum
Melhor sonoplastia
Scott Millan, David Parker e Kirk Francis por The Bourne Ultimatum
Melhores efeitos visuais
Michael Fink, Bill Westenhofer, Ben Morris e Trevor Wood por The Golden Compass
Melhor argumento adaptado
Joel Coen e Ethan Coen por No Country for Old Men
Melhor argumento adaptado
Diablo Cody por Juno

 

 

publicado por annualia às 20:26
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Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

Robin Moore (1925-2008)

Escritor americano (Massachusets, 31.10.1925 - Hopkinsville, Kentucky, 21.2.2008), autor de vários best-sellers, entre os quais The Green Berets (1965) escrito depois de ter estado no Vietname, junto de uma força militar, e The French Connection (1971), um livro sobre droga e corrupção, que William Friedkin adaptou ao cinema, arrebatando 5 Óscares.

 

 

 

The Green BeretsPitchmanThe Country TeamThe Khaki Mafia
Court MartialThe Happy HookerThe Family ManDubai
The SeasonValency GirlPhase of DarknessThe Terminal Connection
The Washington ConnectionThe Big PaddleThe Black Sea CaperCaribbean Caper
The Last ComingCompulsionFast ShuffleThe Tales of Green Beret
The White TribeThe Moscow ConnectionThe Sparrowhook CurseEncounter on the Moon
Area 51Hercules: Hero of the Night SkyThe Accidental PopeReact : CIA Black Ops
The Singleton: Target Cuba

 

The French ConnectionThe Set Up: The Shocking Aftermath to the French ConnectionMafia WifeL.B.J. and the J.F.K. Conspiracy
Task Force Dagger: The Hunt for Bin LadenHunting Down Saddam

 

 

publicado por annualia às 10:59
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Sábado, 23 de Fevereiro de 2008

A visita do velho senhor

Hoje em Lisboa, no Pavilhão Atlântico, Charles Aznavour vai receber a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores.
publicado por annualia às 10:44
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Rubens de Falco (1931-2008)

Actor brasileiro (São Paulo, 19.10.1931 – ibid., 22.2.2008). Estreou-se no cinema em Apassionata (1952, de Fernando De Barros), tendo participado em vários filmes até 1960, momento em que começou a participar em novelas da TV Excelsior (as primeiras são A Muralha e Maria Antonieta, em 1961) e na Rede Globo (por exemplo O Rei dos Ciganos, 1966). Neste último ano entrou em Engraçadinha Depois dos Trinta, longa-metragem de J. B. Tanko baseada em Asfalto Selvagem de Nelson Rodrigues, começando a alternar as produções cinematográficas com as televisivas. Em 1977, o seu desempenho como «Leôncio» na telenovela Escrava Isaura, projecta a sua carreira em termos nacionais e internacionais. Em 1978 encabeça o elenco da novela O Coronel Delmiro Gouveia e, em 1979, o do filme Os Foragidos da Violência, de Luís de Miranda Corrêa). Em 1981, integrou o elenco de um filme de sucesso: Pixote, a Lei do Mais Forte, de Hector Babenco.
Outras telenovelas: Tempo de Viver (1972), Supermanoela (1974), Escalada (1975), Gabriela (1975), O Grito (1975), Dona Xepa (1977), O Astro (1977), A Sucessora (1978), Os Imigrantes (1981), Campeão (1982), Maçã do Amor (1983), Viver a Vida (1984), Padre Cícero (1984), Grande Sertão: Veredas (1985), Sinhá Moça (1986), Pacto de Sangue (1986), Salomé (1991), Memorial de Maria Moura (1994), Sangue do Meu Sangue (1995), Os Ossos do Barão (1997).
Outros filmes: Essa Gatinha é Minha (1966, de Jece Valadão), O Homem que Comprou o Mundo (1968), Tempo de Violência (1969, de Hugo Kusnet), O Impossível Acontece (1969, de C. Adolpho Chadler), Anjos e Demónios (1970, de Carlos Hugo Christensen), Uma Pantera em Minha Cama (1971, de Carlos Hugo Christensen),  A Difícil Vida Fácil (1972, de Alberto Pieralisi), Missão: Matar (1972, de Pieralisi), Café na Cama (1973, de Pieralisi), O Mau Caráter (1973, de Jece Valadão), O Sósia da Morte (Luís de Miranda Corrêa), Nós, os Canalhas (1975, de J. Valadão), O Homem da Cabeça de Ouro (1975, de Pieralisi), Sonhos Tropicais (2001, de André Sturm)
publicado por annualia às 00:57
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

Annualia 2007-2008: uma recensão crítica

por Beja Santos

Este terceiro volume consecutivo da Annualia é uma pequena preciosidade. A Annualia veio substituir a Enciclopédia Verbo no seu formato clássico e é um achado editorial, como compromisso entre a estrutura enciclopédica do passado e as preocupações de uma publicação anual onde se registam dossiês e factos pertinentes, efemérides, se abordam grandes temas da actualidade ou se evocam figuras prestigiantes que desapareceram durante o período em análise. E, não menos importante, pelo o seu carácter documental, ficam também averbadas as atribuições de prémios em contexto nacional e internacional e passa-se em revista o dossiê do mundo em 2007.
Nos temas em debate, logo na abertura desta Annualia sucedem-se as intervenções de Adriano Moreira, Valadares Tavares, Tomás Espírito Santos e Manuela Franco, abordando dimensões tão díspares como os Portugueses e Portugal e a guerra do Médio Oriente. Na rubrica "Factos e Realidades " são possíveis comentários à volta de Ribonuclease II, as tecnologias energéticas, o Irão na era Ahmadinejad ou Amadeu Sousa Cardoso. Na exaltação dos valores museológicos tem destaque o Museu Nacional de Arqueologia. Hergé ou a partida da Corte para o Brasil, há dois séculos, são saudadas como efemérides inescapáveis, em 2007, Max Planck, o regicídio, Vieira da Silva, Guimarães Rosa, Olivier Messiaen, von Karajan, estão entre as efemérides de 2008. Pina Martins ou Ricardo Pais destacam-se como figuras ou percursos. E partiram deste mundo Cesariny, Oliveira Marques, Fiama Hasse Pais Brandão e Filipe de Sousa entre outros.
A Annualia é pois uma agradável surpresa. Sobre a identidade portuguesa, Adriano Moreira observa que as entidades também se constróem na perpetuação de figuras de referência: Mouzinho de Albuquerque afirmando que "Este Reino é obra de soldados"; uma longa identidade que se exprimiu na expansão marítima e na criação do Império, no combate pela restauração, a nação unida contra as invasões francesas, isto a par da dependência de uma chefia variavelmente legitimista revolucionária, restauradora, carismática, de ditadura parlamentar, alienante, do exercício crítico do civismo, sebasteanista. Os personagens são muitas vezes os estandartes do sonho imperial, do europeísmo da determinação ou do grande projecto. Diz Adriano Moreira que "A contaminação das identidades decorre entre duas vocações das sociedades, uma vocação conservadora e uma vocação inovadora. Depois do 25 de Abril, extinto o império, lançado o processo de democratização, Portugal europeízou-se, não poucas vezes, reproduzindo, imitando ou copiando. Nesta hora da redefinição das soberanias europeias, Portugal lança-se numa nova aventura em busca de identidade.
Falemos agora do Museu Nacional de Arqueologia. Foi fundado por Leite de Vasconcelos que o concebeu como um "museu do homem português", onde se interceptavam a Arqueologia, a Etnografia, e a Antropologia. Neste museu reuniram-se elementos materiais que concorriam para o conhecimento total da vida do homem no nosso solo (tipos físicos, trajos, indústrias, costumes, crenças, habitações, arranjo doméstico, gostos artísticos, folganças, mostrando exemplos das civilizações que por aqui passaram. Concorreram para o acervo do museu o acervo de arqueologia o antigo Museu de Belas Artes bem como numerosas doações de coleccionadores privados. De Museu Etnográfico Português passou para Museu Etnológico, mas manteve-se o espírito de local de encontro de múltiplos saberes e investigações. A Leite de Vasconcelos sucede Manuel Heleno, um historiador competentíssimo que trazia o projecto de construir um museu histórico-cultural, nacional ou até imperial alicerçado na arqueologia. Dotado de uma grande solidez disciplinar, investigador com grande trabalho de campo, Heleno lançou as bases de um património arqueológico de grande valor. Com a chegada do Museu Nacional de Arqueologia definia-se um espaço de exibição, conservação e estudo cobrindo todos os períodos históricos e praticamente todas as zonas geográficas de Portugal. Hoje o Museu Nacional de Arqueologia assegura assessoria museológica, forma pessoal, disponibiliza recursos educativos, promove encontros científicos e profissionais além de que é o local mais adequado em Portugal para a apresentação de temas da arqueologia internacional os mais variados.
A Annualia é assim um livro de cabeceira e de consulta a desoras. Hergé teve o seu primeiro centenário em 2007, é um dos sumo-sacerdotes da BD, o genial criador de Tintim, o jovem jornalista exemplar com histórias audaciosas pelo o mundo inteiro. Mas a sua ousadia na BD não se confinou a Tintim, deixou-nos uma plêiade de figuras destinadas à posteridade: o Capitão Haddock, colérico, eufórico e sentimental; o Professor Girassol, o sábio mais distraído do universo; Bianca Castafiore, a caprichosa diva do bel-canto; Dupond e Dupont, os desastrados polícias que muitas vezes triunfam na sombra dos êxitos retumbantes do jovem Tintim... Hergé criou uma vasta galeria de personagens como mordomos, meninos traquinas, um comerciante e um sábio português, um canalha de grande coturno, Roberto Rastapopoulos, o marquês de Gorgonzola, mas também o cão Milu, o General Alcazar, um charlatão sempre á procura de revoluções, gente chata como Serafim Lampião, entre tantos outros. Hergé é um habilidoso anotador de códigos de valores ainda hoje ancorados e apreciados por crianças de todas as idades.
Este ano a Editorial Verbo comemora cinquenta anos. A vida editorial portuguesa teve na verbo uma elevadíssima expressão cultural, na Enciclopédia e nas enciclopédias especializadas, em grandes obras que giraram à volta da arte e do património cultural, mas também do livro infantil, do estudo universitário e até do dicionário.
É a historia de um esforço que merece ser saudado nesta Annualia 2007-2008.
publicado por annualia às 13:08
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Georges Bernanos nasceu há 120 anos

 
Escritor, moralista e panfletário francês (Paris, 20.2.1888 – Neuilly-sur-Seine, 5.7.1948). Célebre sobretudo pelo Dialogue des Carmélites (1949) e o Journal d’un curé de campagne (1936), foi um escritor comprometido ao mesmo tempo no campo religioso e no político. Dirigiu na juventude, em Rouen, L’Avant-garde, hebdomadário de inspiração monárquica. Só aos 38 anos publica o seu primeiro romance, Sous le soleil de Satan. Seguem-se L’Imposture (1927), La joie (1929), La Grande Peur des bien-pensants (1931). Durante a Guerra de Espanha toma partido contra os franquistas e publica Les Grands Cimetières sous la Lune. Exilado no Brasil, onde ficará durante toda a II Guerra Mundial, publicou Nous autres, français (1939), Lettre aux anglais (1943). Desaprovando claramente o Governo de Vichy, exortou os Franceses à resistência. Em La France contre les Robots (1947) ataca o materialismo da civilização tecnocrática. Após a sua morte foram publicados Les Enfants humiliés e Le Dialogue des Carmélites (representado em 1952).
 
Sous le soleil de Satan
 
 
                Imagem do filme Journal d'un curé de campagne (1950), 
baseado no livro de Georges Bernanos
e realizado por Robert Bresson.
Maurice Pialat passou ao cinema Sous le Soleil de Satan (1987),
vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes.
publicado por annualia às 01:58
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