Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Charles Darwin: 200 anos


Charles Robert Darwin nasceu a 12 de Fevereiro de 1809 na cidade de Shrewsbury, em Inglaterra e faleceu a 18 de Abril de 1882 em Downe, Kent. Provinha de uma família abastada e influente. Era filho de Robert Waring Darwin, prestigiado médico, e de Susannah Darwin, cujo falecimento precoce poucas recordações deixaram em Charles. Era também neto de Erasmus Darwin, físico e poeta. Ambas as famílias, tanto da parte da mãe como da parte do pai eram profundamente religiosas, o que viria a influenciar a vida de Charles.

 Começou por seguir os passos do pai em 1825, inscrevendo-se no curso de medicina na Universidade de Edimburgo. No entanto decepcionou-se com a cirurgia que considerava brutal. Desistiu passados dois anos e o pai decidiu que ele fosse para uma escola anglicana, o Christ's College, em Cambridge onde acabou por concluir a licenciatura de Teologia em 1831, com alguma relutância pois a sua verdadeira vocação era a História Natural. No colégio passava o tempo a recolher insectos, aprendendo geologia, história natural e matemática, como actividades extracurriculares. Nestas actividades Darwin conheceu dois professores, Adam Sedgwick, geólogo, e John Henslow, botânico, que lhe incutiram o gosto pela geologia e pela botânica. No término da sua licenciatura fez um estudo com Adam Sedgwick, sobre formações rochosas em Wales. Quando regressou a casa, encontrou uma carta de Henslow Darwin, convidando-o a viajar no HMS Beagle que iria partir para uma viagem à volta do mundo numa missão de investigação. Assim embarcou em 1831, sobre o comando do capitão Robert Fitzroy, e durante cinco anos percorreu a Grã – Bretanha (de onde partiu), as Ilhas de Cabo Verde, o Brasil, as Ilhas Falkland, as Ilhas Galapagos, o Tahiti, a Nova Zelândia, a Austrália, a Tasmânia, as Ilhas Cocos (Keeling), África do Sul e as Ilhas Ascensão e Santa Helena.
Durante a viagem recolheu amostras de solo, fosseis e variadas espécies exóticas. Analisando os fosseis conseguiu concluir que os animais existentes na zona da América do sul tinham ainda certas características de espécies já extintas. A descoberta mais importante foi feita sobre as espécies de tentilhões que encontrou nas ilhas Galápagos.
Quando chegou a Inglaterra os ornitólogos disseram-lhe que estas aves eram de espécies distintas. Mas Darwin não acreditou e concluiu que estas aves se teriam transformado de acordo com o meio ambiente. Com o decorrer da viagem tornou-se amigo de Robert Fitzroy. No inicio da viagem este ofereceu-lhe o primeiro volume de Charles Lyell, Principles of Geology (1830-3). Nesta obra Lyell explicava que as alterações a nível geológico, se davam num longo período de tempo. Influenciado por Lyell, Darwin ao coleccionar as espécies fossilizadas que se encontravam nas diferentes formações rochosas, verificou que essas espécies também teriam uma modificação num longo período de tempo e concluiu que um dos mais importantes pré-requisitos para a sua Teoria da Evolução era o tempo que decorria para as espécies se alterarem.
Em 1836, quando Darwin regressou a Inglaterra começou a compilar a listagem dos espécimes recolhidos na viagem do Beagle bem como as notas zoológicas, que foram publicadas num conjunto de cinco volumes na obra, The zoology of the voyage of H.M.S. Beagle (1838-43). Em 1838 Darwin leu a obra de Thomas Malthus, Essay on the Principle of Population (1798), que o influenciou na elaboração da teoria da selecção natural. Malthus defendia que a população humana tendia a crescer exponencialmente para além das possibilidades do meio, enquanto os recursos alimentares cresciam em progressão aritmética. Darwin intuiu que devido à escassez de recursos iria existir uma luta pela sobrevivência, e como resultado dessa competição, a partir de uma certa altura a mortalidade compensaria a natalidade e o crescimento da população estabilizava. No ano eguinte, foi publicada a obra-prima de Darwin, On the Origin of species by means of natural selection, or the preservation of favoured races in the struggle for life.
Partindo das ideias evolucionistas de seu avô e de Lamarck, Darwin estava em condições de propor definitivamente a teoria evolucionista em que acreditava. Nesta altura começou a escrever sobre a Teoria da Evolução, que foi mantida em segredo. Em 1858 foi interrompido pelo aparecimento de um Artigo de Alfred Russel Wallace, que continha uma antecipação da sua teoria.
Nesta obra Darwin explicava em primeiro lugar, que todas as espécies de plantas e animais existentes descendiam de formas mais primitivas, que viveram em tempos passados, propondo portanto, uma evolução biológica; em segundo, Darwin explicou que esta evolução se devia à selecção natural, na qual o ambiente desempenhava o papel principal. Em suma, a selecção natural era responsável pela evolução, ou seja, quem melhor se adaptava ao meio ambiente, sobrevivia e podia garantir a continuidade da sua espécie.
Quando foi publicada, não foi aceite pela comunidade científica, por ser uma teoria extremamente polémica que se opunha à concepção teoologico-cristã. Desta controversa surgiram adeptos e opositores da teoria, num processo que foi assumindo diferentes contornos que ultrapassaram a própria interpretação científica.
Darwin escreveu também outras obras, para explicar a evolução e a tão contestada evolução do homem, como por exemplo, a obra Descent of Man. Uma das observações em que se baseou para escrever esta obra em 1871 foi a uma orangotango chamada Jenny e outros primatas que o lembrava do comportamento dos filhos quando crianças. Ele continuou a sua investigação sobre a descendência do homem estudando as expressões faciais de doentes mentais, consultando artistas e fotógrafos e explorando características psicológicas como a raiva ou a felicidade e outras. Darwin acreditava que havia continuidade na evolução das expressões dos animais e dos humanos.
Publicou um ano depois, a obra, The Expression of the Emotions in Man and Animals (1872), onde explicou ainda as origens de um ponto de vista religioso, dizendo que as pessoas têm necessidade de encontrar uma explicação para a sua existência através das estrelas, o universo, ou de um ente superior, como Deus, e portanto a religião. A sua última teoria sobre evolução é que os animais contêm traços de todas as expressões e emoções humanas. Darwin mostrava que entre os homens e os outros animais existiram reduzidíssimas diferenças, as quais seriam consequência da alteração gradual contínua e cumulativa operante ao longo do tempo.
Na sua última obra, publicada um ano antes do seu falecimento, The formation of vegetable mould through the action of worms (1881), Darwin voltaria a reflectir sobre a importância do processo gradual e cumulativo da influência ambiental sobre a evolução das espécies e a cristalizar a sua crença profunda na teoria da evolução por selecção natural.

 

Excerto do texto de Isabel Amaral, da UNL, em ANNUALIA 2008-2009.

 

 

publicado por annualia às 09:35
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