Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

Prémio de Poesia Luís Miguel Nava 2009/ A. M. Pires Cabral

Escritor português (Chacim, Macedo de Cavaleiros, 1941). Muito ligado à sua região, não só por laços afectivos, mas também por uma vasta acção cívica e cultural, a sua literatura ultrapassa a fronteira do regionalismo, firmando-se como romancista e poeta de cunho clássico sem renegar a modernidade.

Alguns títulos: Algures a Nordeste (poesia, 1974); Solo Arável (poesia, 1976); Sancirilo (romance, 1983; 2ª edição reescrita, 1996); O Diabo Veio ao Enterro (contos, 1985);Memórias de Caça (contos, 1987), Crónica da Casa Ardida (romance, 1992); Raquel e o Guerreiro (romance, 1995), Três Histórias Transmontanas (contos, 1998); Artes Marginais (antologia poética, 1998); Desta Água Beberei (poesia, 1999); O Livro dos Lugares e Outros Poemas (poesia, 2000); Antes Que o Rio Seque – poesia reunida (2006), As Têmporas da Cinza (poesia, 2008).

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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Prémio Pessoa 2009/ D. Manuel Clemente

Relações entre os portugueses e Portugal

por D. Manuel Clemente

 
 

É habitual insistir-se na nossa infinita capacidade de adaptação,

seja aonde for. Pergunto-me se não se trata ante do contrário. Se não devíamos

falar até da impossibilidade de deixarmos de ser quem somos,

tal a densidade interior que acumulámos.

 

Primeiro andamento.

Relações pouco nítidas, talvez, mas nem por isso menos fortes, as que nós, o portugueses, mantemos com Portugal. Como se este fosse outra coisa do que nós realmente somos, apesar do distanciamento impossível que gostamos de manter com ele, ou com o que a sua nomeação evoca.

Até ao século XVI fomo-nos garantindo e definindo. Primeiro a Reconquista, como lhe quisemos chamar. Com ela o repovoamento do território, numa mescla de mouros e judeus, moçárabes, galegos e nórdicos, que prefaciou as futuras. A seguir, a definição de um País, como a acabaram por fazer os monges e os cronistas, de Alcobaça e Santa Cruz a Fernão Lopes e Zurara. Depois de 1578 (Alcácer-Quibir), fomo-nos perdendo e restaurando ciclicamente: entre 1580 e 1640; entre 1820 e 1910; entre 1910, 1926 e 1974: desde o fim de Oitocentos, cantamos ser preciso “levantar hoje de novo o esplendor de Portugal”.

 

Um difícil testamento.

Digo, por isso, que a relação que mantemos com Portugal é, fundamentalmente, bíblica. Olhamos Portugal como uma personalidade colectiva portadora duma alma, no sentido romântico do termo, ainda que referido a algo muito anterior ao Romantismo. E a relação que mantemos com esse gostoso e custoso colectivo vem na esteira dum outro povo, que se descobriu eleito e portador duma missão universal.

Não foi certamente por acaso que a primeira teorização da pátria portuguesa em torno duma promessa divina nasceu em meio monástico, nos cronistas de Santa Cruz de Coimbra, tão ligados que estavam ao seu patrono da havia dois séculos, D. Afonso Henriques. E a um acontecimento, cuja significação foi engrossando: a batalha de Ourique (1139), prodígio divino que nos séculos XV e XVI se circunstanciou na promessa de Cristo ao nosso primeiro rei: fundaria um reino tão imortal como a sua origem e com idêntica projecção religiosa.

É verdade que, com a alusão vetero-testamentária dos reis e destinos messiânicos, se juntava uma outra, a do império “cristão”, tal como a contava a legenda da promessa divina a Constantino, duma vitória conseguida sob o signo da cruz. Mas a segunda já for a uma reconstrução romana da epopeia judaica, possibilitada por um Evangelho que universalizara a promessa. 

Camões assim o assinalaria n’ Os Lusíadas e Vieira retomou o motivo, para assegurar com ele a certeza e o significado da Restauração: Portugal como esteio do Império de Cristo na terra, finalmente realizado, numa humanidade que só agora divisara os seus contornos, através precisamente das nossas descobertas.

O ouro joanino pôde ainda manter-nos contentes connosco, tanto quanto. A dissolução geral do Portugal antigo, entre as Invasões Francesas (1807 e seguintes) e a Regeneração (1851), esvaziou quase por completo a substância de que se alimentara a nossa auto-representação. E roía-lhe especialmente a substância religiosa de que se alimentara, em tantas crónicas, sermões e discursos. Sobrava o contraponto dos espíritos práticos que, de quando em quando, tinham proposto desígnios mais próximos e quantitativos.

De Oitocentos para Novecentos, vivemos como os Judeus regressados do exílio babilónico, divididos entre os trabalhos do campo e a reconstrução do templo, o pragmatismo e o sonho (cf. O livro do profeta Ageu, cap.1). Vivemos geralmente mal com nós mesmos, por nos acharmos sempre aquém do que teríamos sido ou do que poderíamos voltar a ser … Há nisto algum auto-ressentimento, independentemente da nossa extracção religiosa ou não-religiosa. Todos nos embebemos dum Portugal que não achamos.

 

Uma estranha geografia.

E tanto assim é, de facto, que pouco importa a base territorial que nos recorte. A nossa relação com Portugal não é verdadeiramente geográfica. Ainda aqui contará a fortíssima herança judaica, nómada por excelência. 

Antes de mais, na sua própria consciência circunscrita. É frequentíssimo encontrar portugueses sem ideia precisa da localização de terras, rios ou montanhas nossas. Frequentíssimas as confusões de caminhos e distâncias, não sendo estas as mesmas no Minho e no Alentejo. E isto mesmo seria de estranhar num povo que tão habilmente se instala em qualquer parte do mundo, como se já fosse casa sua.

Digo seria, porque realmente não o é. Mais do que o “Brasil mental” de que falava Bruno, “mental” é o Portugal em que idealmente nos figuramos, depressa suportando qualquer geografia física. Em meados de Duzentos reconquistou-se o território básico, “onde a terra acaba e o mar começa”. Mas nem esse nem as ilhas atlânticas nos concluíram nunca. Ainda hoje temos outra geografia: quinze milhões repartidos em cinco alíneas: a) da cordilheira central para Norte; b) daí para Sul; c) Açores; d) Madeira; e) emigração. E cada uma destas muito subdivididas, obviamente. Só que, qualquer beirão ou açoriano, qualquer alentejano ou madeirense, pode ter a sua geografia verdadeiramente pátria noutro recanto do mundo, coberto ou descoberto pela bandeira nacional.

Dois episódios, entre tantos de geografia portuguesa: em Paris, na casa dum emigrante abastado e bem sucedido e bem integrado na sociedade francesa, quando a única coisa que me quis verdadeiramente mostrar foi a horta que cultivava no quintal, absolutamente lusitana; em Cochim, onde não estamos politicamente há tanto tempo, quando o seu falecido bispo, sem uma gota de sangue nosso e nenhuma palavra nossa também, me mostrou embevecido o arquivo que conseguira montar, cheio de documentação portuguesa, que obviamente não lia. Naquele quintal parisiense ou nesta costa do Índico, foi com Portugal que me relacionei, fora da geografia convencional.

É habitual insistir-se na nossa infinita capacidade de adaptação, seja aonde for. Pergunto-me se não se trata ante do contrário. Se não devíamos falar até da impossibilidade de deixarmos de ser quem somos, tal a densidade interior que acumulámos. Não temos de nos adaptar por aí além, por que já temos dentro e acumulados os infinitos aléns que nos formaram. Aqui, neste recanto ocidental do Continente, sedimentaram-se, milénio após milénio, os variados povos que, do Norte de África ou do Leste da Europa, tiveram forçosamente de parar numa praia que só no século XV se transformou em cais de embarque. Aqui chegaram outros que depois vieram e continuam a vir das mais diversas procedências. Tanta gente em tão pouco espaço só pode espraiar-se numa geografia universal. Assim foi e assim é. Por isso também, se é verdade que muitos outros povos manifestam capacidade variável de adaptação fora da sua terra, nós manifestamos algo de endógeno que já não é propriamente adaptação, antes conaturalidade.

António José Saraiva comparou-nos a um fruto mole na casca e duro por dentro. Tinha razão: temos por dentro muitíssimo mundo, consolidado em sucessivas experiências, em que a convivência acabou por ganhar às lutas. Por isso concentrámos geografias, para as maleabilizar depois. E será talvez sob este aspecto que melhor nos damos com Portugal.    

 

 

A poesia como reconhecimento.

Compreende-se assim que o melhor Portugal seja poético, ou seja, mais feito do que construído, mais desligado da prosa e das contas. Melhor porque maior, só assim o podendo ser, sem restrição geográfica. Com tanta água territorial, o mais de Portugal é mar…

Talvez por isso mesmo, a melhor ideia que temos de nós próprios provém da poesia e não da prosa. Desta última guardamos sobretudo o que nos distancia de nós próprios, entre a ironia e o sarcasmo. Pensamo-nos mais altamente à maneira de Camões do que à maneira de Eça. Ou, deste último, recolhemos as páginas mais “poéticas” que nos dedicou n’ A Cidade e as Serras.

Ou seja, quando nos relacionamos bem com Portugal, fazemo-lo com um País mais sentimental do que mentalmente definido, como se a espuma das ondas nos toldasse a visão. E tanto assim é que o nosso próprio movimento – terrestre que seja – continua a ser marítimo, mesmo para quem nunca sulcou as ondas: estamos sempre a “embarcar”, como se a viagem mais trivial se sublimasse também. Até as nossas serras têm “naves”…

É da poesia que advém ainda a nossa permanente disponibilidade para o milagre. O “milagre português”, no caso. Não há época da nossa história em que tal não aconteça, emblematicamente. É certo que, para a Fundação, o “milagre” de Ourique é projecção posterior, como foi ultimado. Mas, mesmo um autor tão rigoroso e detalhado como Fernão Lopes, se espanta e nos espanta com o “milagre” de Aljubarrota ou de Nun’Álvares. Para a Restauração, sobretudo, tudo é “milagroso”, das profecias de Bandarra ao futurismo do Padre António Vieira. E daí para cá, não faltaram prenúncios nem salvadores, mesmo em tempos mais razoáveis e pragmáticos. Continuamos absolutamente disponíveis, uma vez que qualquer concretização ainda será pequena para o tamanho que demos à memória. Nascem daqui as “saudades do futuro”, que vários escritores nos atribuíram, certeiramente aliás.    

 Daqui provêm também duas caracterizações: o nosso tempo é descontínuo; a nossa relação mútua pode desapontar-nos. O tempo contínuo e programado é próprio de sociedades previstas e de longo prazo. Também o temos, decerto. Mas creio ser frequente ouvirmos expressões que abrem antes para a surpresa ou o devaneio, na projecção dos dias. É um velho debate, que importa retomar em termos diferentes de há um século. Mas é bem possível que o singular percurso histórico que nos moldou, com tantos momentos inesperados, nos tenha tornado pouco propensos a uma consideração linear do devir pátrio ou mesmo pessoal. Igualmente nos decepcionamos facilmente quando constatamos que os outros ficam aquém dos modelos com que os prevíamos. Em Portugal – sem que tenhamos disso o monopólio – é fácil ser-se tudo hoje e quase nada manhã. Mas também é fácil que tudo acabe por se relativizar, pela mesma indefinição dos contornos e esvaimento do concreto que se referiu acima.

Aliás, oscilamos entre a beleza das coisas pequenas e uma persistente disponibilidade para os grandes momentos. Um certo “regresso ao campo”, de fim-de-semana, férias ou reforma; a inesgotável popularidade dos filmes de há sessenta anos; o reencontro do artesanato; a constante utilização do sufixo “inho/a”, mesmo nas coisas mais utilitárias e prosaicas: tudo nos reencontra num certo “Portugal dos pequeninos”, oxalá próximo da primeira bem-aventurança. O imenso gosto pela festa como interrupção das linearidades traz-nos um devaneio que suporta o dia a dia. Aliado a algum sentido prático, tem originado empreendimentos criativos e consequentes, que vão muito além de ocasionais recordes de Guiness, prémios de inventores e registos de patentes.  

 

Curiosas figurações.

Um bom indício do modo como nos relacionamos com Portugal são as nossas auto-figurações, as feitas e as por fazer. Quanto às feitas, reparemos em duas, uma popular e outra erudita.

A popular é certamente o Zé Povinho. Desde que Bordalo a pintou, foi constantemente reproduzida e encontramo-la em todo o lado. Mas que significa ao certo? Ignorância ou esperteza? De tudo um pouco, como se tem dito e escrito, em análises rápidas ou de maior fôlego. Mas é exactamente nessa indefinição que ela pode servir para caracterizar a relação que mantemos com nós mesmos, ou com o País no seu todo. Coexistimos uns com os outros – e, cada vez mais, com os estrangeiros - em subalternidade e atraso, ou em esperteza, razoável desconfiança e quase “retranca” galega?

A erudita encontra-se nos painéis de Nuno Gonçalves. Quando foram, também eles, “descobertos”, logo atraíram como um íman uma atenção crescente e vivaz. Passou um século e continuam a olhar-nos, com aquelas dezenas de olhos que nos perscrutam e avisam, não sabemos bem de quê. Nunca uma obra de arte nos interrogou tanto, motivando sucessivas interpretações, tanto dela como nossas. Interpretações, aliás, que aparecem quase como urgentes, para decifrarem finalmente um enigma que é existencial e de nós todos. Como se Portugal de depreendesse dali, como “mensagem”, para falar segundo Pessoa, ou como “navegação”, para falar segundo Sophia…

Mais enigmaticamente – ou sintomaticamente – há auto-figurações não feitas. Escolho uma, por demais eloquente: a estátua que nunca se colocou no pedestal do alto do parque Eduardo VII. Fosse ou não para Nun’Álvares / Santo Condestável, tratar-se-ia sempre dum “umbigo de Portugal”, quase como o de Delfos fora o do Mundo. Detecta-se uma polémica muda em torno daquele lugar vazio, daquele pedestal agora desfeito. Como se já não tivéssemos figuração possível. Como se a relação com Portugal já não lhe encontrasse rosto.

Aqui chegámos, finalmente. Mais como interrogação do que como certeza. Vamos andando, apesar de tudo. E, muito à portuguesa, “depois se verá”. O que também é já um grande saber de experiência feito.

 

Este texto foi originalmente publicado no volume Annualia 2006-2007 (Verbo, 2006) e reproduzido depois em Portugal e os Portugueses (Assírio & Alvim, 2008).

 

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Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Prémio Goncourt de Poesia/ Abdellatif Laâbi

O Prémio Goncourt de Poesia foi atribuído ao poeta marroquino (n. Fez, 1942) Abdellatif Laâbi, pelo conjunto da sua obra. Ver texto autobiográfico e bibliografia exaustiva aqui.

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Prémio Cervantes 2009/ José Emilio Pacheco

Poeta e ensaísta mexicano (n. Cidade do México, 30.6.1939) que se destacou também como tradutor (Beckett ou T. S. Eliot, por exemplo), professor (no México, mas também nos EUA, no Canadá e no Reino Unido), director de colecções e editor, tendo dirigido a «Biblioteca del Estudiante Universitario» e várias revistas e suplementos literários. O Prémio Cervantes foi-lhe atribuído por ser «um poeta excepcional da vida quotidiana com profundidade e capacidade de recrear um mundo próprio». José Emílio Pacheco tem sido distinguido, ao longo da sua vida, com os mais prestigiados prémios: Prémio Nacional de Poesia, Prémio Nacional de Periodismo Literário, Prémio Xavier Villaurrutia, Prémio Magda Donato, Prémio José Asunción Silva em 1996, Prémio Octavio Paz em 2003, Prémio Federico García Lorca em 2005, Prémio Ibero-americano de Poesía Pablo Neruda em 2004 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana em 2009. Em 2006 entrou para a Academia Mexicana.
Da sua obra destacam-se: El castillo en la aguja (1962), Los elementos de la noche (1963), El reposo del fuego (1966), Morirás lejos (romance, 1967), No me preguntes cómo pasa el tiempo (1969), Irás y no volverás (1973), Islas a la deriva (1976), Ayer es nunca jamás (1978), Desde entonces (1980), Batallas en el desierto (romance, 1981), Trabajos en el mar (1983), Fin de siglo y otros poemas (1984), Album de zoología (1985), Alta traición (antologia, 1985), Miro la tierra (1986), Ciudad de la memoria (1989), El silencio de la luna (1994), La arena errante (1999), Tarde o temprano (poemas 1958-2000), Epitafio de fuego (2006), Contraelegía (antologia, 2007), La edad de las tinieblas (poemas em prosa, 2009). Os seus livros de contos incluem os títulos: El viento distante y otros relatos, El principio del placer, El pozo y el pêndulo e
La sangre de medusa.

 

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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

O Homem da Capa Verde

TEATRO INFANTIL

O Homem da Capa Verde, de Fernando de Paços

 

 

Sociedade Dramática de Carnide

5 de Dezembro de 2009 - 28 de Fevereiro de 2010

6as- 21:30 h; Sábados- 17 h; Domingos-11 h

 

 

 Versão YouTube aqui.

 

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Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Anselmo Duarte (1920-2009)

Realizador e actor brasileiro (Salto do Itú, São Paulo, 21.4.1920 – São Paulo, 7.11.2009) que se tornou um dos actores mais populares do Brasil, em filmes como Querida Susana (1947, de Alberto Pieralisi), Tico-Tico no Fubá (1952, de Adolfo Celi), Sinhá Moça (1954, de Tom Payne e Oswaldo Sampaio) e A Arara Vermelha (1957, de Tom Payne). Em 1957, dirigiu o seu primeiro filme, Absolutamente certo, uma comédia musical, rodando em Espanha Um Raio de Luz e, entre nós, a terceira versão de As Pupilas do Senhor Reitor, no qual interpretou a personagem de Daniel (1959-1960). O segundo filme, O Pagador de Promessas (1962), segundo a peça de Dias Gomes, foi também um triunfo para o cinema brasileiro, ganhando a Palma de Ouro, em Cannes. O seu filme Vereda de Salvação (1965) foi apresentado no Festival de Berlim e nomeado para o Urso de Ouro.

Outros filmes: O Reimplante (1969), Quélé do Pajéu (1970), Um Certo Capitão Rodrigo (1971), O Descarte (1973), Já não se faz Amor como Antigamente (1974), Marido Que Volta Deve Avisar (1975), O Crime do Zé Bigorna (1976), Os Trombadinhas (1979).

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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Francisco Ayala (1906-2009)

Escritor espanhol (Granada, 16.3.1906 – Madrid, 3.11.2009) que foi colaborador, ainda quando jovem, de La Revista de Occidente, dirigida por Ortega e Gasset, e La Revista Literaria. Formado em Direito, cujo estudo especializou na Alemanha, foi professor catedrático de Direito Político. Na sua extensa produção figuram o romance, o ensaio sociológico e a crítica literária, em todos estes géneros se destacando pelas qualidades narrativas e uma marca de sarcasmo e desencanto. Os seus trabalhos sociológicos constituem um precioso contributo para a compreensão de alguns dos fenómenos sociais e culturais do nosso tempo. Entre os seus romances destacam-se El boxeador y un ángel (1929), Los usurpadores (1949), Al fondo del vaso (1962), De triunfos y penas (1982), e entre os seus ensaios, Historia de la libertad (1943), Tecnología y libertad (1959), Cervantes y Quevedo (1974) e El escritor y su imagen (1975). Em 1972, recebeu o Prémio Nacional da Crítica por El jardín de las delícias, e, em 1983, o Prémio Nacional de Literatura por Recuerdos e Olvidos; em 1988, foi distinguido com o Prémio Nacional de Letras Espanholas; em 1991, recebeu o Prémio Cervantes e, em 1998, o Prémio Príncipe das Astúrias das Letras. Entrou para a Real Academia Espanhola, em 1983.

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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Claude Lévi-Strauss (1908-2009)

 Antropólogo francês (Bruxelas, 28.11.1908 - Paris, 31.10.2009). «Efectuou os seus estudos superiores em Paris (Sorbonne), onde conclui Filosofia (1931), depois a agregação e, mais tarde, o doutoramento em Letras (1948), com uma tese sobre as estruturas de parentesco. Após dois anos de ensino, participa numa missão cultural francesa no Brasil: aí é professor de Sociologia na Universidade de São Paulo e faz diversas expedições etnográficas entre os índios (Mato Grosso e Amazónia). De regresso a França (1939), parte (1941) para os EUA, convidado pela New School for Social Research de Nova Iorque (1942-1945), conhecendo o célebre linguista R. Jakobson; ensina na École Pratique des Hautes Études (cátedra de Religiões Comparadas), no Collège de France (desde 1959, cátedra de Antropologia Social). Com a publicação das suas obras a Antropologia Estrutural (1958), o Pensamento Selvagem e O Totemismo (1962), o estruturalismo atinge o auge da sua audiência. Eleito, em 1973, para a Academia Francesa.»
Esta a introdução da longa entrada sobre Lévi-Strauss na Enciclopédia Verbo, que o autor, Acílio da Silva Estanqueiro Rocha, conclui deste modo: «Contrapondo, quer ao humanismo clássico (renascentista) que se restringiu à cultura clássica e à área mediterrânica, quer ao humanismo burguês (séculos xviii-xix) ligado aos interesses económicos, Lévi-Strauss propõe um «humanismo etnológico» inspirado nas sociedades que estudou. Então, todas as culturas têm os mesmos direitos (humanismo democrático), com referência essencial à natureza (humanismo generalizado ou ecológico); tal humanismo radica no respeito por qualquer fora de vida e de diversidade cultural. Minimizando o êxito dos progressos proclamado pela civilização ocidental, nomeadamente o da Revolução Industrial — pálida réplica da Revolução Neolítica —, compraz-se em mostrar como os resultados do progresso, usados como instrumento de denominação do homem, são tais que vêm a anular o seu benefício; a «antinomia do progresso» gera «uma verdadeira entropia sociológica [que] impele sempre o sistema no sentido de inércia»; após o entropia anunciada pela física, é Lévi-Srauss quem adverte acerca duma entropia sociológica: «em vez de antropologia, seria necessário escrever ‘entropologia’, o nome de uma disciplina consagrada a estudar as suas manifestações mais elevadas neste processo de desintegração» (provocado pelo progresso). A «mitologia» do progresso, de tipo etnocentrista, deve ser substituída por um outro princípio — o do relativismo cultural —, que assenta no respeito pela polifonia cultural, de índole rousseauniana, num esforço incessante que evite reduzir o outro às dimensões do mesmo. Uma nova ética é proposta, de fundo humanista: «um humanismo bem ordenado não começa por si mesmo, mas põe o mundo antes da vida, a vida antes do homem, o respeito pelos outros antes do amor próprio». Por outro lado, se é contestada, na linha do cogito, uma certa imagem da «natureza humana», é porque ela é agora compreendida segundo uma matriz de combinatória universal, de índole leibniziana, em que as culturas particulares seriam as produções de superfície adentro de um processo universal, o que torna ainda possível discernir acerca do que de originário ou de artificial há na actual concepção da natureza humana. »

Algumas obras de Claude Lévi-Strauss: La vie familiale et sociale des Indiens Nambikwara (1948), Les structures élémentaires de la parenté (1949, ed. rev. e corrigida, 1967), Race et histoire (1952), Tristes tropiques (1955), Anthropologie structurale (1958), Le totémisme aujourd’hui (1962), La pensée sauvage (1962); Mythologiques compreende 4 tt.: t. i, Le cru et le cuit (1964), t. ii, Du miel aux cendres (1966), t. iii, L’origine des manières de table (1968), t. iv, L’homme nu (1971), Anthropologie structurale deux (1973), La voie des masques (1975, ed. rev. e aumentada, 1979); Myth and meaning (1978), Le regard éloigné (1983), Paroles données (1984), La potière jalouse (1985), De près et de loin (1988), Des symboles et leurs doubles (1989).

Claude Lévi-Strauss por Júlio Pomar

 

 

 

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Prémio Goncourt/ Marie Ndiaye

Marie Ndiaye é uma escritora francesa de ascendência senegalesa (n. Pithiviers, 4.6.1967), que publicou o seu primeiro romance aos 17 anos, Quant au riche avenir (1984). Formada em Linguística, esteve na Villa Médicis, em Roma, como bolseira da Academia Francesa. O seu romance Rosie Carpe (2001) foi distinguido com o Prémio Femina. Agora, em 2009, o Goncourt foi atribuído ao seu romance Trois femmes puissantes. Outras obras: En famille (romance, 1990), Papa doit manger (teatro), Tous mes amis (novela, 2004).

Segundo Pierre Assouline «elle a un univers bien à elle, sa propre langue, sa voix immédiatement reconnaissable au bout de trois lignes, trouvée et imposée dès ses premiers textes ; elle est distinguée à mi-chemin d’un parcours sans faute, fidèle à son absolu de la littérature, pour un bon livre déjà loué par la critique, porté par les libraires et plébiscité par les lecteurs.» Ver o texto integral aqui.

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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Alda Merini (1931-2009)

Poeta italiana (Milão, 21.3.1931 – ibid., 1.11.2009) cujo primeiro livro, La presenza di Orfeo, publicado em 1953, foi muito bem recebido pela crítica. Seguiram-se-lhe Paura di Dio (1955), Nozze romane (1955), Tu sei Pietro (1962). À publicação destes volumes seguiram-se muitos anos de silêncio, quebrado, em 1984, com La Terra Santa, e depois uma intensa produção, que agora se estende, por vezes, à prosa: L’altra verità. Diario di una diversa (1986), Testamento (poesia, 1988), Delirio amoroso (1989), Il tormento delle figure (1999), Vuoto d’amore (poesia, 1991), Le parole di Alda Merini (1991), Ballate non pagate (poesia, 1995), La pazza della porta accanto (1995), La vita facile (1996), Fiore di poesia, 1951-1997 (poesia, 1998), Lettere a un racconto. Prosa lunghe e brevi (1998), Il ladro Giuseppe. Racconti degli anni Sessanta (1999), Aforismi e magie (1999), Superba è la notte (poesia, 2000), Più bella della poesia è stata la mia vita (poesia, 2003), Clinica dell’abandono (poesia, 2004), L’anima innamorata (poesia, 2000), Corpo d’amore. Un incontro con Gesù (poesia, 2001), Magnificat. Un incontro con Maria (poesia, 2002), La carne degli Angeli (poesia, 2003). Candidatada ao Nobel, entre vários os prémios com que foi distinguida, destacam-se o Prémio Viareggio de 1996 e o Prémio da Presidência do Conselho de Ministros de Poesia, em 1999.

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Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Pierre Chaunu (1923-2009)

Historiador francês (Belleville-sur-Meuse, 17.8.1923 - Caen, 22.10.2009) criador do conceito de «história serial». «É uma história quantitativa globalizante que integra o facto histórico em séries homogéneas, de modo a estudar melhor a evolução de um determinado lapso de tempo, através de uma análise matemática», na formulação de António Leite da Costa na Enciclopédia Verbo. «Mas, para Pierre Chaunu, a História Serial engloba todas as histórias quantitativas, ultrapassando a tradicional história económica e a recente demografia histórica, partindo à conquista de outros domínios da História, onde, aparentemente, a utilização de séries e a sua interpretação matemática parecia ter menos cabimento. É, sobretudo, nos anos 60 e 70 que surgem, em França, teses demonstrativas do valor e da importância da História Serial. Desde a monumental tese do próprio Pierre Chaunu sobre Sevilha e o Atlântico, notável estudo de história económica onde se cruzam a história social e a história demográfica (...)»

Algumas obras: Séville et l'Atlantique, 1504-1650 (12 volumes, 1955-1960); L'Amérique et les Amériques de la préhistoire à nos jours (1964); La Civilisation de l'Europe classique (1966); L'Expansion européenne du XIIIe et XVe siècles (1969); La Civilisation de l'Europe des Lumières (1971); L'Espagne de Charles Quint (1973); Démographie historique et système de civilisation (1974); Histoire, science sociale (1974); De l'histoire à la prospective, (1975); La Mort à Paris, XVIe et XVIIe siècles (1978); Histoire quantitative, histoire sérielle (1978), Un futur sans avenir, Histoire et population (1979); Histoire et imagination. La transition (1980); Église, culture et société. Réforme et Contre-Réforme (1517-1620) (1980); Histoire et décadence (1981); Pour l'histoire (1984); Apologie par l'histoire (1988); Colomb ou la logique de l'imprévisible (1993); Des curés aux entrepreneurs : la Vendée au XXe siècle (2004); Le livre noir de la Révolution Française (2008).

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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Conferência sobre Georges Lemaître, pai da teoria do Big Bang


 

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Georges Lemaître, astrofísico e matemático belga (Charleroi, 17.7.1894 - Lovaina, 20.6.1966) que, em 1927, «apresentou a sua hipótese cosmogónica, segundo a qual toda a matéria que constitui o Universo se encontrava originalmente fortemente condensada, a uma temperatura extremamente elevada, num átomo único com 100 milhões de quilómetros de diâmetro — o «átomo primitivo» — e que se teria desintegrado devido a uma violenta explosão, dispersando-se em todos os sentidos e dando origem aos diversos corpos celestes que actualmente o formam» (Enciclopédia Verbo-Edição Século XXI).


Ver também 
aqui referência a uma obra fundamental sobre a problemática das relações entre Ciência e Fé.

 

publicado por annualia às 14:48
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